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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — FGV 2024

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
fg164078
Banca
FGV
Órgão
TJ MS
Ano
2024
Cargo
AJ ( )

Texto – A bananeira está em perigo. Conheça as soluções. (Fragmento; adaptado)

 

Robusta, nutritiva e abundante, ela é a fruta mais consumida do mundo. Mas também tem um ponto fraco: as bananeiras são geneticamente idênticas, clones umas das outras. Isso significa que uma doença poderia arrasar a produção mundial. Entenda o que ameaça a banana – e a corrida para tentar salvá-la.

 

Por Bruno Garattoni, Renata Cardoso e Leonardo Pujol

 

Carlos II, rei da Espanha entre 1665 e 1700, também era conhecido como Carlos, o Enfeitiçado. O apelido veio da aparência dele, que tinha o rosto estranhamente deformado, do seu déficit cognitivo (só começou a falar aos 4 anos de idade) e dos muitos problemas de saúde que enfrentou ao longo da vida.

 

A bananeira é o oposto disso. Trata-se de uma planta robusta e viçosa, que cresce rápido e dá muitos frutos: a banana é a fruta mais consumida do mundo, com 125 milhões de toneladas produzidas por ano [...].

 

Carlos II foi o resultado de uma série de casamentos consanguíneos, em que os membros da dinastia Habsburgo tiveram filhos entre si ao longo de várias gerações. [...] Mas a prática teve uma consequência terrível: os descendentes ficaram mais e mais parecidos geneticamente, e foram acumulando mutações causadoras de doenças.

 

[...]

 

A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir.(b) E também significa que a planta se reproduz de forma assexuada: o agricultor simplesmente corta um pedaço dela e enterra em outro lugar.

 

Nasce uma nova bananeira – que, eis o problema, é geneticamente idêntica à anterior. Ela não tem, como Carlos II não teve, um pai e uma mãe com genes bem diferentes, cuja mistura aperfeiçoa o DNA e ajuda a proteger contra doenças. As bananeiras são clones – por isso, um único patógeno pode exterminá-las todas.

 

E já existe um: o Fusarium oxysporum. Trata-se de um fungo que se desenvolve no solo, e infecta as raízes das bananeiras, impedindo que elas puxem água e nutrientes.

 

Após a infecção, o solo fica contaminado por mais de 30 anos, e não há nada a fazer:(c) o F. oxysporum é imune a todos os agrotóxicos.

 

[...]

 

O preço da banana

 

[...]

 

A banana comestível teria surgido no sudoeste asiático.(c) Acredita-se que, entre 7 mil e 5 mil a.C., os nativos da Papua-Nova Guiné teriam feito cruzamentos e domesticado as bananeiras selvagens (cheias de sementes duras, de quebrar os dentes). E voilà: desenvolveram bananeiras que produzem frutos sem sementes.

 

Aqueles pontinhos pretos dentro da banana, caso você esteja se perguntando, não são sementes: trata-se de óvulos não fecundados. Isso porque os papuásios descobriram um método curioso para reproduzir a planta: bastava cortar e replantar um pedaço dela.

 

[...]

 

Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana [...].

 

Foi quando ela chegou aos EUA, contudo, que a coisa mudou de patamar. [...] Em menos de duas décadas, os americanos já estavam comendo mais bananas do que maçãs ou laranjas. De olho nesse mercado, a Boston Fruit Company começou a comprar terras na América Central para cultivo e exportação da banana a partir de 1885.

 

Criada em 1899, a United Fruit Company (UFC) – atual Chiquita Brands International – se tornou a maior empresa do setor. Era tão poderosa que, na primeira metade do século 20, mandava nos governos da Guatemala e de Honduras, onde mantinha plantações – foi daí que surgiu a expressão “república das bananas”.

 

[...]

 

Em 1951, Juan Jacobo Árbenz Guzmán, de apenas 38 anos, foi eleito presidente da Guatemala com a promessa de fazer duas reformas: uma trabalhista e outra agrária, que garantissem salários justos e devolvessem parte da terra aos pequenos agricultores.

 

A United Fruit, obviamente, não gostou. Se opôs duramente ao novo governo,(e) e em agosto de 1953 conseguiu convencer o presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, a patrocinar um golpe de estado na Guatemala.

 

A operação, de codinome PBSuccess, foi organizada pela CIA – que armou, financiou e treinou 480 homens, liderados pelo coronel guatemalteco Carlos Castillo Armas, e também organizou um bloqueio naval.

 

As tropas de Castillo invadiram o país em 18 de junho de 1954, o Exército não reagiu – e, nove dias depois, o presidente Guzmán acabou forçado a renunciar. A Guatemala mergulhou em uma guerra civil que duraria 36 anos. E a United retomou seu poder. [...]

 

Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-banana

Textos produzidos em registro semiformal frequentemente apresentam usos que não obedecem às prescrições gramaticais.   Um exemplo dessa situação pode ser visto na seguinte passagem:
  1. A“Robusta, nutritiva e abundante, ela é a fruta mais consumida do mundo.”;
  2. B“Isso a torna muito mais agradável de consumir.”;
  3. C“Após a infecção, o solo fica contaminado por mais de 30 anos, e não há nada a fazer: [...]”;
  4. D“A banana comestível teria surgido no sudoeste asiático.”;
  5. E“Se opôs duramente ao novo governo [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Se opôs duramente ao novo governo [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Registro semiformal e desvios da norma culta

Gabarito: letra E. A única passagem que foge às prescrições gramaticais é “Se opôs duramente ao novo governo [...]”, porque o pronome oblíquo átono “Se” inicia a oração, o que viola a regra de colocação pronominal que proíbe ênclise ou próclise em início de frase — o correto seria “Opôs-se duramente ao novo governo”. As demais alternativas apresentam construções plenamente aceitas pela norma culta, como se verifica na análise de cada uma.

O comando pede que você identifique, entre as passagens citadas, aquela que não obedece às prescrições gramaticais — ou seja, a que contém um desvio de norma. Isso não é uma questão de interpretação de sentido, mas de reconhecimento de um erro gramatical dentro de um texto semiformal. A banca quer que você distinga o que é aceitável na escrita culta do que é uma transgressão.

No texto, a passagem da alternativa E aparece no trecho sobre a United Fruit Company: “Se opôs duramente ao novo governo”. Aqui, o pronome “Se” está em posição proibida: a norma culta não admite iniciar oração com pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos). A forma correta seria “Opôs-se duramente ao novo governo”, com o pronome em ênclise (depois do verbo). Esse é um desvio clássico de colocação pronominal, comum em registros informais e semiformais.

A técnica para resolver: verifique, em cada alternativa, se há algum vício de construção — colocação pronominal, regência, concordância, pontuação — que destoe da norma culta. A alternativa E é a única que apresenta um erro claro de colocação pronominal, enquanto as demais estão corretas.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavra atrativa (Isso, não, etc.)
    • Locução com verbo no particípio
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Início de oração (Opôs-se)
    • Verbo no imperativo afirmativo
  • 3Pronome átono iniciando oração
    • "Se opôs" → erro
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A passagem “Robusta, nutritiva e abundante, ela é a fruta mais consumida do mundo” está correta. Os adjetivos “robusta, nutritiva e abundante” funcionam como apostos ou predicativos que caracterizam o sujeito “ela”, e a vírgula é usada adequadamente para separar esses termos. Não há desvio gramatical.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A passagem “Isso a torna muito mais agradável de consumir” está correta. O pronome oblíquo “a” está em próclise (antes do verbo), o que é aceitável porque há um termo atrativo (“Isso”) antes do verbo. A construção é gramaticalmente adequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A passagem “Após a infecção, o solo fica contaminado por mais de 30 anos, e não há nada a fazer: [...]” está correta. A vírgula após “infecção” separa uma oração subordinada adverbial temporal, e os dois-pontos introduzem uma explicação. Não há desvio gramatical.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A passagem “A banana comestível teria surgido no sudoeste asiático” está correta. O uso do futuro do pretérito “teria surgido” é adequado para expressar uma hipótese ou incerteza, o que é apropriado ao contexto. Não há desvio gramatical.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A passagem “Se opôs duramente ao novo governo” apresenta um desvio de colocação pronominal. O pronome oblíquo átono “Se” não pode iniciar oração; a forma correta é “Opôs-se duramente ao novo governo”, com ênclise. Esse é o único exemplo de uso que não obedece às prescrições gramaticais, como pede o enunciado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre próclise e ênclise. Lembre-se: pronome oblíquo átono nunca inicia oração — a ênclise é obrigatória quando não há palavra atrativa antes do verbo.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar desvios de norma, verifique sempre a colocação pronominal. Se o pronome estiver no início da oração, é erro.

Gabarito: letra E — a única passagem que foge às prescrições gramaticais é “Se opôs duramente ao novo governo”, por violar a regra de colocação pronominal.

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