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Questão de Direito Processual Penal — Jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre Competência — FGV 2025

Direito Processual PenalJurisprudência dos Tribunais Superiores sobre Competência
Código
fg166562
Banca
FGV
Órgão
OAB
Ano
2025
Cargo
NAC UNI
Cauã e Mayara são indígenas integrados e mantêm relação íntima de afeto, sendo residentes em comunidade tradicional. Certo dia, motivado por ciúmes, Cauã agrediu Mayara, atingindo-a no rosto, fato que ocasionou uma lesão corporal leve. Sobre a orientação assumida pelo(a) advogado(a) de defesa de Mayara, assinale a afirmativa correta.
  1. AA ação penal é pública e incondicionada, por se tratar de disputa sobre direito indígena, de competência da Vara Criminal da Justiça Estadual.
  2. BA ação penal depende de representação da ofendida e seguirá o rito do Juizado Especial Criminal, perante a Justiça Federal, pelo fato de envolver indígenas como autor e vítima.
  3. CA ação penal é pública e incondicionada, por se tratar de violência doméstica e familiar contra a mulher, e a competência para julgamento é da Justiça Federal, em razão de envolver indígenas.
  4. DA ação penal é pública e incondicionada, e a competência para julgamento é do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, ante a relação íntima de afeto existente entre autor e vítima.
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GabaritoD — A ação penal é pública e incondicionada, e a competência para julgamento é do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, ante a relação íntima de afeto existente entre autor e vítima.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Violência doméstica contra mulher indígena: ação penal e competência

Gabarito: letra D. A lesão corporal leve praticada contra mulher em contexto de relação íntima de afeto configura violência doméstica e familiar, atraindo a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que torna a ação penal pública e incondicionada e fixa a competência do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. A condição de indígena dos envolvidos não desloca a competência para a Justiça Federal, pois o crime não envolve disputa sobre direitos indígenas nem interesse direto da União.

A questão exige o exame de dois pontos: (1) a natureza da ação penal nos crimes de lesão corporal leve praticados em contexto de violência doméstica e (2) a competência para julgamento quando autor e vítima são indígenas. O primeiro ponto é resolvido pela Lei 11.340/2006, que afasta a regra geral do art. 88 da Lei 9.099/1995 (que exige representação para a lesão corporal leve) e determina que a ação seja pública incondicionada. O segundo ponto exige a distinção entre a competência da Justiça Federal para crimes que envolvam disputa sobre direitos indígenas (art. 109, XI, CF) e a competência dos Juizados de Violência Doméstica, que é da Justiça Estadual, salvo quando houver interesse direto da União.

A banca explora a confusão entre a competência da Justiça Federal para "disputa sobre direitos indígenas" e a competência para crimes que envolvem indígenas como autor e vítima. A simples condição de indígena não atrai a competência federal; é necessário que o crime envolva disputa sobre direitos indígenas, o que não ocorre no caso de violência doméstica. A Lei Maria da Penha, por sua vez, estabelece competência especializada para os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que são órgãos da Justiça Estadual.

Violência doméstica contra mulher indígena
  • 1Ação penal
    • Pública incondicionada (Lei Maria da Penha)
    • Não depende de representação
  • 2Competência
    • Juizado de Violência Doméstica (Justiça Estadual)
    • Justiça Federal (só disputa sobre direitos indígenas)
  • 3Relação íntima de afeto (art. 5º, III)
    • Independe de coabitação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A ação penal é pública e incondicionada, mas a competência não é da Vara Criminal da Justiça Estadual. A Lei Maria da Penha determina que os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher sejam os órgãos competentes para processar e julgar os crimes de violência doméstica, conforme o art. 14 da referida lei. A Vara Criminal comum não é o foro adequado, pois a lei criou juizados especializados para essa matéria.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ação penal não depende de representação da ofendida, pois a Lei Maria da Penha afasta a regra do art. 88 da Lei 9.099/1995, que exige representação para a lesão corporal leve. Além disso, a competência não é da Justiça Federal pelo simples fato de envolver indígenas como autor e vítima. A competência federal só se configura quando há disputa sobre direitos indígenas, o que não é o caso. O rito do Juizado Especial Criminal também não se aplica, pois a Lei Maria da Penha veda a aplicação da Lei 9.099/1995 aos crimes de violência doméstica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ação penal é pública e incondicionada, mas a competência não é da Justiça Federal em razão de envolver indígenas. A competência federal para crimes que envolvam indígenas só se configura quando há disputa sobre direitos indígenas, conforme o art. 109, XI, da CF. No caso de violência doméstica, a competência é do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que é órgão da Justiça Estadual.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ação penal é pública e incondicionada, pois a Lei Maria da Penha afasta a necessidade de representação para a lesão corporal leve em contexto de violência doméstica. A competência é do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, ante a relação íntima de afeto existente entre autor e vítima, conforme o art. 5º, III, da Lei 11.340/2006, que configura violência doméstica em qualquer relação íntima de afeto, independentemente de coabitação.

Art. 5Lei-11340

Art. 5º — "Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial"

III — "em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação"

A relação íntima de afeto entre Cauã e Mayara, mesmo sem coabitação, enquadra o caso na Lei Maria da Penha, tornando a ação penal pública e incondicionada e fixando a competência do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a competência da Justiça Federal para "disputa sobre direitos indígenas" (art. 109, XI, CF) com a simples condição de indígena dos envolvidos. A competência federal só se configura quando o crime envolve disputa sobre direitos indígenas, o que não ocorre na violência doméstica. A condição de indígena, por si só, não desloca a competência.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de competência envolvendo indígenas, lembre-se: a Justiça Federal só é competente quando há disputa sobre direitos indígenas, não quando indígenas são meramente autor e vítima. Na violência doméstica, a competência é sempre do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, independentemente da condição étnica dos envolvidos.

Gabarito: letra D

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