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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — FGV 2024

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
fg164086
Banca
FGV
Órgão
TJ MS
Ano
2024
Cargo
AJ ( )

Texto – A bananeira está em perigo. Conheça as soluções. (Fragmento; adaptado)

 

Robusta, nutritiva e abundante, ela é a fruta mais consumida do mundo. Mas também tem um ponto fraco: as bananeiras são geneticamente idênticas, clones umas das outras. Isso significa que uma doença poderia arrasar a produção mundial. Entenda o que ameaça a banana – e a corrida para tentar salvá-la.

 

Por Bruno Garattoni, Renata Cardoso e Leonardo Pujol

 

Carlos II, rei da Espanha entre 1665 e 1700, também era conhecido como Carlos, o Enfeitiçado. O apelido veio da aparência dele, que tinha o rosto estranhamente deformado, do seu déficit cognitivo (só começou a falar aos 4 anos de idade) e dos muitos problemas de saúde que enfrentou ao longo da vida.

 

A bananeira é o oposto disso. Trata-se de uma planta robusta e viçosa, que cresce rápido e dá muitos frutos: a banana é a fruta mais consumida do mundo, com 125 milhões de toneladas produzidas por ano [...].

 

Carlos II foi o resultado de uma série de casamentos consanguíneos, em que os membros da dinastia Habsburgo tiveram filhos entre si ao longo de várias gerações. [...] Mas a prática teve uma consequência terrível: os descendentes ficaram mais e mais parecidos geneticamente, e foram acumulando mutações causadoras de doenças.

 

[...]

 

A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir. E também significa que a planta se reproduz de forma assexuada: o agricultor simplesmente corta um pedaço dela e enterra em outro lugar.

 

Nasce uma nova bananeira – que, eis o problema, é geneticamente idêntica à anterior. Ela não tem, como Carlos II não teve, um pai e uma mãe com genes bem diferentes, cuja mistura aperfeiçoa o DNA e ajuda a proteger contra doenças. As bananeiras são clones – por isso, um único patógeno pode exterminá-las todas.

 

E já existe um: o Fusarium oxysporum. Trata-se de um fungo que se desenvolve no solo, e infecta as raízes das bananeiras, impedindo que elas puxem água e nutrientes.

 

Após a infecção, o solo fica contaminado por mais de 30 anos, e não há nada a fazer: o F. oxysporum é imune a todos os agrotóxicos.

 

[...]

 

O preço da banana

 

[...]

 

A banana comestível teria surgido no sudoeste asiático. Acredita-se que, entre 7 mil e 5 mil a.C., os nativos da Papua-Nova Guiné teriam feito cruzamentos e domesticado as bananeiras selvagens (cheias de sementes duras, de quebrar os dentes). E voilà: desenvolveram bananeiras que produzem frutos sem sementes.

 

Aqueles pontinhos pretos dentro da banana, caso você esteja se perguntando, não são sementes: trata-se de óvulos não fecundados. Isso porque os papuásios descobriram um método curioso para reproduzir a planta: bastava cortar e replantar um pedaço dela.

 

[...]

 

Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana [...].

 

Foi quando ela chegou aos EUA, contudo, que a coisa mudou de patamar. [...] Em menos de duas décadas, os americanos já estavam comendo mais bananas do que maçãs ou laranjas. De olho nesse mercado, a Boston Fruit Company começou a comprar terras na América Central para cultivo e exportação da banana a partir de 1885.

 

Criada em 1899, a United Fruit Company (UFC) – atual Chiquita Brands International – se tornou a maior empresa do setor. Era tão poderosa que, na primeira metade do século 20, mandava nos governos da Guatemala e de Honduras, onde mantinha plantações – foi daí que surgiu a expressão “república das bananas”.

 

[...]

 

Em 1951, Juan Jacobo Árbenz Guzmán, de apenas 38 anos, foi eleito presidente da Guatemala com a promessa de fazer duas reformas: uma trabalhista e outra agrária, que garantissem salários justos e devolvessem parte da terra aos pequenos agricultores.

 

A United Fruit, obviamente, não gostou. Se opôs duramente ao novo governo, e em agosto de 1953 conseguiu convencer o presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, a patrocinar um golpe de estado na Guatemala.

 

A operação, de codinome PBSuccess, foi organizada pela CIA – que armou, financiou e treinou 480 homens, liderados pelo coronel guatemalteco Carlos Castillo Armas, e também organizou um bloqueio naval.

 

As tropas de Castillo invadiram o país em 18 de junho de 1954, o Exército não reagiu – e, nove dias depois, o presidente Guzmán acabou forçado a renunciar. A Guatemala mergulhou em uma guerra civil que duraria 36 anos. E a United retomou seu poder. [...]

 

Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-banana

“A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir.”   A reescritura dessa passagem que NÃO gera erro gramatical é:
  1. AA bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso torna-a muito mais agradável de consumir;
  2. BA bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso lhe torna muito mais agradável de consumir;
  3. CA bananeira domesticada, que as frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir;
  4. DA bananeira domesticada, cujo as frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir;
  5. EA bananeira domesticada, de cujas frutas nós nos aproveitamos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — A bananeira domesticada, de cujas frutas nós nos aproveitamos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura sem erro gramatical: o pronome 'cujo' e a colocação pronominal

Gabarito: letra E. A única reescritura que não gera erro gramatical é a E, pois mantém o pronome relativo 'cujo' corretamente empregado (concordando com 'frutas' e indicando posse) e preserva a colocação pronominal adequada em 'Isso a torna'. As demais alternativas cometem erros de regência, colocação pronominal ou emprego do relativo — como se vê na análise de cada uma.

O comando pede uma reescritura da passagem original: "A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes. Isso a torna muito mais agradável de consumir." O foco é gramatical — não se trata de interpretar o sentido, mas de verificar se a nova redação obedece à norma culta. Para resolver, é preciso dominar três pontos: (1) o uso do pronome relativo 'cujo' (que exige concordância com o termo possuído e não admite artigo entre ele e o substantivo); (2) a colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise); (3) a regência do verbo 'tornar' (transitivo direto, exige objeto direto, não indireto).

No texto-base, a passagem original já está correta: 'cujas frutas nós comemos' — 'cujo' concorda com 'frutas' (feminino plural) e indica que as frutas pertencem à bananeira. A reescritura deve preservar essa estrutura, apenas alterando o que for pedido, sem introduzir vícios de linguagem.

A alternativa E reescreve a oração relativa como 'de cujas frutas nós nos aproveitamos'. Aqui, o verbo 'aproveitar-se' exige a preposição 'de' (aproveitar-se de algo), e o pronome relativo 'cujo' pode vir precedido de preposição quando a regência do verbo assim o exige. A concordância está correta: 'cujas frutas' (feminino plural). E a segunda oração mantém 'Isso a torna', com próclise correta (o pronome 'a' antes do verbo, pois há um advérbio 'Isso' que atrai a próclise). Portanto, não há erro gramatical.

As demais alternativas falham por motivos específicos:

  • A: 'Isso torna-a' — a ênclise é inadequada, pois o advérbio 'Isso' (pronome demonstrativo) atrai a próclise; o correto é 'Isso a torna'.

  • B: 'Isso lhe torna' — o verbo 'tornar' é transitivo direto (tornar algo agradável), não admite objeto indireto; o pronome 'lhe' é objeto indireto, logo, erro de regência.

  • C: 'que as frutas nós comemos' — o pronome relativo 'que' não pode ser usado com valor possessivo; o correto é 'cujas frutas'.

  • D: 'cujo as frutas' — erro de concordância: 'cujo' deve concordar com o substantivo seguinte, mas aqui está no masculino singular e 'frutas' é feminino plural; o correto é 'cujas'.

Reescritura sem erro gramatical
  • 1Pronome relativo 'cujo'
    • Concorda com o possuído
    • Pode vir com preposição (regência)
    • Não admite artigo entre 'cujo' e o substantivo
  • 2Colocação pronominal
    • Próclise
      • fator de atração (pronome demonstrativo 'Isso')
    • Ênclise inadequada após 'Isso'
  • 3Regência do verbo 'tornar'
    • Transitivo direto (objeto direto)
    • 'lhe' (objeto indireto) é erro
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Isso torna-a muito mais agradável de consumir"

Erro de colocação pronominal: o pronome átono 'a' deveria vir antes do verbo (próclise), pois há um pronome demonstrativo ('Isso') que atrai a próclise. A forma correta é 'Isso a torna'. A ênclise ('torna-a') só seria aceitável se não houvesse fator de próclise, o que não é o caso. Erro: colocação pronominal inadequada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Isso lhe torna muito mais agradável de consumir"

Erro de regência verbal: o verbo 'tornar' é transitivo direto (tornar algo + predicativo), exigindo objeto direto (pronome 'a', 'o', 'as', 'os'). O pronome 'lhe' é objeto indireto, o que torna a frase gramaticalmente incorreta. O correto seria 'Isso a torna'. Erro: regência verbal inadequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"que as frutas nós comemos"

Erro de emprego do pronome relativo: 'que' não tem valor possessivo. Para expressar posse (as frutas da bananeira), o relativo adequado é 'cujo' (e variações). Além disso, a construção 'que as frutas nós comemos' é agramatical, pois 'que' não pode ser seguido de artigo nesse contexto. Erro: troca do relativo 'cujo' por 'que'.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"cujo as frutas nós comemos"

Erro de concordância do pronome relativo: 'cujo' deve concordar em gênero e número com o substantivo que segue (o possuído). Como 'frutas' é feminino plural, o correto é 'cujas'. A forma 'cujo' (masculino singular) está incorreta. Erro: concordância nominal inadequada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"de cujas frutas nós nos aproveitamos"

A reescritura está gramaticalmente correta: o pronome relativo 'cujo' concorda com 'frutas' (feminino plural), a preposição 'de' é exigida pela regência do verbo 'aproveitar-se' (aproveitar-se de algo), e a colocação pronominal em 'Isso a torna' está adequada (próclise). Não há erro de regência, concordância ou colocação. É a única alternativa que preserva a correção gramatical da passagem original.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre 'cujo' e 'que', a colocação pronominal (ênclise × próclise) e a regência do verbo 'tornar'. Fique atento: 'cujo' exige concordância com o possuído e pode vir precedido de preposição; 'tornar' é transitivo direto; e pronomes demonstrativos ('Isso') atraem a próclise.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, verifique sempre: (1) o pronome relativo está correto e concorda? (2) a regência do verbo está respeitada? (3) a colocação pronominal segue as regras de próclise/ênclise? Teste cada alternativa com essas três perguntas.

Gabarito: letra E.

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