Questão de Redes de Computadores — Dados, Multimídia, Streaming, etc. — FGV 2024
Redes de Computadores›Dados, Multimídia, Streaming, etc.
Código
fg165576
Banca
FGV
Órgão
INPE
Ano
2024
Cargo
Tecno Jr ( )
Os satélites empregados para comunicação são dispositivos espaciais projetados para transmitir e receber sinais de comunicação entre diferentes pontos na Terra. Esses satélites geralmente orbitam a Terra em órbitas geoestacionárias ou de baixa órbita, dependendo das necessidades de comunicação e da cobertura desejada, e são equipados com transponders e antenas que recebem, amplificam e retransmitem sinais de comunicação entre usuários situados na Terra. A respeito desses satélites, analise as afirmativas a seguir.
I. A comunicação via satélite oferece uma ampla largura de banda, possibilitando altas velocidades de transmissão e uma capacidade sólida de transferência de dados.
II.Uma vantagem fundamental dos sistemas de comunicação via satélite é sua cobertura global, possibilitando acesso a locais remotos e de difícil acesso devido à variedade de rotas disponíveis dentro de sua área de alcance.
III. A comunicação por satélite proporciona baixa latência em satélites geoestacionários e latência consistente em satélites de baixa órbita. Portanto, são altamente adequados para aplicações sensíveis à latência, como mídia interativa, que exigem baixos atrasos de transmissão.
Está correto o que se afirma em
AI, apenas.
BI e II, apenas.
CI e III, apenas.
DII e III, apenas.
EI, II e III.
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GabaritoB — I e II, apenas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Comunicação via satélite: geoestacionários × LEO
Gabarito: letra B — corretos os itens I e II. A afirmativa III está incorreta porque inverte a relação entre tipo de órbita e latência: satélites geoestacionários, posicionados a cerca de 36.000 km de altitude, impõem um atraso de propagação substancial (na ordem de centenas de milissegundos), sendo inadequados para aplicações sensíveis à latência; já os satélites de baixa órbita (LEO) oferecem latência menor, mas não "consistente" como afirma o item. A base conceitual está na distinção entre as duas órbitas, conforme a literatura de redes.
A comunicação via satélite é um meio de transmissão sem fio que utiliza satélites artificiais como estações repetidoras no espaço: o sinal é enviado de uma estação terrestre ao satélite (uplink), que o amplifica e o retransmite de volta à Terra (downlink). Os satélites são equipados com transponders — dispositivos que recebem, amplificam e mudam a frequência do sinal — e antenas direcionais. A escolha da órbita determina as características fundamentais do enlace: cobertura, atraso e custo.
Os satélites geoestacionários (GEO) ficam em órbita a aproximadamente 36.000 km de altitude, acompanhando a rotação da Terra, de modo que parecem fixos sobre um ponto do equador. Essa grande distância gera um atraso de propagação de ida e volta (round-trip) de cerca de 280 ms, o que os torna inadequados para aplicações interativas em tempo real, como videoconferência ou jogos online. Por outro lado, um único satélite GEO cobre uma vasta área — cerca de um terço da superfície terrestre —, o que permite alcançar regiões remotas e de difícil acesso, onde não há infraestrutura terrestre (fibra, cabo, DSL).
Os satélites de baixa órbita (LEO) orbitam a Terra a altitudes muito menores (tipicamente entre 500 e 2.000 km), o que reduz drasticamente o atraso de propagação — na ordem de dezenas de milissegundos. Porém, por não permanecerem fixos sobre um ponto, é necessário colocar uma constelação de muitos satélites para garantir cobertura contínua de uma área. A latência menor os torna mais adequados para aplicações sensíveis a atraso, mas a latência não é "consistente" no sentido de constante: varia conforme a posição relativa do satélite e da estação terrestre, além de envolver handoffs entre satélites.
A afirmativa I está correta: os enlaces via satélite podem operar a velocidades de centenas de Mbps, oferecendo ampla largura de banda e capacidade de transferência de dados. A afirmativa II também está correta: a cobertura global é a principal vantagem, permitindo acesso a locais remotos e de difícil acesso. A afirmativa III erra ao afirmar que geoestacionários têm "baixa latência" — na verdade, têm alta latência — e que LEO têm "latência consistente" — na verdade, a latência varia. Além disso, a conclusão de que ambos são "altamente adequados para aplicações sensíveis à latência" é falsa, pois os geoestacionários não o são.
A pegadinha da banca está na inversão das características: o candidato que sabe que LEO tem menor latência pode ser levado a aceitar a afirmativa III, mas ela contém dois erros — a classificação da latência dos geoestacionários como "baixa" e a dos LEO como "consistente". O critério decisivo é: geoestacionário = alta latência, cobertura ampla; LEO = baixa latência, cobertura global com constelação. É exatamente essa distinção que separa as alternativas.
Característica
Satélites Geoestacionários (GEO)
Satélites de Baixa Órbita (LEO)
Altitude
~36.000 km
500–2.000 km
Latência
Alta (≈280 ms de ida e volta)
Baixa (dezenas de ms)
Cobertura
~1/3 da superfície terrestre por satélite
Global, com constelação de muitos satélites
Adequação a aplicações sensíveis à latência
Inadequados
Adequados (mas latência varia)
Órbitas de satélites
1Geoestacionário (GEO)
36.000 km de altitude
Alta latência (~280 ms)
Cobre 1/3 da Terra
Inadequado p/ tempo real
2Baixa órbita (LEO)
500–2.000 km de altitude
Baixa latência
Cobertura global (constelação)
Latência varia (handoffs)
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Item I — ✅ Correto
A afirmativa está correta. A comunicação via satélite oferece ampla largura de banda, permitindo altas velocidades de transmissão e capacidade sólida de transferência de dados. Os enlaces por satélite podem funcionar a velocidades de centenas de Mbps, como mencionado na literatura de redes. Não há erro nesta assertiva.
Item II — ✅ Correto
A afirmativa está correta. A cobertura global é uma vantagem fundamental dos sistemas via satélite, pois um único satélite geoestacionário cobre cerca de um terço da superfície terrestre, e constelações de LEO garantem cobertura contínua em todo o planeta. Isso possibilita acesso a locais remotos e de difícil acesso, onde não há infraestrutura terrestre. A variedade de rotas dentro da área de alcance é uma característica real, pois o sinal pode ser roteado por diferentes satélites ou estações terrestres.
Item III — ❌ Incorreto
A afirmativa está incorreta por dois motivos. Primeiro, afirma que satélites geoestacionários proporcionam "baixa latência" — na verdade, eles têm alta latência, com atraso de propagação de cerca de 280 ms de ida e volta, devido à altitude de 36.000 km. Segundo, afirma que satélites de baixa órbita têm "latência consistente" — na verdade, a latência varia conforme a posição do satélite e envolve handoffs entre satélites da constelação. A conclusão de que ambos são "altamente adequados para aplicações sensíveis à latência" é falsa, pois os geoestacionários não são adequados para mídia interativa que exige baixos atrasos.
Conclusão: corretos os itens I e II → portanto, a alternativa é a letra B.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte as características das órbitas: apresenta geoestacionários com "baixa latência" quando na verdade têm alta latência, e LEO com "latência consistente" quando na verdade varia. O candidato que sabe que LEO tem menor latência pode aceitar o item III sem perceber os dois erros embutidos. Lembre-se: geoestacionário = alta latência, cobertura ampla; LEO = baixa latência, cobertura global com constelação. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre satélites, monte uma tabela mental comparando GEO e LEO: altitude (36.000 km vs. 500–2.000 km), latência (alta vs. baixa), cobertura (um terço da Terra vs. global com constelação), número de satélites (um vs. muitos). Essa tabela resolve a maioria das questões do tema.