Assinale o pensamento que mostra oposição de termos.
AAs pessoas a quem servimos de apoio é que nos dão firmeza na vida.
BPodemos pretender ser o que queiramos; mas não é lícito fingir que somos o que não somos.
CSomos criaturas tão instáveis que acabamos vivendo os sentimentos que fingimos.
DA flor não nasceu para decorar uma casa, embora o morador pense o contrário.
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GabaritoB — Podemos pretender ser o que queiramos; mas não é lícito fingir que somos o que não somos.
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Oposição de termos: o papel das conjunções adversativas
Gabarito: letra B. A única alternativa que mostra oposição de termos é a B, pois a conjunção "mas" estabelece uma relação de adversidade (oposição) entre as duas orações: de um lado, a permissão de pretender ser o que se queira; de outro, a proibição de fingir ser o que não se é. Como se lê no próprio enunciado, a banca pede "oposição de termos", e o "mas" é o conectivo clássico dessa relação.
O comando: o que a banca pede
A questão é de compreensão de relações semânticas — especificamente, identificar em qual frase há oposição de ideias entre termos ou orações. Não se trata de interpretar um texto longo, mas de reconhecer o valor semântico de um conectivo (conjunção) dentro de cada período. O verbo "mostra" indica que a resposta deve estar explícita na estrutura da frase, não inferida.
O texto: onde mora a oposição
Cada alternativa é um pensamento isolado. A tarefa é localizar a relação de oposição — que, em português, é tipicamente marcada por conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim). A alternativa B apresenta exatamente isso:
"Podemos pretender ser o que queiramos; mas não é lícito fingir que somos o que não somos."
O "mas" opõe a possibilidade de pretender (ideia 1) à impossibilidade de fingir (ideia 2). Há uma quebra de expectativa: a primeira oração sugere liberdade; a segunda impõe um limite. Essa é a essência da adversidade.
A técnica: adversativa × concessiva
A pegadinha central da questão está na alternativa D, que contém "embora". Muitos candidatos confundem concessão com oposição. Veja a diferença:
Relação
Conectivo típico
Efeito
Adversativa (oposição)
mas, porém, contudo
Contrapõe duas ideias, com quebra de expectativa
Concessiva
embora, ainda que, apesar de
Admite uma objeção, mas não a contrapõe diretamente; a ideia principal segue
Na concessiva, a oração com "embora" apresenta um fato que poderia impedir a ação, mas não a impede. Ex.: "Embora chova, vou sair" — a chuva é uma objeção, mas a saída acontece. Já na adversativa, as duas ideias são contrapostas diretamente: "Chove, mas vou sair" — a chuva e a saída são colocadas em oposição.
Na alternativa D, "A flor não nasceu para decorar uma casa, embora o morador pense o contrário", o "embora" introduz uma concessão: o morador pensar o contrário é uma objeção, mas não anula o fato de a flor não ter nascido para decorar. Não há oposição direta entre os termos; há uma ressalva.
Análise das alternativas
Conjunções: Adversativas (oposição) (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante); Concessivas (ressalva) (embora, ainda que, apesar de, conquanto); Consecutivas (consequência) (tão... que, de modo que)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"As pessoas a quem servimos de apoio é que nos dão firmeza na vida."
Aqui não há conjunção adversativa nem oposição de ideias. A frase apenas afirma que as pessoas que apoiamos nos dão firmeza. Há uma relação de identificação ("é que"), não de oposição. Erro: ausência de oposição — a alternativa não apresenta nenhum conectivo de contraste.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Podemos pretender ser o que queiramos; mas não é lícito fingir que somos o que não somos."
A conjunção "mas" é adversativa e estabelece oposição entre a permissão de pretender e a proibição de fingir. É a única alternativa que apresenta, de forma clara, a relação de oposição pedida. Correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Somos criaturas tão instáveis que acabamos vivendo os sentimentos que fingimos."
Aqui há uma relação de consequência ("tão... que"), não de oposição. A instabilidade leva a viver os sentimentos fingidos — é uma causa e efeito, não um contraste. Erro: relação de consequência, não oposição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"A flor não nasceu para decorar uma casa, embora o morador pense o contrário."
O "embora" é uma conjunção concessiva, não adversativa. Ela introduz uma ressalva (o morador pensa o contrário), mas não contrapõe diretamente as ideias. A oposição pedida é a adversativa (mas, porém), não a concessiva. Erro: confusão entre concessão e oposição.
Fechamento
A regra de ouro: para identificar oposição de termos, procure conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto). Cuidado com "embora" e outras concessivas — elas expressam ressalva, não oposição direta. Na dúvida, pergunte: "há uma quebra de expectativa entre as duas ideias?" Se sim, é adversativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca atrai o candidato para a alternativa D, que contém "embora" — mas concessão não é oposição. A oposição exige um conectivo adversativo como "mas".
PEGA ESSA DICA!
Decore as conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim) e as concessivas (embora, ainda que, apesar de, conquanto). Elas são as mais cobradas em questões de relação semântica.