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Questão de Biologia — Geral — FGV 2025

BiologiaGeral
Código
fg165966
Banca
FGV
Órgão
SEDUC MT
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Chris Fields e Michael Levin, em 2020, realizaram experimentos sobre regeneração em planárias, utilizando centrífugas, e obtiveram indivíduos com corpo hipercefalizado e radialmente simétrico a partir da duplicação e simetrização de múltiplos eixos, à medida que o número de duplicatas aumenta, como na imagem a seguir: Fonte: (Fields &Levin, 2020)   Considerando a simetria bilateral nas planárias, e os resultados obtidos com o experimento descrito, no qual se obteve planárias com corpo radialmente simétrico, pode-se afirmar que:Imagem associada para resolução da questão
  1. Aa determinação dos planos corporais possui influência ambiental.
  2. Bo filo dos platelmintos é ancestral do filo Cnidaria.
  3. Ca simetria corporal bilatéria e o padrão radial podem ter derivado de um ancestral comum Eumetazoa.
  4. Dpadrões de simetria corporal, como bilateralidade e padrão radial, não são bons caracteres filogenéticos.
  5. Ecnidários e platelmintos deveriam pertencer a um mesmo filo.
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GabaritoC — a simetria corporal bilatéria e o padrão radial podem ter derivado de um ancestral comum Eumetazoa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Simetria corporal e filogenia dos Eumetazoa

Gabarito: letra C. O experimento de Fields e Levin demonstra que a simetria corporal — bilateral ou radial — não é um caráter fixo e imutável, mas sim um fenótipo plástico que pode ser modulado por fatores mecânicos e bioelétricos. Isso reforça a hipótese de que a bilateralidade e a radialidade podem ter derivado de um ancestral comum do grupo Eumetazoa, que já possuía a maquinaria genética básica para estabelecer e modificar eixos corporais.

A simetria corporal é uma característica morfológica fundamental que organiza o plano corporal dos animais. Nos Eumetazoa (animais com tecidos verdadeiros), dois padrões principais são reconhecidos: a simetria radial, típica dos cnidários (águas-vivas, corais, anêmonas), e a simetria bilateral, característica dos bilatérios (que inclui os platelmintos, como as planárias, e todos os demais animais com simetria bilateral, incluindo os vertebrados). A simetria radial permite que o animal seja dividido em múltiplos planos que passam pelo eixo oral-aboral, enquanto a simetria bilateral permite apenas um plano de divisão em duas metades especulares (direita e esquerda), associada à cefalização e à locomoção direcional.

A grande questão filogenética é: qual padrão é ancestral? A visão clássica, baseada na morfologia, considerava a simetria radial como ancestral e a bilateral como derivada, uma vez que os cnidários (radiais) são considerados mais basais que os bilatérios. No entanto, estudos moleculares e de biologia do desenvolvimento têm mostrado que a maquinaria genética para estabelecer eixos corporais (como os genes Hox e os genes envolvidos na via de sinalização Wnt) é compartilhada entre cnidários e bilatérios, sugerindo que o ancestral comum dos Eumetazoa já possuía a capacidade de estabelecer um eixo anteroposterior e, possivelmente, uma forma de simetria bilateral incipiente. O experimento de Fields e Levin, ao induzir radialidade em planárias (animais bilateralmente simétricos) por manipulação mecânica, demonstra que a simetria não é um caráter "congelado" evolutivamente, mas sim um fenótipo plástico que pode ser modulado por fatores mecânicos e bioelétricos. Isso reforça a hipótese de que a bilateralidade e a radialidade podem ter derivado de um ancestral comum dos Eumetazoa, que já possuía a maquinaria genética básica para estabelecer e modificar eixos corporais.

Na prática, o experimento mostra que a simetria bilateral das planárias não é um destino irreversível: ao duplicar e simetrizar múltiplos eixos, os pesquisadores obtiveram indivíduos radialmente simétricos. Isso indica que o programa genético para a radialidade ainda está presente, latente, no genoma das planárias, e pode ser reativado por condições ambientais/mecânicas. Essa plasticidade é um forte indício de que a simetria bilateral e a radial são variações de um mesmo tema ancestral, e não invenções independentes.

A distinção crucial que a questão explora é entre homologia (caracteres derivados de um ancestral comum) e analogia (caracteres semelhantes por convergência evolutiva). A alternativa C afirma que a simetria bilateral e o padrão radial podem ter derivado de um ancestral comum Eumetazoa — ou seja, que há uma base homóloga para esses padrões. As demais alternativas tentam confundir o candidato com ideias como ancestralidade direta entre filos (A), falta de valor filogenético (D) ou agrupamento em um mesmo filo (E).

Guarde a fronteira entre homologia e analogia, e entre ancestralidade e derivação de um ancestral comum: é exatamente nesses conceitos que as alternativas se dividem.

1Padrões
Radial (cnidários)
Bilateral (bilatérios)
2Origem
Ancestral comum Eumetazoa
Maquinaria genética compartilhada (Hox, Wnt)
3Plasticidade
Fenótipo modulável
Experimento: radialidade em planárias
4Conceitos-chave
Homologia (ancestral comum)
Analogia (convergência)
Simetria corporal (Eumetazoa)
LEVELsoulevel.com.br
Simetria corporal (Eumetazoa): Padrões (Radial (cnidários), Bilateral (bilatérios)); Origem (Ancestral comum Eumetazoa, Maquinaria genética compartilhada (Hox, Wnt)); Plasticidade (Fenótipo modulável, Experimento: radialidade em planárias); Conceitos-chave (Homologia (ancestral comum), Analogia (convergência))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a determinação dos planos corporais possui influência ambiental. Embora o experimento mostre que fatores mecânicos (centrifugação) podem alterar a simetria, isso não significa que a determinação dos planos corporais seja primariamente ambiental. A determinação dos eixos corporais é, em sua essência, genética e molecular (genes Hox, vias de sinalização), sendo o ambiente apenas um modulador em situações experimentais específicas. A alternativa generaliza indevidamente um resultado experimental para afirmar uma influência ambiental predominante, o que não é sustentado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o filo dos platelmintos é ancestral do filo Cnidaria. Isso é um erro filogenético grave: os cnidários são considerados mais basais (surgiram antes) que os platelmintos na árvore da vida. Os cnidários pertencem ao grupo dos radiados (com simetria radial), enquanto os platelmintos são bilatérios. A relação correta é que ambos compartilham um ancestral comum, mas nenhum é ancestral do outro. A alternativa inverte a ordem evolutiva.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a simetria corporal bilatéria e o padrão radial podem ter derivado de um ancestral comum Eumetazoa. Esta é a interpretação filogenética mais aceita: cnidários (radiais) e bilatérios (incluindo platelmintos) compartilham um ancestral comum que já possuía a maquinaria genética para estabelecer eixos corporais. O experimento de Fields e Levin, ao induzir radialidade em planárias, demonstra que a simetria bilateral não é um caráter irreversível, mas sim um fenótipo plástico que pode ser modulado, reforçando a hipótese de que ambos os padrões derivam de um ancestral comum.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que padrões de simetria corporal, como bilateralidade e padrão radial, não são bons caracteres filogenéticos. Embora a simetria seja um caráter com plasticidade, ela ainda é amplamente utilizada na sistemática para distinguir grandes grupos (radiados vs. bilatérios). A alternativa é exagerada: a simetria não é o único caráter, mas continua sendo um caráter filogenético relevante, especialmente em níveis taxonômicos mais amplos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que cnidários e platelmintos deveriam pertencer a um mesmo filo. Isso é um erro taxonômico: cnidários e platelmintos são filos distintos, com diferenças morfológicas, fisiológicas e genéticas profundas. Embora compartilhem um ancestral comum, eles divergiram há centenas de milhões de anos e não devem ser agrupados em um mesmo filo. A alternativa confunde ancestralidade comum com identidade taxonômica.

Gabarito: letra C

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