Questão de Criminalística — Traumatologia: Energia de Ordem Física — FGV 2025
Criminalística›Traumatologia: Energia de Ordem Física
Código
fg166213
Banca
FGV
Órgão
PC MG
Ano
2025
Cargo
Med Leg ( )
Apesar da capacidade de adaptação do ser humano a locais com pressões maiores ou menores, as alterações rápidas ou intensas podem causar transtornos. Sobre as baropatias, assinale a afirmativa correta.
AOs barotraumas auditivos são frequentes em aviadores e mergulhadores.
BAs doenças descompressivas dos mergulhadores só acontecem nas subidas.
CA doença das montanhas se instala após a chegada imediata a locais com mais de 5 mil metros de altitude.
DO oxigênio é o gás que causa impregnação dos tecidos, principalmente após 80 metros de profundidade.
EOs indivíduos que permanecem por tempo prolongado em locais de grande altitude terão adaptações crônicas sem repercussões clínica
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GabaritoA — Os barotraumas auditivos são frequentes em aviadores e mergulhadores.
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Baropatias: efeitos da pressão no organismo
Gabarito: letra A. Os barotraumas auditivos são, de fato, frequentes em aviadores e mergulhadores, pois ambos estão sujeitos a variações rápidas de pressão que afetam as cavidades aéreas do corpo, especialmente o ouvido médio. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre as doenças descompressivas, a doença das montanhas, a impregnação por gases e as adaptações crônicas à altitude.
As baropatias são alterações patológicas causadas por variações na pressão atmosférica ou hidrostática. O corpo humano, especialmente as cavidades que contêm ar (ouvido médio, seios da face, pulmões), precisa se adaptar a essas variações. Quando a mudança de pressão é rápida ou intensa, o organismo não consegue equalizar a pressão interna com a externa, gerando lesões. O ouvido médio é particularmente vulnerável porque é uma cavidade fechada, comunicando-se com o exterior apenas pela tuba auditiva. Em aviadores, durante a subida ou descida rápida, e em mergulhadores, durante a descida ou subida, a diferença de pressão entre o ouvido médio e o ambiente pode causar desde desconforto até ruptura da membrana timpânica — o barotrauma auditivo.
A doença descompressiva, por sua vez, está relacionada à formação de bolhas de gás (principalmente nitrogênio) nos tecidos e no sangue quando há uma redução rápida da pressão. Isso ocorre na subida do mergulhador, mas não é correto afirmar que "só acontece nas subidas" — ela pode ocorrer também em outras situações de descompressão, como em trabalhadores de túneis pressurizados ou em ascensões rápidas a grandes altitudes. A doença das montanhas, ou mal agudo das montanhas, não se instala "imediatamente" ao chegar a locais com mais de 5 mil metros; ela se desenvolve após algumas horas de permanência em altitudes elevadas, geralmente acima de 2.500 metros, e a gravidade varia conforme a altitude e a velocidade de ascensão. O gás que causa impregnação dos tecidos em mergulhadores profundos é o nitrogênio, não o oxigênio, e isso ocorre em profundidades menores que 80 metros — a narcose por nitrogênio pode começar a partir de cerca de 30 metros. Por fim, a permanência prolongada em grandes altitudes leva a adaptações crônicas, como o aumento da produção de hemácias (policitemia), que, embora sejam mecanismos compensatórios, podem ter repercussões clínicas, como aumento da viscosidade sanguínea e risco de trombose.
A banca explora aqui a confusão entre os diferentes tipos de baropatias e seus mecanismos específicos. A chave para acertar é lembrar que cada baropatia tem um gatilho e um mecanismo próprio: o barotrauma está ligado à diferença de pressão em cavidades aéreas; a doença descompressiva, à formação de bolhas de gás na descompressão; a doença das montanhas, à hipóxia de altitude; e a impregnação gasosa, ao acúmulo de nitrogênio nos tecidos. Vamos analisar cada alternativa.
Baropatias: Barotrauma (Cavidades aéreas (ouvido médio), Aviadores e mergulhadores); Doença descompressiva (Bolhas de gás (nitrogênio), Subida rápida, Também em túneis pressurizados); Doença das montanhas (Hipóxia de altitude, Após horas (não imediato), Acima de 2.500 m); Impregnação gasosa (Nitrogênio (não oxigênio), Narcose a partir de ~30 m); Adaptação crônica (Policitemia, Riscos: trombose, viscosidade)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os barotraumas auditivos são, de fato, frequentes em aviadores e mergulhadores. Em ambos os casos, há variações rápidas de pressão que afetam o ouvido médio. No aviador, durante a subida ou descida da aeronave; no mergulhador, durante a descida ou subida na água. A tuba auditiva, que normalmente equaliza a pressão, pode não conseguir acompanhar a variação rápida, causando dor, sensação de ouvido entupido e, em casos graves, ruptura da membrana timpânica. Essa é a definição clássica de barotrauma auditivo, e a alternativa está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença descompressiva não ocorre "só nas subidas". Ela é causada pela formação de bolhas de gás (principalmente nitrogênio) nos tecidos quando há uma redução rápida da pressão, o que ocorre na subida do mergulhador. No entanto, a doença também pode ocorrer em outras situações de descompressão, como em trabalhadores de túneis pressurizados, em ascensões rápidas a grandes altitudes ou mesmo em mergulhadores que respeitam as paradas de descompressão, se houver falha no procedimento. O erro está na palavra "só", que torna a afirmação absoluta e incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A doença das montanhas não se instala "imediatamente" após a chegada a locais com mais de 5 mil metros. Ela se desenvolve após algumas horas de permanência em altitudes elevadas, geralmente acima de 2.500 metros. Os sintomas incluem dor de cabeça, náuseas, fadiga e tontura, e podem evoluir para formas graves, como edema pulmonar ou cerebral de altitude. A altitude de 5 mil metros é um valor que pode ser usado como referência para formas graves, mas a doença pode ocorrer em altitudes menores e não se instala de forma imediata.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O gás que causa impregnação dos tecidos em mergulhadores é o nitrogênio, não o oxigênio. A narcose por nitrogênio, também chamada de "embriaguez das profundezas", ocorre quando o nitrogênio se dissolve nos tecidos em altas pressões, afetando o sistema nervoso central. Isso pode começar a partir de cerca de 30 metros de profundidade, não "após 80 metros". O oxigênio, em altas pressões, pode causar toxicidade, mas não é o gás responsável pela impregnação dos tecidos nesse contexto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A permanência prolongada em grandes altitudes leva a adaptações crônicas, como o aumento da produção de hemácias (policitemia) para melhorar o transporte de oxigênio. No entanto, essas adaptações podem ter repercussões clínicas, como aumento da viscosidade sanguínea, risco de trombose e hipertensão pulmonar. Portanto, não é correto afirmar que as adaptações crônicas ocorrem "sem repercussões clínicas".
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os mecanismos das diferentes baropatias. A alternativa B usa o termo "só" para tornar a afirmação absoluta e incorreta; a C usa "imediatamente" para distorcer o tempo de instalação da doença; a D troca o nitrogênio pelo oxigênio e altera a profundidade; e a E nega as repercussões clínicas das adaptações crônicas. Fique atento a esses termos absolutos e às trocas de gases e profundidades.