Assinale a opção que apresenta a frase em que a palavra se é um pronome apassivador.
ASabe-se que a palavra é um ser vivo.
BO silêncio é a maior persecução: os santos nunca se calaram.
CNenhuma fofoca morre inteiramente se for muito espalhada.
DTodos os grandes amantes sabem se expressar verbalmente.
EConversa-se com muito mais gente via internet.
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GabaritoA — Sabe-se que a palavra é um ser vivo.
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Partícula "SE" como pronome apassivador
Gabarito: letra A. A única frase em que o "se" é pronome apassivador é "Sabe-se que a palavra é um ser vivo", pois o verbo "saber" é transitivo direto e o "se" transforma o objeto direto (a oração "que a palavra é um ser vivo") em sujeito paciente, permitindo a transposição para a voz passiva analítica: "É sabido que a palavra é um ser vivo". As demais alternativas apresentam o "se" com outras funções: conjunção condicional (C), pronome reflexivo (B), partícula integrante do verbo (D) e índice de indeterminação do sujeito (E).
O comando pede que se identifique a função sintática da partícula "se" em cada frase. Para resolver, é preciso dominar a diferença entre pronome apassivador (PA) e índice de indeterminação do sujeito (IIS), que é o ponto mais cobrado em provas. A regra é: o "se" será apassivador quando o verbo for transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI), pois a voz passiva só pode ser formada com verbos que possuem objeto direto. Já o IIS ocorre com verbos intransitivos (VI), transitivos indiretos (VTI) ou de ligação (VL), que não admitem objeto direto.
A técnica mais eficiente para confirmar se o "se" é apassivador é transpor a frase para a voz passiva analítica (verbo ser/estar + particípio). Se a transposição for possível, o "se" é apassivador. Por exemplo, "Sabe-se que a palavra é um ser vivo" → "É sabido que a palavra é um ser vivo". Essa transposição é a prova definitiva, pois na voz passiva sintética o objeto direto vira sujeito paciente, e o verbo concorda com ele.
A banca FGV adora explorar a confusão entre PA e IIS, pois ambos são usados com verbos na 3ª pessoa e não permitem identificar quem pratica a ação. A diferença crucial está na transitividade: se o verbo pede objeto direto, é PA; se pede preposição (objeto indireto) ou não pede complemento, é IIS. Além disso, o "se" pode ser pronome reflexivo (ação recai sobre o sujeito), parte integrante do verbo (verbos pronominais) ou conjunção (condicional, integrante, causal).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura frases com "se" apassivador, reflexivo, integrante, conjunção e IIS para testar se o candidato sabe diferenciar pela transitividade do verbo. A alternativa E é a mais traiçoeira, pois "Conversa-se" parece passiva, mas "conversar" é verbo intransitivo, o que torna o "se" um IIS.
Partícula "se": Pronome apassivador (PA) (Verbo VTD ou VTDI, Transpõe p/ voz passiva analítica, Ex.: "Sabe-se que..."); Índice de indeterminação do sujeito (IIS) (Verbo VI, VTI ou VL, Não admite voz passiva, Ex.: "Conversa-se com..."); Pronome reflexivo (Ação recai sobre o sujeito, Ex.: "calaram-se"); Parte integrante do verbo (PIV) (Verbo pronominal, Ex.: "expressar-se"); Conjunção condicional (Equivale a "caso", Ex.: "se for espalhada")
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Sabe-se que a palavra é um ser vivo."
O verbo "saber" é transitivo direto (sabe-se algo). O "se" transforma a oração "que a palavra é um ser vivo" (objeto direto) em sujeito paciente. A transposição para a voz passiva analítica prova: "É sabido que a palavra é um ser vivo". O verbo "sabe" concorda com o sujeito paciente (3ª pessoa do singular). Portanto, o "se" é pronome apassivador.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O silêncio é a maior persecução: os santos nunca se calaram."
O verbo "calar" é usado como pronominal (calar-se), e o "se" indica que a ação recai sobre o próprio sujeito (os santos calaram a si mesmos). Trata-se de pronome reflexivo, não apassivador. A transposição para a passiva analítica não é possível: "os santos nunca foram calados" mudaria o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Nenhuma fofoca morre inteiramente se for muito espalhada."
Aqui o "se" é uma conjunção condicional, equivalente a "caso" ou "se for muito espalhada". Introduz uma oração que expressa condição para a fofoca morrer. Não há relação com voz passiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Todos os grandes amantes sabem se expressar verbalmente."
O verbo "expressar" é usado como pronominal (expressar-se), e o "se" é parte integrante do verbo (PIV). O verbo "expressar-se" só existe com o pronome, que não exerce função sintática. Não é apassivador, pois não há objeto direto sendo transformado em sujeito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Conversa-se com muito mais gente via internet."
O verbo "conversar" é transitivo indireto (conversa-se com alguém). Como não há objeto direto, o "se" não pode ser apassivador. Trata-se de índice de indeterminação do sujeito (IIS), pois o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular. A transposição para a passiva analítica é impossível: "é conversado com gente" não faz sentido.
Conclusão: a questão testa a distinção entre as funções do "se". A regra de ouro é: verbo transitivo direto + se = pronome apassivador; verbo intransitivo/transitivo indireto + se = índice de indeterminação do sujeito. A transposição para a voz passiva analítica é o teste definitivo. A única frase que passa no teste é a letra A.