Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg164074
Banca
FGV
Órgão
ALETO
Ano
2024
Cargo
Ana Leg ( )
Observe o seguinte texto:
A felicidade depende da habilidade que tenhamos naquelas atividades que consideramos importantes: somente se lhes damos um real valor aos pequenos detalhes cotidianos, poderemos ter instantes felizes. A felicidade absoluta não existe, e já que só podemos acessar os pequenos detalhes daquilo que nos interessa, devemos contentar-nos com isso. Por isso, a infelicidade é um sinal claro de nossa incompetência na arte de viver.
Sobre a estrutura e a significação desse texto, assinale a afirmativa inadequada.
AO tema do texto gira em torno do que consiste a felicidade e o que viria a ser o seu oposto.
BA afirmação de que “A felicidade absoluta não existe” é de cunho pessoal do autor do texto, representando uma opinião.
CO raciocínio utilizado na estruturação argumentativa é do tipo dedutivo.
DO conector “Por isso” mostra a preocupação com o caráter lógico da argumentação.
EA tese do texto é a de que a infelicidade é fruto de nossa incompetência na arte de viver.
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GabaritoE — A tese do texto é a de que a infelicidade é fruto de nossa incompetência na arte de viver.
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Estrutura e significação do texto sobre felicidade
Gabarito: letra E. A afirmativa inadequada é a E, pois a tese do texto não é a de que a infelicidade é fruto de nossa incompetência na arte de viver; essa é a conclusão a que o autor chega ao final do raciocínio. A tese — a ideia central defendida — é a de que a felicidade depende da habilidade que tenhamos naquelas atividades que consideramos importantes, como se lê na primeira linha do texto. A banca troca tese por conclusão, uma armadilha clássica de interpretação.
"A felicidade depende da habilidade que tenhamos naquelas atividades que consideramos importantes"
Essa é a proposição que o autor sustenta e desenvolve ao longo do parágrafo. A frase final — "a infelicidade é um sinal claro de nossa incompetência na arte de viver" — é a conclusão que decorre logicamente das premissas anteriores, não a tese. Em um texto dissertativo-argumentativo, a tese costuma aparecer no início (introdução) e a conclusão no fim; aqui, a banca inverteu os papéis na alternativa E.
O comando
A questão pede a afirmativa inadequada — ou seja, a que não corresponde ao texto. Isso muda a estratégia: em vez de procurar a correta, você deve testar cada alternativa e eliminar as que estão sustentadas pelo texto. A única que não se sustenta é a E.
O texto
O texto é um parágrafo dissertativo-argumentativo. O autor parte de uma premissa geral (a felicidade depende da habilidade nas atividades importantes), desenvolve a ideia de que a felicidade absoluta não existe e que devemos nos contentar com os pequenos detalhes, e conclui que a infelicidade é sinal de incompetência na arte de viver. A estrutura é dedutiva: parte do geral (a habilidade) para o particular (a infelicidade como incompetência).
A técnica que decide
A alternativa E erra ao restringir o alcance da tese. Ela pega a conclusão — que é uma consequência do raciocínio — e a apresenta como se fosse a ideia central. Para identificar a tese, pergunte: o que o autor quer defender? A resposta é a primeira frase. A conclusão é o resultado dessa defesa, não a defesa em si.
Estrutura do texto dissertativo
1Tese (ideia defendida)
Aparece na introdução
"Felicidade depende da habilidade"
2Desenvolvimento
Felicidade absoluta não existe
Contentar-se com pequenos detalhes
3Conclusão (desfecho do raciocínio)
Introduzida por "Por isso"
"Infelicidade é incompetência na arte de viver"
4Raciocínio
Dedutivo (do geral ao particular)
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Alternativa A — ✅ Correta
O tema do texto é, de fato, a felicidade e seu oposto (a infelicidade). O texto discute o que é a felicidade (depende da habilidade, está nos pequenos detalhes) e o que é a infelicidade (incompetência na arte de viver). A alternativa está sustentada pelo texto.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação "A felicidade absoluta não existe" é uma opinião do autor, pois expressa um juízo de valor, não um fato verificável. O texto é subjetivo, e o autor expõe seu ponto de vista. A alternativa está correta.
Alternativa C — ✅ Correta
O raciocínio é dedutivo: parte de uma premissa geral (a felicidade depende da habilidade) e chega a uma conclusão particular (a infelicidade é incompetência). A alternativa está correta.
Alternativa D — ✅ Correta
O conector "Por isso" introduz uma conclusão lógica, mostrando que o autor se preocupa com a coerência da argumentação. A alternativa está correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A alternativa E contradiz a estrutura do texto ao chamar de tese o que é conclusão. A tese é a primeira frase; a conclusão é a última. A banca trocou os termos, e essa é a pegadinha.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tese e conclusão. A tese é a ideia defendida; a conclusão é o desfecho do raciocínio. Não confunda os dois.
PEGA ESSA DICA!
Para achar a tese, pergunte: "o que o autor quer provar?" A resposta costuma estar na introdução. A conclusão vem no final, geralmente após conectivos como "portanto", "logo", "por isso".
Conclusão: a única afirmativa inadequada é a E, pois apresenta a conclusão como tese. As demais estão corretas e são sustentadas pelo texto.