Uma das causas da morte súbita é a cardiomiopatia hipertrófica, condição muitas vezes assintomática até que eventos graves ocorrem. Casos como esse são fruto de discussões sobre a importância de avaliações fisiológicas e cardiológicas preventivas, especialmente em ambientes de prática esportiva.
Considerando os fundamentos da fisiologia cardíaca e os mecanismos que podem levar à morte súbita durante o exercício físico, assinale a afirmativa correta.
AO acúmulo exagerado de ácido lático nos músculos de contração voluntária e involuntária.
BA obstrução do fluxo de saída do sangue do ventrículo esquerdo, além de arritmias graves, especialmente durante o esforço físico.
CO aumento do tônus simpático durante o exercício leva à vasoconstrição coronariana associado a bradicardia induzida pelo exercício.
DA redução da força de contração atrial e a sua capacidade de ejeção, aumentando o risco de colapso cardíaco durante exercícios intensos.
EO aumento da pressão arterial e do débito cardíaco que leva ao espessamento compensatório do miocárdio, evoluindo para falência cardíaca aguda.
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GabaritoB — A obstrução do fluxo de saída do sangue do ventrículo esquerdo, além de arritmias graves, especialmente durante o esforço físico.
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Cardiomiopatia hipertrófica e morte súbita no exercício
Gabarito: letra B. A cardiomiopatia hipertrófica (MCH) é a causa mais comum de morte súbita cardíaca em adultos jovens, e o mecanismo central é a obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo, que se agrava durante o esforço físico, associada a arritmias ventriculares graves (taquicardia ventricular e fibrilação ventricular). A alternativa B descreve exatamente esses dois mecanismos, conforme a fisiopatologia clássica da doença.
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença genética do músculo cardíaco, caracterizada por um ventrículo esquerdo rígido, disfunção diastólica e obstrução dinâmica da via de saída do ventrículo esquerdo. Essa obstrução ocorre porque o septo interventricular está espessado e, durante a sístole, o movimento anterior da valva mitral (movimento sistólico anterior) reduz o orifício de saída do sangue. Durante o exercício físico, o aumento da frequência cardíaca e da contratilidade, além da redução do volume diastólico final, aumentam o gradiente obstrutivo, reduzindo o débito cardíaco e podendo levar a síncope ou morte súbita.
Além da obstrução mecânica, a MCH é um substrato arritmogênico: a hipertrofia e o desarranjo das fibras miocárdicas (disarray) criam circuitos de reentrada que favorecem taquicardias ventriculares e fibrilação ventricular. Essas arritmias são a causa imediata da maioria das mortes súbitas, especialmente em atletas jovens durante o esforço. O esforço físico intenso aumenta o tônus simpático, que pode precipitar tanto o aumento da obstrução quanto a arritmia.
A questão explora a fisiologia cardíaca aplicada à morte súbita no esporte, e a alternativa correta precisa reconhecer os dois pilares da MCH: a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo e as arritmias graves. As demais alternativas trazem mecanismos incorretos ou incompletos, como veremos a seguir.
Cardiomiopatia hipertrófica (MCH)
1Mecanismos da morte súbita
Obstrução dinâmica da via de saída do VE
Septo espessado
Movimento sistólico anterior da valva mitral
Agrava no esforço físico
Arritmias ventriculares graves
Taquicardia ventricular
Fibrilação ventricular
Substrato: desarranjo das fibras (disarray)
2Causa
Genética (hipertrofia primária)
3Consequências
Síncope
Morte súbita
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O acúmulo de ácido lático nos músculos está relacionado à fadiga muscular durante exercício intenso, mas não é causa de morte súbita por cardiomiopatia hipertrófica. A morte súbita na MCH decorre de obstrução do fluxo e arritmias, não de acidose lática. Além disso, o ácido lático se acumula em músculos esqueléticos (contração voluntária), não em músculos involuntários como o cardíaco, que tem metabolismo predominantemente aeróbico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão os dois mecanismos fisiopatológicos da MCH: a obstrução do fluxo de saída do ventrículo esquerdo (devido à hipertrofia septal e ao movimento sistólico anterior da valva mitral) e as arritmias graves (taquicardia ventricular e fibrilação ventricular), que são precipitadas pelo esforço físico. Durante o exercício, o aumento do inotropismo e da frequência cardíaca agrava a obstrução, e o substrato arritmogênico do miocárdio hipertrófico favorece arritmias fatais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O exercício físico aumenta o tônus simpático, mas isso causa vasodilatação coronariana (não vasoconstrição) e taquicardia (não bradicardia). A bradicardia induzida pelo exercício é um conceito falso; o que ocorre é taquicardia sinusal por ação simpática. A vasoconstrição coronariana seria um mecanismo de isquemia, mas não é a resposta esperada para a MCH.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A redução da força de contração atrial não é o mecanismo central da morte súbita na MCH. A doença afeta principalmente o ventrículo esquerdo (hipertrofia e disfunção diastólica), e a obstrução da via de saída é o problema crítico. A contração atrial pode estar comprometida em fases avançadas, mas não é o gatilho do colapso durante exercícios intensos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O espessamento compensatório do miocárdio (hipertrofia) pode ocorrer em resposta à hipertensão arterial crônica, mas na MCH a hipertrofia é primária, genética, e não compensatória. Além disso, a alternativa sugere que o aumento da pressão arterial e do débito cardíaco leva à hipertrofia e à falência aguda, o que não corresponde à fisiopatologia da MCH, que é uma doença de causa genética com obstrução e arritmias.