Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2024
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg164147
Banca
FGV
Órgão
MinC
Ano
2024
Cargo
Temp NS ( )
Observe os versos a seguir de Gregório de Matos: “Oh não aguardes, que a madura idade, Te converta essa flor, essa beleza, Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.”
Assinale a alternativa incorreta sobre a interpretação dos versos.
AA construção “madura idade” é utilizada, nos versos, como sinônimo de “velhice”.
BExiste uma valoração positiva da juventude em relação à velhice.
CNota-se uma perspectiva irônica em relação à reflexão sobre a passagem do tempo.
DO último verso inscreve uma gradação, considerando os substantivos em sequência.
EFlor é um substantivo que, nos versos, é associado à imagem da juventude.
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GabaritoC — Nota-se uma perspectiva irônica em relação à reflexão sobre a passagem do tempo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Interpretação dos versos de Gregório de Matos
Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a C, pois os versos de Gregório de Matos não apresentam perspectiva irônica, mas sim uma reflexão séria e grave sobre a passagem do tempo e a efemeridade da vida. O eu lírico adverte, de forma direta e solene, que a juventude e a beleza se converterão em ruína — não há qualquer tom de zombaria ou sarcasmo, que são as marcas da ironia.
O comando pede a alternativa incorreta sobre a interpretação dos versos. Isso significa que quatro afirmações estão corretas e apenas uma não encontra respaldo no texto. A tarefa é de compreensão e interpretação: é preciso analisar o sentido das palavras no contexto poético, identificar figuras de linguagem e reconhecer o tom do discurso.
O texto é um fragmento de um soneto de Gregório de Matos, poeta barroco conhecido pela temática da fugacidade da vida (carpe diem invertido — aqui, o alerta é para a inevitabilidade da morte). O eu lírico se dirige a alguém ("Oh não aguardes") e afirma que a "madura idade" (velhice) converterá a flor e a beleza em "terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada". O movimento é de advertência grave, típica da poesia barroca, que reflete sobre a brevidade da existência.
A técnica para resolver é testar cada alternativa contra o texto, perguntando: o que está escrito autoriza esta afirmação? A alternativa C falha nesse teste porque atribui ao texto uma ironia que não existe. Ironia é uma figura de pensamento em que se diz o contrário do que se quer significar, geralmente com intenção crítica ou humorística. Nos versos, não há inversão de sentido nem tom de escárnio — há uma constatação séria e melancólica da transitoriedade humana.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "reflexão sobre a passagem do tempo" (que existe) e "ironia" (que não existe). O candidato pode achar que qualquer crítica ou lamento é irônico, mas ironia exige um tom específico de zombaria ou inversão de sentido — ausente no texto.
Alternativa A — ✅ Correta
A construção "madura idade" é, de fato, usada como sinônimo de "velhice". No texto, "madura" significa "avançada em anos", "provecta", e "idade" refere-se ao período da vida. A expressão "madura idade" é uma forma clássica de se referir à velhice, fase em que a beleza e a juventude ("flor", "beleza") se perdem. A alternativa está correta.
Alternativa B — ✅ Correta
Existe uma valoração positiva da juventude em relação à velhice. Isso fica evidente na contraposição entre "flor" e "beleza" (associadas à juventude, algo bom e desejável) e "terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada" (associadas à velhice e à morte, algo negativo e de perda). O texto valoriza a juventude ao lamentar sua perda. A alternativa está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
Não há perspectiva irônica. A ironia é uma figura de linguagem em que se afirma o contrário do que se quer dizer, geralmente com tom de zombaria ou crítica mordaz. Nos versos, o eu lírico faz uma advertência séria e solene sobre a inevitabilidade da morte e da decadência física. O tom é de gravidade e melancolia, típico da poesia barroca, e não de ironia. A alternativa erra ao atribuir ao texto um recurso que ele não utiliza.
Alternativa D — ✅ Correta
O último verso inscreve uma gradação (clímax), considerando os substantivos em sequência: "terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada". A gradação é uma figura de linguagem em que as palavras são dispostas em uma escala crescente ou decrescente de intensidade. Aqui, a sequência vai do material (terra, cinza, pó) ao imaterial (sombra, nada), num processo de aniquilamento progressivo. A alternativa está correta.
Alternativa E — ✅ Correta
"Flor" é um substantivo que, nos versos, é associado à imagem da juventude. A flor é um símbolo clássico da beleza efêmera e da juventude, que murcha e morre com o tempo. No texto, "flor" e "beleza" são os elementos que a "madura idade" converterá em ruína, reforçando a associação entre flor e juventude. A alternativa está correta.
Conclusão: a questão pede a alternativa incorreta, e a única que não encontra respaldo no texto é a C, que atribui ironia a uma reflexão séria e grave sobre a passagem do tempo. As demais alternativas (A, B, D e E) estão corretas e são sustentadas pelo texto.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar ironia, procure por marcas textuais como exagero, inversão de sentido, tom de zombaria ou crítica mordaz. Se o texto é solene e grave, como no caso dos versos barrocos, a ironia está descartada.