Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — FGV 2024
Português›Linguagem Formal e Informal
Código
fg164208
Banca
FGV
Órgão
Pref SL da Mata
Ano
2024
Cargo
Prof ( )
Leia o seguinte trecho da transcrição de uma entrevista oral a uma influenciadora digital:
“O ponto negativo é que eu não tenho estúdio, né? Eu trabalho na minha casa, e toda a estrutura pra gravar vídeo e tal é montada aqui no meu quarto basicamente. Então assim, eu preciso organizar tudo, então um aspecto negativo dessa rotina é isso. Você perde um pouco a questão do que é lazer e do que é trabalho. Tudo de lazer acaba virando trabalho, porque você acaba gravando, tal. E você não tem meio que dia de lazer, tipo, dificilmente eu vou tirar um dia para não fazer nada sobre o canal”.
Giulianna Bueno Denari, LUZ, CÂMERA E LIKES: o trabalho dos youtubers nas mídias digitais. 2023. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br. Acesso em: 11 jul. 2024.
Considerando o emprego das variedades linguísticas da língua portuguesa, pode-se afirmar que, na entrevista,
Averifica-se uma discrepância entre o tema abordado e o registro informal adotado pela entrevistada.
Bpode-se notar uma variação de tipo diacrônica, com o emprego de termos que caíram em desuso.
Chá algumas marcas de informalidade, o que é considerado adequado à situação de comunicação.
Dalterna-se entre registro formal e informal, devido à faixa etária e à baixa escolaridade da entrevistada.
Esão empregadas gírias e jargões que dificultam a compreensão do texto pelo público leigo e de outra faixa etária.
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GabaritoC — há algumas marcas de informalidade, o que é considerado adequado à situação de comunicação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Variação Linguística e Adequação ao Contexto
Gabarito: letra C. A entrevista apresenta marcas de informalidade — como "né", "pra", "e tal" e "tipo" — e esse registro é adequado à situação de comunicação, pois se trata de uma entrevista oral com uma influenciadora digital, em que a espontaneidade é esperada. O texto não indica discrepância entre tema e registro, nem variação diacrônica, nem alternância formal/informal, nem uso de gírias que dificultem a compreensão.
O Comando
A questão pede que você analise o emprego das variedades linguísticas no trecho, ou seja, que identifique qual característica do registro está presente e se ela é adequada ao contexto. Não se trata de interpretar o conteúdo (o que a entrevistada diz sobre trabalho), mas de observar a forma como ela fala e julgar se essa forma é apropriada à situação. O comando "pode-se afirmar que" indica que a resposta deve ser sustentada por evidências textuais — cada alternativa precisa ser confirmada ou refutada pelo que está escrito.
O Texto
O trecho é uma transcrição de fala oral de uma influenciadora digital. A entrevistada usa uma linguagem coloquial e espontânea, típica de conversas do dia a dia. Observe as marcas:
"O ponto negativo é que eu não tenho estúdio, né? Eu trabalho na minha casa, e toda a estrutura pra gravar vídeo e tal é montada aqui no meu quarto basicamente."
As expressões "né", "pra", "e tal" e "tipo" são características da linguagem informal. Elas não são gírias nem jargões que dificultam a compreensão — são marcadores de oralidade e coloquialismos que aproximam a fala do ouvinte. A adequação se dá porque a situação é uma entrevista oral, em que o registro informal é esperado e aceito.
A Técnica que Decide
A variação diafásica (situacional) explica que o falante ajusta o nível de formalidade conforme o contexto. Numa entrevista oral com uma influenciadora, o registro informal é adequado — não há erro, pois a língua se adapta à situação. A banca quer que você reconheça que informalidade não é sinônimo de erro, mas de adequação ao contexto. A pegadinha central é a alternativa A, que sugere uma "discrepância" entre tema e registro — mas o texto não indica isso; o tema (trabalho) é tratado de forma espontânea, sem exigir formalidade.
Variação linguística: Tipos (Diacrônica (tempo), Diatópica (região), Diastrática (grupo social), Diafásica (situação)); Registro informal (Marcas: "né", "pra", "e tal", "tipo", Adequado à entrevista oral, Não é erro, é adequação); Pegadinhas (Discrepância tema × registro (não há), Gírias que dificultam (não há), Alternância formal/informal (não há))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que há discrepância entre o tema abordado e o registro informal. Isso contradiz o texto: a entrevistada fala de forma espontânea sobre sua rotina, e o registro informal é adequado à situação de entrevista oral. Não há nenhuma pista de que o tema exigiria formalidade. A banca tenta fazer você extrapolar a ideia de que "trabalho" pede linguagem formal, mas o texto não autoriza isso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa fala em variação diacrônica (histórica), com termos que caíram em desuso. O texto não apresenta nenhum termo arcaico ou antigo. As expressões usadas são contemporâneas e coloquiais. A banca tenta confundir com o conceito de variação histórica, mas não há evidência no trecho.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que há marcas de informalidade, adequadas à situação de comunicação. Isso é confirmado pelo texto: as expressões "né", "pra", "e tal" e "tipo" são marcas de informalidade, e a situação (entrevista oral) torna esse registro adequado. A resposta é uma paráfrase fiel do que o texto mostra.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que há alternância entre registro formal e informal, devido à faixa etária e baixa escolaridade. O texto não mostra alternância — o registro é predominantemente informal do início ao fim. Além disso, a justificativa (faixa etária e escolaridade) é uma extrapolação: o texto não fornece dados sobre a escolaridade da entrevistada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que há gírias e jargões que dificultam a compreensão. O texto não apresenta gírias ou jargões técnicos; as expressões usadas são coloquialismos comuns que não dificultam o entendimento. A banca tenta generalizar o conceito de informalidade, mas o texto não sustenta essa afirmação.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar variação linguística, pergunte: qual é a situação de comunicação? Se for uma entrevista oral, o registro informal é adequado. Desconfie de alternativas que usam termos absolutos como "discrepância", "dificultam" ou "baixa escolaridade" — eles costumam ser extrapolações.
Gabarito: letra C. A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a que reconhece as marcas de informalidade e sua adequação ao contexto de entrevista oral.