Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — FGV 2024
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
fg164204
Banca
FGV
Órgão
TRF 1
Ano
2024
Cargo
AJ ( ª Região)
A frase abaixo que apresenta um exemplo de má argumentação, apoiado numa generalização excessiva, é:
AEsse homem, acusado de furto no supermercado, é pai de cinco filhos e funcionário público da Prefeitura.
BA turma visitou a fábrica de sorvetes e Marta voltou gripada, o que mostra irresponsabilidade dos diretores.
CSe todos os empregados chegassem na hora, a produção da fábrica seria mais alta e de preço mais baixo.
DComo alguns livros ensinam a viver, nada mais justo que ler mais.
EOs cariocas não gostam de trabalhar: basta ver a praias cheias de gente em dias úteis.
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GabaritoE — Os cariocas não gostam de trabalhar: basta ver a praias cheias de gente em dias úteis.
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Generalização excessiva como má argumentação
Gabarito: letra E. A alternativa que apresenta um exemplo de má argumentação apoiada em generalização excessiva é a E, pois parte de um caso particular — "as praias cheias de gente em dias úteis" — para concluir, de forma absoluta e universal, que "os cariocas não gostam de trabalhar". Essa passagem generaliza um comportamento de todos os cariocas a partir de uma observação pontual e anedótica, sem qualquer base estatística ou lógica, caracterizando a falácia da generalização apressada.
O comando pede que se identifique um exemplo de má argumentação, ou seja, um raciocínio falho do ponto de vista lógico-argumentativo. Não se trata de julgar a veracidade das frases, mas de reconhecer qual delas comete um erro de generalização. A banca FGV, ao cobrar "generalização excessiva", explora a falácia da generalização apressada (ou dicto simpliciter), que consiste em extrair uma conclusão universal de evidências insuficientes ou não representativas.
A técnica para resolver é testar cada alternativa perguntando: a conclusão apresentada é proporcional à evidência oferecida? Quando a evidência é um caso isolado e a conclusão é universal ("todos", "sempre", "nunca"), há generalização excessiva. Vejamos cada caso:
A) "Esse homem, acusado de furto no supermercado, é pai de cinco filhos e funcionário público da Prefeitura." — Aqui há uma contradição aparente entre o ato (furto) e as características do sujeito (pai, funcionário). Não há generalização; há um paradoxo ou ironia implícita, mas não se afirma algo sobre todos os pais ou todos os funcionários públicos.
B) "A turma visitou a fábrica de sorvetes e Marta voltou gripada, o que mostra irresponsabilidade dos diretores." — Há uma relação de causa e consequência estabelecida de forma falaciosa (post hoc, ergo propter hoc — depois disso, logo por causa disso), mas a conclusão se refere a um caso específico (Marta) e a diretores específicos (da fábrica visitada). Não há generalização para todos os diretores ou todas as fábricas.
C) "Se todos os empregados chegassem na hora, a produção da fábrica seria mais alta e de preço mais baixo." — Esta é uma condicional (estrutura "se... então") que estabelece uma relação lógica hipotética. Não há generalização; há uma proposição condicional que, embora possa ser discutível, não comete o erro de generalizar a partir de um caso particular.
D) "Como alguns livros ensinam a viver, nada mais justo que ler mais." — A palavra "alguns" já restringe o alcance da afirmação. Não se diz que todos os livros ensinam a viver, apenas alguns. A conclusão ("ler mais") é uma recomendação que não generaliza indevidamente.
E) "Os cariocas não gostam de trabalhar: basta ver a praias cheias de gente em dias úteis." — Aqui está a generalização excessiva. O sujeito é "os cariocas" (todos), a afirmação é categórica ("não gostam de trabalhar"), e a evidência é um único fato observável (praias cheias em dias úteis). A expressão "basta ver" reforça a ideia de que uma simples observação é suficiente para comprovar uma verdade universal, o que é logicamente insustentável.
Falácias de argumentação
1Generalização excessiva
Caso particular → conclusão universal
Quantificadores: todos, sempre, nunca
Ex.: "basta ver" as praias cheias
2Causa falsa (post hoc)
Depois disso, logo por causa disso
Ex.: visita à fábrica → gripe
3Contradição aparente
Ato × características do sujeito
Ex.: furto × pai de família
4Condicional
Estrutura "se... então"
Relação hipotética
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A frase apresenta uma contradição aparente entre o ato ilícito (furto) e as qualidades do sujeito (pai de cinco filhos, funcionário público). Não há generalização: a afirmação se limita a um indivíduo específico e não estende suas características a um grupo. O erro aqui seria classificado como ausência de generalização, não excesso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A frase estabelece uma relação causal falaciosa (Marta voltou gripada após visitar a fábrica, logo os diretores são irresponsáveis). Esse é um erro de causa e efeito (falácia post hoc), mas não de generalização excessiva, pois a conclusão se refere a um caso particular (Marta e os diretores daquela fábrica), não a todos os casos semelhantes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A frase é uma condicional ("se... então") que expressa uma relação hipotética entre pontualidade e produtividade. Não há generalização a partir de casos particulares; há uma proposição lógica que, embora possa ser simplista, não comete o erro de generalizar indevidamente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A palavra "alguns" é um quantificador restritivo que impede a generalização. A frase não afirma que todos os livros ensinam a viver, apenas alguns. A conclusão ("ler mais") é uma recomendação que não se baseia em uma generalização excessiva.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase generaliza todos os cariocas a partir de uma observação pontual (praias cheias em dias úteis). A expressão "basta ver" indica que uma única evidência é suficiente para comprovar uma verdade universal, o que é o cerne da generalização excessiva. A conclusão "os cariocas não gostam de trabalhar" é desproporcional à evidência apresentada, caracterizando a falácia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre generalização excessiva e outros tipos de falácia (causa falsa, contradição, condicional). A alternativa B, por exemplo, é uma falácia de causa e efeito, não de generalização. A palavra "basta ver" na alternativa E é o gatilho que revela a generalização apressada.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar generalização excessiva, procure por quantificadores universais ("todos", "sempre", "nunca", "ninguém") e verifique se a evidência apresentada é suficiente para sustentar uma afirmação tão ampla. Se a evidência é um caso isolado e a conclusão é universal, há generalização.
Gabarito: letra E — a única que comete o erro de generalização excessiva, transformando uma observação particular em uma afirmação categórica sobre todos os cariocas.