Questão de Biologia — Relações Hídricas (Botânica) — FGV 2025
Biologia›Relações Hídricas (Botânica)
Código
fg165972
Banca
FGV
Órgão
FEMPAR
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Os estômatos estão presentes em todas as plantas vasculares. Em algumas delas, como na espécie ornamental Nerium oleander (“espirradeira”), os estômatos estão restritos à face inferior das folhas, onde se localizam no interior de depressões da epiderme, denominadas ‘criptas’. Esta característica, encontrada principalmente em plantas de ambientes
Apoluídos, minimiza a entrada de gás carbônico atmosférico.
Báridos, minimiza a perda de água pela evapotranspiração.
Cúmidos, facilita a perda de água pela evapotranspiração.
Dquentes, aumenta a saída do gás carbônico produzido pela planta.
Esecos, favorece a eliminação do gás oxigênio produzido na fotossíntese.
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GabaritoB — áridos, minimiza a perda de água pela evapotranspiração.
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Estômatos em criptas: adaptação de plantas de ambientes áridos
Gabarito: letra B. A presença de estômatos restritos à face inferior da folha e alojados em depressões epidérmicas (criptas) é uma adaptação típica de plantas de ambientes áridos, pois essa morfologia minimiza a perda de água pela evapotranspiração. O ar retido nas criptas fica mais úmido e com menor déficit de pressão de vapor, reduzindo a transpiração — exatamente o que a alternativa B afirma.
Os estômatos são estruturas essenciais para as plantas vasculares, pois são os principais portais de troca gasosa com o ambiente: é por eles que entra o CO₂ necessário à fotossíntese e sai o O₂ produzido nesse processo. No entanto, essa mesma abertura que permite a entrada de gás carbônico também permite a saída de vapor d'água — um problema sério para plantas que vivem em locais com pouca água disponível. A natureza resolveu esse dilema com uma série de adaptações morfológicas e fisiológicas que reduzem a perda de água sem inviabilizar a fotossíntese.
Uma dessas adaptações é exatamente a descrita no enunciado: estômatos localizados apenas na face inferior (abaxial) da folha, dentro de depressões chamadas criptas. Essa configuração cria uma microcâmara de ar relativamente parado e úmido ao redor do ostíolo. Como a transpiração depende do gradiente de concentração de vapor d'água entre o interior da folha e a atmosfera, o ar úmido retido na cripta reduz esse gradiente, diminuindo a taxa de perda de água. É um mecanismo passivo de economia hídrica, que não exige gasto energético da planta.
Essa característica é encontrada principalmente em plantas de ambientes áridos, como a espirradeira (Nerium oleander), que é uma espécie típica de regiões secas e ensolaradas. Em contraste, plantas de ambientes úmidos geralmente têm estômatos nas duas faces da folha (anfiestomáticas), pois não precisam economizar água e podem maximizar a captação de CO₂. A restrição dos estômatos a criptas é, portanto, uma adaptação xeromórfica — ou seja, uma característica estrutural que confere resistência à seca.
É importante distinguir essa adaptação de outras estratégias de economia de água, como a presença de tricomas (pelos) na superfície foliar, que também reduzem a transpiração ao criar uma camada de ar parado, e a cutícula espessa, que impermeabiliza a epiderme. Todas essas características são comuns em plantas xerófitas, mas a cripta estomática é uma das mais eficientes, pois protege os estômatos do vento e da radiação direta, mantendo o ar ao redor do ostíolo mais úmido.
A pegadinha desta questão está em associar a cripta estomática a outros tipos de ambiente ou a outras funções. A banca explora a confusão entre a função de economia de água (típica de ambientes áridos) e outras funções como troca gasosa ou eliminação de gases. O candidato que não conhece a função da cripta pode ser levado a escolher uma alternativa que fale de troca gasosa, mas a chave é entender que a cripta é uma adaptação para REDUZIR a perda de água, não para facilitar trocas gasosas.
Estômatos em criptas: O que é (Face inferior da folha, Depressões da epiderme); Função (Minimiza perda de água, Ar úmido retido na cripta, Reduz gradiente de vapor); Ambiente típico (Áridos, Adaptação xeromórfica); Outras adaptações (Tricomas, Cutícula espessa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a cripta estomática, em plantas de ambientes poluídos, minimiza a entrada de gás carbônico atmosférico. O erro está em associar a adaptação a ambientes poluídos e à redução da entrada de CO₂. A cripta é uma adaptação a ambientes áridos, não poluídos, e sua função é reduzir a perda de água, não a entrada de CO₂. Na verdade, a cripta pode até dificultar a entrada de CO₂, mas isso é um efeito colateral, não a função adaptativa principal.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B está correta porque a cripta estomática é uma adaptação de plantas de ambientes áridos que minimiza a perda de água pela evapotranspiração. O ar retido nas criptas fica mais úmido, reduzindo o gradiente de vapor d'água entre a folha e a atmosfera, o que diminui a transpiração. Essa é a função adaptativa central da característica descrita no enunciado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a cripta estomática, em plantas de ambientes úmidos, facilita a perda de água pela evapotranspiração. O erro é duplo: primeiro, a cripta é uma adaptação a ambientes áridos, não úmidos; segundo, sua função é REDUZIR a perda de água, não facilitá-la. Em ambientes úmidos, as plantas geralmente não precisam de tanta economia de água e podem ter estômatos nas duas faces da folha.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a cripta estomática, em plantas de ambientes quentes, aumenta a saída do gás carbônico produzido pela planta. O erro está em associar a adaptação a ambientes quentes (em vez de áridos) e à saída de CO₂. A cripta não tem relação com a eliminação de CO₂ produzido pela planta; sua função é reduzir a perda de água. Além disso, a saída de CO₂ não é um processo que a planta precise aumentar — ela precisa captar CO₂ para a fotossíntese.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a cripta estomática, em plantas de ambientes secos, favorece a eliminação do gás oxigênio produzido na fotossíntese. O erro está em associar a adaptação à eliminação de O₂. A cripta não tem relação com a eliminação de oxigênio; sua função é reduzir a perda de água. Além disso, a eliminação de O₂ é um processo passivo que ocorre pelos estômatos, mas não é o que a cripta favorece — ela, na verdade, dificulta as trocas gasosas em geral, incluindo a saída de O₂.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a função da cripta estomática (economia de água em ambientes áridos) por outras funções como troca gasosa ou eliminação de gases. O candidato que não conhece a função da cripta pode ser levado a escolher uma alternativa que fale de troca gasosa, mas a chave é entender que a cripta é uma adaptação para REDUZIR a perda de água, não para facilitar trocas gasosas. Fique atento: a cripta é uma adaptação xeromórfica, típica de ambientes secos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre adaptações de plantas a ambientes secos, lembre-se das principais estratégias: criptas estomáticas, tricomas, cutícula espessa, redução da superfície foliar e metabolismo CAM. Todas visam reduzir a perda de água. Se a alternativa falar em "facilitar" ou "aumentar" a perda de água, desconfie — a adaptação sempre busca MINIMIZAR a transpiração.