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Questão de Biologia — Geral — FGV 2025

BiologiaGeral
Código
fg165990
Banca
FGV
Órgão
ENARE
Ano
2025
Cargo
RMAPS ( )

A meningite eosinofílica, uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, é causada, na maioria dos casos, pelo Angiostrongylus cantonensis. Ela representa um desafio para a saúde pública brasileira.

 

Ao contrário das meningites bacterianas ou virais essa forma da doença ocorre pelo contato humano com moluscos, como o caramujo-gigante-africano, Achatina fulica, introduzido no país na década de 1980.

Imagem associada para resolução da questão

Fonte: Morassutti et al. 2014

Com base no ciclo de vida representado no esquema acima, assinale a opção que apresenta a medida profilática primária mais eficaz para o combate dessa doença.

  1. APriorizar a inclusão da como doença como notificação compulsória em todo o território nacional, para subsidiar políticas públicas de saúde preventiva.
  2. BIntensificar ações de captura e erradicação dos roedores locais com uso de raticidas e armadilhas, focando no controle do hospedeiro definitivo da parasitose na cadeia silvestre.
  3. CPromover o cultivo de hortaliças em estruturas elevadas e protegidas do solo, além da higienização rigorosa dos alimentos crus, reduzindo o risco de ingestão dos vermes.
  4. DEstabelecer o controle químico com moluscicidas em larga escala, priorizando áreas urbanas e escolares, como medida principal de redução dos hospedeiros intermediários do nematódeo.
  5. EImplementar campanhas de vermifugação periódica da população exposta e dos animais domésticos da área afetada, visando reduzir a carga parasitária e interrompendo o ciclo zoonótico da doença.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Promover o cultivo de hortaliças em estruturas elevadas e protegidas do solo, além da higienização rigorosa dos alimentos crus, reduzindo o risco de ingestão dos vermes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meningite eosinofílica e o ciclo do Angiostrongylus cantonensis

Gabarito: letra C. A medida profilática primária mais eficaz é impedir a ingestão das larvas do verme, o que se alcança cultivando hortaliças em estruturas elevadas e higienizando rigorosamente os alimentos crus — exatamente o que a alternativa C propõe. Isso porque a transmissão ao homem ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com as larvas eliminadas pelos moluscos hospedeiros intermediários, como o caramujo-gigante-africano (Achatina fulica).

A meningite eosinofílica é uma inflamação das meninges — as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal — causada, na maioria dos casos, pelo nematódeo Angiostrongylus cantonensis. Diferentemente das meningites bacterianas ou virais, que se transmitem de pessoa para pessoa por gotículas respiratórias, essa forma parasitária tem um ciclo de vida que envolve dois hospedeiros: o hospedeiro definitivo (ratos) e o hospedeiro intermediário (moluscos terrestres, como o caramujo-gigante-africano). O homem é um hospedeiro acidental — ele se infecta ao ingerir as larvas L3 presentes na mucosidade dos moluscos ou em alimentos contaminados por essa mucosidade, como hortaliças mal lavadas.

O ciclo funciona assim: os ratos eliminam larvas L1 nas fezes; os moluscos ingerem essas larvas, que se desenvolvem até a forma infectante L3; o homem se infecta ao comer o molusco cru ou mal cozido, ou ao ingerir vegetais contaminados com a mucosidade do caramujo contendo L3. No homem, a larva migra até o sistema nervoso central, onde causa a inflamação meníngea. Como o homem é um hospedeiro acidental, o ciclo não se completa nele — as larvas não chegam à fase adulta nos pulmões como ocorre nos ratos.

A compreensão desse ciclo é a chave para a profilaxia. A profilaxia primária visa impedir a infecção antes que ela ocorra, ou seja, interromper a via de transmissão ao homem. Como a transmissão se dá pela ingestão de larvas, as medidas mais eficazes são aquelas que evitam o contato do homem com as larvas: lavar bem os alimentos, cozinhá-los adequadamente e evitar o consumo de moluscos crus. O cultivo de hortaliças em estruturas elevadas, fora do alcance dos caramujos, também é uma medida eficaz, pois impede que os moluscos contaminem os vegetais com sua mucosidade.

A banca explora a confusão entre os diferentes elos do ciclo e as medidas de controle correspondentes. É fundamental distinguir: o hospedeiro definitivo (rato) é o reservatório do parasita; o hospedeiro intermediário (caramujo) é o elo que transmite a larva ao homem; e o homem é o hospedeiro acidental, que não participa da manutenção do ciclo na natureza. As medidas de controle devem focar no elo que interrompe a transmissão ao homem — e esse elo é o molusco, não o rato, nem o homem. Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

  1. 1Rato elimina L1 nas fezes
  2. 2Caramujo ingere L1
  3. 3Larva vira L3 no molusco
  4. 4Homem ingere L3 (alimento cru)
  5. 5Larva migra ao SNC
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A notificação compulsória é uma medida de vigilância epidemiológica, importante para o monitoramento da doença e a elaboração de políticas públicas, mas não é uma medida profilática primária — ela não impede a infecção. A profilaxia primária age antes da doença, interrompendo a transmissão; a notificação age depois, no registro dos casos. É uma medida de profilaxia secundária/terciária (controle e prevenção de novos casos a partir da vigilância), não primária.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O rato é o hospedeiro definitivo do A. cantonensis, mas o controle de roedores, embora possa reduzir a fonte de larvas no ambiente, não é a medida profilática primária mais eficaz para impedir a infecção humana. A transmissão ao homem ocorre pela ingestão de larvas presentes nos moluscos ou em alimentos contaminados — não pelo contato direto com ratos. Além disso, a erradicação de roedores em larga escala é inviável e ecologicamente problemática. A medida mais eficaz é interromper a via oral de transmissão, ou seja, evitar a ingestão das larvas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a medida profilática primária mais eficaz. O cultivo de hortaliças em estruturas elevadas e protegidas do solo impede que os caramujos (hospedeiros intermediários) contaminem os vegetais com sua mucosidade contendo larvas L3. A higienização rigorosa dos alimentos crus remove ou inativa as larvas que porventura estejam presentes. Essas ações atacam diretamente a via de transmissão oral, que é como o homem se infecta — ingerindo as larvas. É a profilaxia primária por excelência: age antes da infecção, no elo mais vulnerável do ciclo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de moluscicidas em larga escala é uma medida de controle do hospedeiro intermediário, mas não é a medida profilática primária mais eficaz e apresenta sérios problemas: os moluscicidas são tóxicos ao ambiente e a outros organismos, têm eficácia limitada (os caramujos se reproduzem rapidamente e podem recolonizar áreas tratadas) e não eliminam o risco de contaminação dos alimentos já existentes. Além disso, o controle químico em larga escala é caro e de difícil implementação sustentável. A medida mais eficaz e segura é a prevenção da ingestão das larvas, como proposto na alternativa C.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vermifugação periódica da população e dos animais domésticos é uma medida de profilaxia secundária (tratamento de indivíduos já infectados) e não interrompe o ciclo zoonótico da doença. O homem é um hospedeiro acidental — as larvas não completam o ciclo nele, portanto, tratar o homem não reduz a transmissão. Os animais domésticos (cães, gatos) também não são hospedeiros definitivos naturais do A. cantonensis (o hospedeiro definitivo é o rato), e a vermifugação deles não afeta o ciclo. A medida profilática primária deve agir na transmissão, não no tratamento.

Gabarito: letra C — a profilaxia primária mais eficaz é impedir a ingestão das larvas, por meio do cultivo elevado de hortaliças e da higienização rigorosa dos alimentos crus.

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