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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FGV 2024

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
fg164088
Banca
FGV
Órgão
TJ MS
Ano
2024
Cargo
AJ ( )

Texto – A bananeira está em perigo. Conheça as soluções. (Fragmento; adaptado)

 

Robusta, nutritiva e abundante, ela é a fruta mais consumida do mundo. Mas também tem um ponto fraco: as bananeiras são geneticamente idênticas, clones umas das outras. Isso significa que uma doença poderia arrasar a produção mundial. Entenda o que ameaça a banana – e a corrida para tentar salvá-la.

 

Por Bruno Garattoni, Renata Cardoso e Leonardo Pujol

 

Carlos II, rei da Espanha entre 1665 e 1700, também era conhecido como Carlos, o Enfeitiçado. O apelido veio da aparência dele, que tinha o rosto estranhamente deformado, do seu déficit cognitivo (só começou a falar aos 4 anos de idade) e dos muitos problemas de saúde que enfrentou ao longo da vida.

 

A bananeira é o oposto disso. Trata-se de uma planta robusta e viçosa, que cresce rápido e dá muitos frutos:(a) a banana é a fruta mais consumida do mundo, com 125 milhões de toneladas produzidas por ano [...].

 

Carlos II foi o resultado de uma série de casamentos consanguíneos, em que os membros da dinastia Habsburgo tiveram filhos entre si ao longo de várias gerações. [...] Mas a prática teve uma consequência terrível: os descendentes ficaram mais e mais parecidos geneticamente, e foram acumulando mutações causadoras de doenças.

 

[...]

 

A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes.(b), (c) e (d) Isso a torna muito mais agradável de consumir. E também significa que a planta se reproduz de forma assexuada: o agricultor simplesmente corta um pedaço dela e enterra em outro lugar.

 

Nasce uma nova bananeira – que, eis o problema, é geneticamente idêntica à anterior. Ela não tem, como Carlos II não teve, um pai e uma mãe com genes bem diferentes, cuja mistura aperfeiçoa o DNA e ajuda a proteger contra doenças. As bananeiras são clones – por isso, um único patógeno pode exterminá-las todas.

 

E já existe um: o Fusarium oxysporum. Trata-se de um fungo que se desenvolve no solo, e infecta as raízes das bananeiras, impedindo que elas puxem água e nutrientes.

 

Após a infecção, o solo fica contaminado por mais de 30 anos, e não há nada a fazer: o F. oxysporum é imune a todos os agrotóxicos.

 

[...]

 

O preço da banana

 

[...]

 

A banana comestível teria surgido no sudoeste asiático. Acredita-se que, entre 7 mil e 5 mil a.C., os nativos da Papua-Nova Guiné teriam feito cruzamentos e domesticado as bananeiras selvagens (cheias de sementes duras, de quebrar os dentes). E voilà: desenvolveram bananeiras que produzem frutos sem sementes.(e)

 

Aqueles pontinhos pretos dentro da banana, caso você esteja se perguntando, não são sementes: trata-se de óvulos não fecundados. Isso porque os papuásios descobriram um método curioso para reproduzir a planta: bastava cortar e replantar um pedaço dela.

 

[...]

 

Os séculos se passaram, e, à medida que as rotas comerciais foram se espalhando pelo mundo, o mesmo aconteceu com a banana [...].

 

Foi quando ela chegou aos EUA, contudo, que a coisa mudou de patamar. [...] Em menos de duas décadas, os americanos já estavam comendo mais bananas do que maçãs ou laranjas. De olho nesse mercado, a Boston Fruit Company começou a comprar terras na América Central para cultivo e exportação da banana a partir de 1885.

 

Criada em 1899, a United Fruit Company (UFC) – atual Chiquita Brands International – se tornou a maior empresa do setor. Era tão poderosa que, na primeira metade do século 20, mandava nos governos da Guatemala e de Honduras, onde mantinha plantações – foi daí que surgiu a expressão “república das bananas”.

 

[...]

 

Em 1951, Juan Jacobo Árbenz Guzmán, de apenas 38 anos, foi eleito presidente da Guatemala com a promessa de fazer duas reformas: uma trabalhista e outra agrária, que garantissem salários justos e devolvessem parte da terra aos pequenos agricultores.

 

A United Fruit, obviamente, não gostou. Se opôs duramente ao novo governo, e em agosto de 1953 conseguiu convencer o presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, a patrocinar um golpe de estado na Guatemala.

 

A operação, de codinome PBSuccess, foi organizada pela CIA – que armou, financiou e treinou 480 homens, liderados pelo coronel guatemalteco Carlos Castillo Armas, e também organizou um bloqueio naval.

 

As tropas de Castillo invadiram o país em 18 de junho de 1954, o Exército não reagiu – e, nove dias depois, o presidente Guzmán acabou forçado a renunciar. A Guatemala mergulhou em uma guerra civil que duraria 36 anos. E a United retomou seu poder. [...]

 

Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/o-futuro-da-banana

Nas alternativas abaixo, vemos, à esquerda, uma passagem do texto 1 e, à direita, essa mesma passagem reescrita com uma modificação.   O único caso em que essa modificação NÃO produz erro quanto à flexão ou grafia de uma forma verbal é:
  1. A“Trata-se de uma planta robusta e viçosa, que cresce rápido e dá muitos frutos: [...]” -> Tratam-se de plantas robustas e viçosas, que crescem rápido e dão muitos frutos;
  2. B“A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes.” -> As bananeiras domesticadas, cujas frutas nós comemos, não tem sementes;
  3. C“A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes.” -> A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não possue sementes;
  4. D“A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes.” -> Na bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não há sementes;
  5. E“E voilà: desenvolveram bananeiras que produzem frutos sem sementes” -> E voilà: desenvolveu-se bananeiras que produzem frutos sem sementes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes.” -> Na bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não há sementes;

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Concordância verbal e grafia na reescrita

Gabarito: letra D. A única reescrita que não produz erro é a que troca o verbo "ter" pelo impessoal "haver": em "Na bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não há sementes", o verbo haver no sentido de existir é impessoal e fica sempre no singular, independentemente do termo que o segue. A passagem original — "A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes" — tem sujeito claro ("a bananeira"), mas a reescrita muda a estrutura sintática: o que era sujeito vira adjunto adverbial de lugar ("na bananeira"), e a oração fica sem sujeito, exigindo o verbo impessoal no singular. As demais alternativas ou erram a concordância com o sujeito plural, ou cometem erro de grafia, ou usam indevidamente o pronome apassivador "se".

O comando

A questão pede que você compare a passagem original com a reescrita e identifique o único caso em que a modificação NÃO produz erro quanto à flexão ou grafia de uma forma verbal. Isso significa que você deve:

  1. Analisar a estrutura sintática da nova frase (quem é o sujeito? o verbo é pessoal ou impessoal?);

  2. Verificar a concordância verbal (o verbo está na pessoa/número corretos?);

  3. Conferir a grafia da forma verbal (está escrita corretamente?).

A pegadinha central é que nem toda reescrita mantém a mesma estrutura sintática. Ao mudar a preposição ("a bananeira" → "na bananeira"), o sujeito desaparece, e a concordância passa a ser regida por outra lógica. Por isso, a alternativa D é a única que preserva a correção — não porque mantém o mesmo verbo, mas porque adapta a concordância à nova estrutura.

A regra que decide: verbo haver impessoal

O verbo haver no sentido de existir é impessoal: não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular, mesmo quando o termo que o segue está no plural. Exemplos:

  • muitos livros na estante.

  • Havia sérios problemas na empresa.

  • Houve várias reclamações.

Essa é uma das poucas exceções em que o verbo não concorda com o termo que o acompanha, porque esse termo não é sujeito, e sim objeto direto. Na reescrita da letra D, "sementes" é objeto direto de "há", e o sujeito é inexistente — por isso o singular é obrigatório.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever uma frase, identifique primeiro a função sintática do termo que acompanha o verbo. Se o verbo for "haver" com sentido de existir, ele é impessoal e nunca vai para o plural. Desconfie de qualquer alternativa que pluralize "há".

Análise das alternativas

Concordância verbal e grafia
  • 1Verbo haver (existir)
    • Impessoal
    • Sempre singular
  • 2Partícula "se"
    • Apassivadora
      • Concorda com o sujeito
    • Indeterminadora
      • Sempre singular
  • 3Acento diferencial
    • tem (singular)
    • têm (plural)
  • 4Grafia
    • possui (correto)
    • possue (errado)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Trata-se de uma planta robusta e viçosa, que cresce rápido e dá muitos frutos: [...]" -> Tratam-se de plantas robustas e viçosas, que crescem rápido e dão muitos frutos;

Erro: concordância com a partícula apassivadora SE. Na reescrita, "Tratam-se de plantas robustas e viçosas" está errado. O verbo "tratar" com a preposição "de" e o pronome "se" é indeterminador do sujeito (índice de indeterminação), e não apassivador. Nesse caso, o verbo fica sempre no singular: "Trata-se de plantas robustas e viçosas". A forma plural "Tratam-se" só seria correta se o "se" fosse apassivador e o sujeito fosse plural (ex.: "Tratam-se os doentes"), mas aqui a estrutura é diferente: "tratar de" exige o "se" indeterminado, e o termo "plantas" é objeto indireto, não sujeito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre partícula apassivadora e índice de indeterminação do sujeito. No primeiro caso, o verbo concorda com o sujeito; no segundo, fica no singular. Aqui, "tratar de" + "se" é indeterminação, então o singular é obrigatório.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes." -> As bananeiras domesticadas, cujas frutas nós comemos, não tem sementes;

Erro: concordância verbal com sujeito plural. Na reescrita, o sujeito é "As bananeiras domesticadas" (plural), mas o verbo "tem" ficou no singular. O correto seria "têm" (com acento diferencial de plural). A forma "tem" é 3ª pessoa do singular; "têm" é 3ª pessoa do plural. Como o sujeito é plural, o verbo deve concordar: "As bananeiras domesticadas ... não têm sementes".

PEGA ESSA DICA!

O acento diferencial em "tem/têm" é um dos pontos mais cobrados. Lembre-se: singular = tem (sem acento), plural = têm (com acento circunflexo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes." -> A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não possue sementes;

Erro: grafia incorreta do verbo "possuir". A forma "possue" não existe na norma culta. O correto é "possui" (3ª pessoa do singular do presente do indicativo). O verbo "possuir" é regular: eu possuo, tu possuis, ele possui. A grafia "possue" é um erro ortográfico clássico, explorado pela banca.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o verbo "ter" por "possuir" e escreve "possue" para testar se o candidato conhece a grafia correta. O verbo "possuir" não tem a forma "possue" — é sempre "possui".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não tem sementes." -> Na bananeira domesticada, cujas frutas nós comemos, não há sementes;

Correta. A reescrita troca o verbo "ter" (pessoal) por "haver" (impessoal) e adapta a estrutura sintática: o sujeito "a bananeira" vira adjunto adverbial de lugar ("na bananeira"), e a oração fica sem sujeito. O verbo "haver" no sentido de existir é impessoal e fica sempre no singular: "não sementes". Não há erro de flexão nem de grafia. Essa é a única alternativa que não produz erro.

PEGA ESSA DICA!

Quando a reescrita muda a preposição ("a" → "na"), o sujeito pode desaparecer. Nesse caso, o verbo "haver" é a escolha natural, e o singular é obrigatório. Sempre verifique se o verbo é pessoal ou impessoal antes de julgar a concordância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"E voilà: desenvolveram bananeiras que produzem frutos sem sementes" -> E voilà: desenvolveu-se bananeiras que produzem frutos sem sementes;

Erro: uso indevido da partícula apassivadora SE. Na reescrita, "desenvolveu-se bananeiras" está errado. O verbo "desenvolver" é transitivo direto, e o "se" aqui é partícula apassivadora; o sujeito é "bananeiras" (plural), então o verbo deve concordar: "desenvolveram-se bananeiras". A forma "desenvolveu-se" está no singular, mas o sujeito é plural. O correto seria "desenvolveram-se bananeiras".

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a lógica da alternativa A: aqui o "se" é apassivador (e exige concordância), enquanto na A era indeterminador (e exigia singular). Confundir esses dois usos é o erro mais comum.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de analisar a estrutura sintática e aplicar as regras de concordância de forma contextualizada. A alternativa D é a única que não produz erro, porque usa o verbo impessoal "haver" corretamente. As demais erram por: concordância com o sujeito plural (B), grafia incorreta (C), uso indevido do "se" apassivador (E) e confusão entre apassivadora e indeterminadora (A).

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de reescrita, sublinhe o sujeito da nova frase e pergunte: o verbo é pessoal ou impessoal? Se for "haver" (existir), singular; se for "se" apassivador, concorde com o sujeito; se for "se" indeterminador, singular. Essa triagem resolve a maioria dos casos.

Gabarito: letra D

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