Questão de Redes de Computadores — Conceitos e Especificações do IP — FGV 2024
Redes de Computadores›Conceitos e Especificações do IP
Código
fg165587
Banca
FGV
Órgão
Pref Niterói
Ano
2024
Cargo
APPGG (SEPLAG Niterói)
No final do século XX, o aumento exponencial dos dispositivos conectados à Internet tem causado o esgotamento dos endereços IPv4, acelerado sobremaneira pelo advento da Internet Das Coisas e da Indústria 4.0.
Com relação às características das principais medidas adotadas para mitigar esse problema de esgotamento de IPs, analise os itens a seguir.
I. O protocolo IPv6 estabelece endereços de 128 bits, provendo um pool de IPs 96 vezes maior que os IPv4, eliminando a necessidade do uso de endereçamento CIDR e mecanismos do tipo NAT e PAT.
II. O mecanismo NAT (Network Adress Translation) permite que diversos usuários de uma rede interna acessem a Internet utilizando um pequeno pool de IPs públicos de maneira compartilhada.
III. O mecanismo PAT (Port Adress Translation) associa todos os endereços físicos conectados ao gateway de saída do roteador a um único endereço lógico, que é o endereço do gateway de entrada do mesmo roteador.
Está correto o que se afirma em
AI, apenas.
BII, apenas.
CI e II, apenas.
DI e III, apenas.
EII e III, apenas.
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GabaritoB — II, apenas.
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Endereçamento IP: IPv6, NAT e PAT
Gabarito: letra B. Apenas o item II está correto: o NAT permite que vários dispositivos de uma rede interna compartilhem um pequeno pool de endereços IP públicos para acessar a Internet. O item I erra ao afirmar que o IPv6 elimina a necessidade de CIDR e NAT/PAT, e o item III inverte os conceitos de NAT e PAT, além de confundir endereço físico com lógico.
O esgotamento dos endereços IPv4, impulsionado pelo crescimento exponencial de dispositivos conectados (IoT, Indústria 4.0), levou ao desenvolvimento de duas estratégias complementares: a criação de um novo protocolo com espaço de endereçamento muito maior (IPv6) e o uso de mecanismos de tradução de endereços (NAT/PAT) para prolongar a vida útil do IPv4. Compreender a diferença entre essas abordagens é essencial para responder questões sobre o tema.
O IPv6, padronizado em 1998, utiliza endereços de 128 bits, o que proporciona um espaço de endereçamento de aproximadamente endereços, em contraste com os cerca de do IPv4 (32 bits). Essa diferença é astronômica: o IPv6 oferece cerca de vezes mais endereços que o IPv4, e não apenas 96 vezes como afirma o item I. No entanto, o IPv6 não elimina a necessidade de CIDR (Classless Inter-Domain Routing), que continua sendo utilizado para o roteamento eficiente e a agregação de prefixos. Quanto ao NAT/PAT, embora o IPv6 tenha sido projetado para tornar essas técnicas desnecessárias na maioria dos cenários (devido à abundância de endereços), elas ainda podem ser empregadas em situações específicas, como para fins de segurança ou transição. Portanto, afirmar que o IPv6 "elimina" a necessidade desses mecanismos é uma generalização incorreta.
O NAT (Network Address Translation) é um mecanismo que traduz endereços IP privados (como os das faixas 10.0.0.0/8, 172.16.0.0/12 e 192.168.0.0/16) em endereços IP públicos, permitindo que vários dispositivos de uma rede interna compartilhem um pequeno pool de endereços públicos. Isso é feito mantendo uma tabela de tradução que associa cada conexão interna a um endereço público e uma porta de origem. O PAT (Port Address Translation), também conhecido como NAT Overload, é uma variação do NAT que permite que vários dispositivos internos compartilhem um único endereço IP público, diferenciando as conexões pelas portas TCP/UDP. O item III erra ao afirmar que o PAT associa "todos os endereços físicos conectados ao gateway de saída do roteador a um único endereço lógico". Na verdade, o PAT traduz endereços IP privados (lógicos) para um único endereço IP público (também lógico), utilizando portas para multiplexar as conexões. A confusão entre "endereço físico" (MAC) e "endereço lógico" (IP) é um erro conceitual grave.
A pegadinha central desta questão está na distinção entre NAT e PAT e na relação entre IPv6 e CIDR/NAT. O candidato que confunde os mecanismos de tradução ou acredita que o IPv6 torna o CIDR obsoleto tende a errar. Vamos analisar cada item detalhadamente.
Mitigação do esgotamento de IPs
1IPv6 (128 bits)
Pool 2^96 vezes maior que IPv4
CIDR continua necessário
NAT/PAT ainda podem ser usados
2NAT
Vários IPs privados → pool de IPs públicos
Tabela de tradução
3PAT (NAT Overload)
Vários IPs privados → um único IP público
Diferencia por portas TCP/UDP
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Item I — ❌ Incorreto
O item I contém dois erros. Primeiro, afirma que o IPv6 provê um pool de IPs "96 vezes maior" que o IPv4. Na verdade, o IPv6 tem 128 bits, enquanto o IPv4 tem 32 bits, resultando em vezes mais endereços — um número astronomicamente maior que 96 vezes. Segundo, afirma que o IPv6 elimina a necessidade de CIDR e NAT/PAT. O CIDR continua sendo usado no IPv6 para o roteamento e a agregação de prefixos (por exemplo, a notação /64 para sub-redes). O NAT/PAT, embora não seja necessário para mitigar a escassez de endereços, ainda pode ser utilizado em cenários específicos, como para ocultar a topologia interna ou em estratégias de transição. Portanto, a afirmação de que o IPv6 "elimina" esses mecanismos é incorreta.
Item II — ✅ Correto ⟵ GABARITO
O item II descreve corretamente o funcionamento do NAT: permite que diversos usuários de uma rede interna acessem a Internet utilizando um pequeno pool de IPs públicos de maneira compartilhada. O NAT traduz os endereços privados dos hosts internos para endereços públicos, mantendo uma tabela de tradução. Isso é exatamente o que o enunciado afirma, e é a definição clássica do mecanismo.
Item III — ❌ Incorreto
O item III contém dois erros. Primeiro, confunde PAT com NAT: o PAT é uma variação do NAT que associa vários endereços IP privados a um único endereço IP público, diferenciando as conexões pelas portas. Segundo, afirma que o PAT associa "todos os endereços físicos conectados ao gateway de saída do roteador a um único endereço lógico". Isso está errado: o PAT trabalha com endereços IP (lógicos), não com endereços físicos (MAC). Além disso, o endereço lógico de saída é o endereço IP público da interface externa do roteador, não o "endereço do gateway de entrada do mesmo roteador". A descrição mistura conceitos de camadas diferentes e inverte o papel dos mecanismos.
Gabarito: letra B — apenas o item II está correto.