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Questão de Português — Conjunção — FGV 2024

PortuguêsConjunção
Código
fg164083
Banca
FGV
Órgão
TJ MS
Ano
2024
Cargo
AJ ( )

Texto – A bananeira está em perigo. Conheça as soluções. (Fragmento; adaptado)

 

Robusta, nutritiva e abundante, ela é a fruta mais consumida do mundo. Mas também tem um ponto fraco: as bananeiras são geneticamente idênticas, clones umas das outras. Isso significa que uma doença poderia arrasar a produção mundial. Entenda o que ameaça a banana – e a corrida para tentar salvá-la.

 

Por Bruno Garattoni, Renata Cardoso e Leonardo Pujol

 

Carlos II, rei da Espanha entre 1665 e 1700, também era conhecido como Carlos, o Enfeitiçado. O apelido veio da aparência dele, que tinha o rosto estranhamente deformado, do seu déficit cognitivo (só começou a falar aos 4 anos de idade) e dos muitos problemas de saúde que enfrentou ao longo da vida.

 

A bananeira é o oposto disso. Trata-se de uma planta robusta e viçosa, que cresce rápido e dá muitos frutos: a banana é a fruta mais consumida do mundo, com 125 milhões de toneladas produzidas por ano [...].

 

Carlos II foi o resultado de uma série de casamentos consanguíneos, em que os membros da dinastia Habsburgo tiveram filhos entre si ao longo de várias gerações. [...] Mas a prática teve uma consequência terrível:(a) os descendentes ficaram mais e mais parecidos geneticamente, e foram acumulando mutações causadoras de doenças.

 

[...]

 

A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir. E também significa que a planta se reproduz de forma assexuada:(b) o agricultor simplesmente corta um pedaço dela e enterra em outro lugar.

 

Nasce uma nova bananeira – que, eis o problema, é geneticamente idêntica à anterior. Ela não tem, como Carlos II não teve, um pai e uma mãe com genes bem diferentes,(c) cuja mistura aperfeiçoa o DNA e ajuda a proteger contra doenças. As bananeiras são clones – por isso, um único patógeno pode exterminá-las todas.(d)

 

E já existe um: o Fusarium oxysporum. Trata-se de um fungo que se desenvolve no solo, e infecta as raízes das bananeiras, impedindo que elas puxem água e nutrientes.

 

Após a infecção, o solo fica contaminado por mais de 30 anos, e não há nada a fazer: o F. oxysporum é imune a todos os agrotóxicos.

 

[...]

 

O preço da banana

 

[...]

 

A banana comestível teria surgido no sudoeste asiático. Acredita-se que, entre 7 mil e 5 mil a.C., os nativos da Papua-Nova Guiné teriam feito cruzamentos e domesticado as bananeiras selvagens (cheias de sementes duras, de quebrar os dentes). E voilà: desenvolveram bananeiras que produzem frutos sem sementes.

 

Aqueles pontinhos pretos dentro da banana, caso você esteja se perguntando, não são sementes: trata-se de óvulos não fecundados. Isso porque os papuásios descobriram um método curioso para reproduzir a planta: bastava cortar e replantar um pedaço dela.

 

[...]

 

Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana [...].(e)

 

Foi quando ela chegou aos EUA, contudo, que a coisa mudou de patamar. [...] Em menos de duas décadas, os americanos já estavam comendo mais bananas do que maçãs ou laranjas. De olho nesse mercado, a Boston Fruit Company começou a comprar terras na América Central para cultivo e exportação da banana a partir de 1885.

 

Criada em 1899, a United Fruit Company (UFC) – atual Chiquita Brands International – se tornou a maior empresa do setor. Era tão poderosa que, na primeira metade do século 20, mandava nos governos da Guatemala e de Honduras, onde mantinha plantações – foi daí que surgiu a expressão “república das bananas”.

 

[...]

 

Em 1951, Juan Jacobo Árbenz Guzmán, de apenas 38 anos, foi eleito presidente da Guatemala com a promessa de fazer duas reformas: uma trabalhista e outra agrária, que garantissem salários justos e devolvessem parte da terra aos pequenos agricultores.

 

A United Fruit, obviamente, não gostou. Se opôs duramente ao novo governo, e em agosto de 1953 conseguiu convencer o presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, a patrocinar um golpe de estado na Guatemala.

 

A operação, de codinome PBSuccess, foi organizada pela CIA – que armou, financiou e treinou 480 homens, liderados pelo coronel guatemalteco Carlos Castillo Armas, e também organizou um bloqueio naval.

 

As tropas de Castillo invadiram o país em 18 de junho de 1954, o Exército não reagiu – e, nove dias depois, o presidente Guzmán acabou forçado a renunciar. A Guatemala mergulhou em uma guerra civil que duraria 36 anos. E a United retomou seu poder. [...]

 

Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-banana

Dentre as alternativas abaixo, o único caso em que o significado do elemento sublinhado foi identificado INCORRETAMENTE é:
  1. AMas a prática teve uma consequência terrível: [...]” – oposição;
  2. B“E também significa que a planta se reproduz de forma assexuada” – modo;
  3. C“Ela não tem, como Carlos II não teve, um pai e uma mãe com genes bem diferentes [...]” – comparação;
  4. D“As bananeiras são clones – por isso, um único patógeno pode exterminá-las todas.” – conclusão;
  5. E“Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana."  – finalidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana."  – finalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico dos conectivos no texto

Gabarito: letra E. A única alternativa em que o significado do elemento sublinhado foi identificado incorretamente é a E: a locução "à medida que" expressa proporção (ideia de simultaneidade e correspondência entre dois fatos que evoluem juntos), e não finalidade. Como se lê no trecho: "Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana" — a propagação da banana acompanha, proporcionalmente, a expansão das rotas; não há intenção, objetivo ou finalidade. As demais alternativas identificam corretamente o valor dos conectivos.

O comando

A questão pede que você identifique o único caso em que o significado do elemento sublinhado foi identificado INCORRETAMENTE. Isso significa que quatro alternativas estão corretas (o valor semântico apontado é o verdadeiro) e apenas uma está errada. O verbo "identificar" indica que a tarefa é de análise semântica de conectivos: você deve reconhecer a relação de sentido que cada conjunção ou locução estabelece no contexto. Não se trata de interpretação global do texto, mas de gramática aplicada ao texto — o que exige atenção ao valor exato de cada conectivo.

O texto e o movimento argumentativo

O texto compara a bananeira a Carlos II, o Enfeitiçado: ambos são resultado de reprodução consanguínea/assexuada, o que os torna geneticamente vulneráveis. A partir dessa comparação, o autor explica a ameaça do fungo Fusarium oxysporum e a corrida para salvar a banana. Os conectivos sublinhados nas alternativas aparecem em momentos-chave dessa explicação, e cada um estabelece uma relação lógica específica. Para resolver, é preciso testar cada conectivo no contexto: qual relação ele realmente instaura entre as ideias?

A técnica que decide

A pegadinha central está na confusão entre proporção e finalidade. A locução "à medida que" é uma conjunção subordinativa proporcional: indica que dois processos ocorrem de forma simultânea e proporcional, um acompanhando o outro. Já a finalidade é expressa por locuções como "a fim de", "para que", "com o objetivo de" — sempre com ideia de intenção ou propósito. No trecho, a expansão das rotas comerciais e a disseminação da banana acontecem juntas, em correspondência: não há intenção da banana em se espalhar, nem propósito das rotas em propagá-la. Portanto, o valor é de proporção, não de finalidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o valor de "à medida que" por "finalidade", explorando a confusão entre proporção e propósito. Lembre-se: proporção = simultaneidade/correspondência; finalidade = intenção/objetivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um conectivo, pergunte: "essa relação expressa intenção?" Se não, não é finalidade. Para proporção, teste: "os fatos evoluem juntos?"

Alternativa A — ✅ Correta

"Mas a prática teve uma consequência terrível: [...]"

O "Mas" é uma conjunção coordenativa adversativa, que expressa oposição entre a ideia anterior (casamentos consanguíneos como prática comum) e a consequência negativa. A identificação como "oposição" está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

"E também significa que a planta se reproduz de forma assexuada"

A expressão "de forma assexuada" é uma locução adverbial de modo: indica como a planta se reproduz (sem sementes, por corte e replantio). A identificação como "modo" está correta.

Alternativa C — ✅ Correta

"Ela não tem, como Carlos II não teve, um pai e uma mãe com genes bem diferentes [...]"

O "como" estabelece uma comparação entre a bananeira e Carlos II: ambos não tiveram pais com genes diferentes. A identificação como "comparação" está correta.

Alternativa D — ✅ Correta

"As bananeiras são clones – por isso, um único patógeno pode exterminá-las todas."

A locução "por isso" introduz uma conclusão ou consequência: o fato de serem clones (causa) leva à conclusão de que um patógeno pode exterminá-las (efeito). A identificação como "conclusão" está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

"Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana."

A locução "à medida que" expressa proporção, não finalidade. A propagação da banana acompanha proporcionalmente a expansão das rotas comerciais. Não há intenção ou propósito. Portanto, a identificação como "finalidade" está incorreta.

Conclusão: como a banca pediu a alternativa em que o significado foi identificado incorretamente, o gabarito é a letra E — a única que atribui ao conectivo um valor que ele não tem no contexto. As demais estão corretas.

Gabarito: letra E

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