Questão de Biologia — Organelas Citoplasmáticas — FGV 2025
Biologia›Organelas Citoplasmáticas
Código
fg165973
Banca
FGV
Órgão
FEMPAR
Ano
2025
Cargo
Vest ( )
Dentro do universo das Doenças Raras, existe um subgrupo de Erros Inatos do Metabolismo, ao qual pertencem cerca de 50 doenças associadas aos lisossomos, que, em sua maioria, têm herança de caráter recessivo. Esse é o caso da Mucopolissacaridose (MPS), que ocasiona manifestações clínicas variadas como macrocefalia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, deformidades esqueléticas, cardíacas, respiratórias etc. (https://periodicos.ufms.br/index.php/pecibes/article/view/19458. Adaptado.) As doenças raras associadas aos lisossomos são consequência de uma disfunção dessas organelas,
Acausando acidose láctica e afetando a produção de ATP.
Bocasionando o acúmulo de resíduos metabólicos nas células.
Cinterrompendo a ocorrência da glicólise e da respiração celular.
Dinibindo a produção de ácidos graxos, fosfolipídios e esteroides.
Eprejudicando o armazenamento e liberação de íons cálcio no citoplasma.
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GabaritoB — ocasionando o acúmulo de resíduos metabólicos nas células.
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Lisossomos e doenças de acúmulo: a Mucopolissacaridose
Gabarito: letra B. As doenças lisossômicas, como a Mucopolissacaridose (MPS), resultam da disfunção dos lisossomos, organelas responsáveis pela digestão intracelular; a falha enzimática leva ao acúmulo de resíduos metabólicos (glicosaminoglicanos) no interior das células, causando as manifestações clínicas descritas. A alternativa B é a única que descreve corretamente essa consequência funcional.
Os lisossomos são organelas citoplasmáticas membranosas que contêm enzimas hidrolíticas (digestivas) capazes de degradar macromoléculas como proteínas, lipídios, carboidratos e ácidos nucleicos. Eles atuam na digestão de partículas capturadas por endocitose, na reciclagem de organelas envelhecidas (autofagia) e na degradação de materiais intracelulares. Quando uma dessas enzimas é defeituosa ou ausente — por uma mutação genética —, o substrato que ela deveria degradar se acumula progressivamente dentro do lisossomo, que aumenta de tamanho e perde sua função. Esse acúmulo é a base fisiopatológica das chamadas doenças lisossômicas de depósito.
A Mucopolissacaridose (MPS) é um exemplo clássico: há deficiência de enzimas que degradam glicosaminoglicanos (mucopolissacarídeos), como o sulfato de heparana e o sulfato de dermatan. Essas moléculas se acumulam em diversos tecidos — ossos, cartilagens, coração, sistema nervoso —, gerando o quadro clínico variado citado no enunciado (macrocefalia, atraso neuropsicomotor, deformidades esqueléticas, cardíacas e respiratórias). A herança é autossômica recessiva, o que explica a recorrência familiar e a necessidade de ambos os genitores serem portadores.
É importante distinguir a função lisossômica das demais organelas: as mitocôndrias são responsáveis pela respiração celular e produção de ATP; o retículo endoplasmático liso participa da síntese de lipídios e do armazenamento de cálcio; o complexo golgiense processa e empacota proteínas e lipídios. A disfunção lisossômica não afeta diretamente a produção de energia, a glicólise, a síntese de ácidos graxos ou o metabolismo do cálcio — ela compromete especificamente a digestão e reciclagem de resíduos celulares.
A pegadinha da questão está em associar a disfunção lisossômica a outras vias metabólicas (energia, síntese lipídica, cálcio), que são funções de outras organelas. O candidato que não domina a função específica de cada organela pode ser induzido a escolher alternativas que descrevem consequências de outras disfunções. A chave é lembrar que o lisossomo é o "estômago da célula": sua falha causa acúmulo de material não digerido.
Lisossomos
1Função
Digestão intracelular
Reciclagem (autofagia)
2Disfunção (doenças de depósito)
Enzima ausente/defeituosa
Acúmulo de resíduos metabólicos
Ex.: Mucopolissacaridose (MPS)
Glicosaminoglicanos acumulados
Herança autossômica recessiva
3Não confundir com
Mitocôndria (ATP, respiração)
Retículo liso (lipídios, cálcio)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A acidose láctica e a redução de ATP são consequências de disfunção mitocondrial, não lisossômica. As mitocôndrias realizam a fosforilação oxidativa, e sua falha compromete a produção de energia, levando ao aumento de ácido lático. O lisossomo não participa da produção de ATP.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A disfunção lisossômica ocasiona exatamente o acúmulo de resíduos metabólicos nas células. Como as enzimas digestivas estão ausentes ou inativas, os substratos (como glicosaminoglicanos na MPS) não são degradados e se acumulam no interior dos lisossomos, comprometendo a função celular e causando as manifestações clínicas. Esta é a descrição fisiopatológica correta das doenças de depósito lisossômico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A glicólise e a respiração celular são processos do metabolismo energético que ocorrem no citosol e nas mitocôndrias, respectivamente. A disfunção lisossômica não interrompe essas vias; ela afeta apenas a digestão intracelular de macromoléculas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síntese de ácidos graxos, fosfolipídios e esteroides é função do retículo endoplasmático liso, não dos lisossomos. A falha lisossômica não interfere na produção dessas moléculas lipídicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O armazenamento e a liberação de íons cálcio no citoplasma são funções do retículo endoplasmático liso (e, em parte, das mitocôndrias). O lisossomo não participa da homeostase do cálcio; sua função é digestiva.