Nas frases abaixo está presente a conjunção E. Assinale a frase em que o significado dessa conjunção está indicado corretamente.
AEm muitos terrenos de cidades pequenas há simultaneamente plantas frutíferas e plantas ornamentais / oposição.
BAlgo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário / consequência.
CAmbiente limpo não é o que mais se limpa, e sim o que menos se suja / adição.
DHá gente que fala e fala, mas nada diz / causa.
EOs policiais chegam a suas casas e tiram o uniforme / conclusão.
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GabaritoB — Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário / consequência.
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Valor semântico da conjunção "E"
Gabarito: letra B. A única frase em que o significado atribuído à conjunção E está correto é a B: em "Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário", o E estabelece uma relação de consequência — a dúvida leva à prova do contrário. As demais alternativas atribuem valores que não correspondem ao sentido real da conjunção no contexto, como se vê na análise de cada frase.
A questão cobra um ponto clássico de morfossintaxe: a conjunção E, embora seja tipicamente aditiva (soma), pode assumir outros valores conforme o contexto — adversativo (= mas), conclusivo (= portanto), consecutivo (= de modo que), final (= para que), entre outros. A banca FGV adora explorar essa polissemia, e o candidato precisa analisar a relação lógica entre as orações ligadas pelo E, não apenas decorar a classificação básica.
O comando pede: "Assinale a frase em que o significado dessa conjunção está indicado corretamente". Ou seja, devemos verificar, em cada alternativa, se o valor semântico apontado (oposição, consequência, adição, causa, conclusão) corresponde ao que o E realmente expressa naquela frase. Isso exige interpretação contextual: ler as duas orações e perceber como uma se relaciona com a outra.
A técnica decisiva é substituir o E por outra conjunção que preserve o sentido. Se a troca funcionar, o valor indicado está correto; se não, a alternativa erra. Vejamos:
B: "Alguém duvide e acabe provando o contrário" → a dúvida é a causa de se provar o contrário; o E equivale a "e por isso", "e consequentemente". A relação é de consequência (ou causa-consequência). A substituição por "e por isso" mantém o sentido: "alguém duvide e por isso acabe provando o contrário". Portanto, o valor indicado (consequência) está correto.
A: "há simultaneamente plantas frutíferas e plantas ornamentais" → o E liga dois elementos que coexistem, sem qualquer oposição. É uma adição pura, não oposição. A alternativa erra ao dizer "oposição".
C: "Ambiente limpo não é o que mais se limpa, e sim o que menos se suja" → aqui o E, combinado com "sim", tem valor adversativo (= mas sim), indicando oposição entre as duas ideias. A alternativa diz "adição", o que está errado.
D: "Há gente que fala e fala, mas nada diz" → o E repete o verbo "falar" para enfatizar a ação; não há relação de causa entre falar e falar. O valor é de adição (ou de ênfase), não de causa. A alternativa erra.
E: "Os policiais chegam a suas casas e tiram o uniforme" → o E indica adição de ações sequenciais (chegar e depois tirar), não conclusão. A alternativa erra.
Alternativa
Frase
Valor indicado
Valor real do "E"
A
"há simultaneamente plantas frutíferas e plantas ornamentais"
Oposição
Adição
B
"alguém duvide e acabe provando o contrário"
Consequência
Consequência (✅)
C
"não é o que mais se limpa, e sim o que menos se suja"
Adição
Adversativo (= mas sim)
D
"Há gente que fala e fala, mas nada diz"
Causa
Adição/ênfase
E
"chegam a suas casas e tiram o uniforme"
Conclusão
Adição (sequência)
Valores do "E": Aditivo (soma) (Plantas frutíferas e ornamentais, Chegam e tiram o uniforme); Adversativo (oposição) ("e sim" = mas sim); Consecutivo (consequência) (Duvida e prova o contrário); Enfático (repetição) (Fala e fala)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Em muitos terrenos de cidades pequenas há simultaneamente plantas frutíferas e plantas ornamentais"
O E liga dois termos que coexistem — "plantas frutíferas" e "plantas ornamentais" — sem qualquer contraste. A palavra "simultaneamente" reforça a ideia de soma, não de oposição. O valor correto seria adição. A alternativa contradiz o texto ao atribuir "oposição" a uma relação claramente aditiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário"
Aqui o E liga duas ações em que a primeira (duvidar) é a causa da segunda (provar o contrário). A relação é de consequência: a dúvida leva à prova. Substituindo por "e por isso" ou "e consequentemente", o sentido se mantém. Portanto, o valor indicado (consequência) está correto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Ambiente limpo não é o que mais se limpa, e sim o que menos se suja"
O E, seguido de "sim", forma a expressão "e sim", que equivale a "mas sim" — conjunção adversativa que introduz uma oposição entre o que não é e o que é. A alternativa diz "adição", mas o sentido real é de contraste. A alternativa troca o conceito (adição por oposição).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Há gente que fala e fala, mas nada diz"
O E repete o verbo "falar" para dar ênfase à ação contínua; não há relação de causa entre "falar" e "falar". O valor é de adição (ou de intensidade), não de causa. A alternativa extrapola ao inventar uma relação causal inexistente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Os policiais chegam a suas casas e tiram o uniforme"
O E indica adição de duas ações sequenciais (chegar e depois tirar o uniforme). Não há relação de conclusão (não se conclui algo a partir da outra ação). A alternativa troca o conceito (adição por conclusão).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a polissemia do E, que pode ser aditivo, adversativo, conclusivo, consecutivo etc. O candidato que decora apenas "E = adição" erra as alternativas C e E, e o que não percebe a relação de consequência em B também erra. A dica é sempre substituir o E por outra conjunção e ver se o sentido se mantém.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar o valor de uma conjunção, pergunte: "que relação lógica existe entre as orações?" Se uma ação é causa da outra, o E é consecutivo; se há contraste, é adversativo; se há soma, é aditivo. Teste a substituição mental.