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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fg167718
Banca
FGV
Órgão
PM SP
Ano
2025
Cargo
Sold ( )

Ele é tão ganancioso que não passaria 24 horas numa ilha habitada sem meter a mão nos bolsos dos selvagens nus.

(Político britânico)

 

Sobre o significado e a estruturação dessa frase, assinale a afirmação correta.

  1. AA oração precedida pela conjunção “que” tem valor de causa.
  2. BA abreviatura de horas está feita de forma correta.
  3. CO pronome “Ele” no início da frase vai se referir a alguém presente no futuro do discurso.
  4. DA crítica da frase se dirige aos políticos britânicos em geral.
  5. EHá uma contradição lógica no final da frase.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Há uma contradição lógica no final da frase.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ironia e contradição lógica na frase

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a E, pois há, de fato, uma contradição lógica no final da frase: se os selvagens estão nus, não têm bolsos para que alguém "meta a mão". Essa contradição é proposital — é o que produz o efeito irônico da frase. As demais alternativas ou erram a função sintática da oração, ou extrapolam o alcance da crítica, ou cometem equívocos de abreviatura e referência pronominal.

O comando da questão

O enunciado pede que você analise significado e estruturação da frase. Isso significa que você deve observar tanto o sentido (o que o autor quis dizer, inclusive com ironia) quanto a sintaxe (a função das orações e dos termos). Questões assim misturam interpretação e gramática: é preciso identificar a relação lógica entre as partes e perceber quando o texto usa figuras de linguagem.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

A frase é uma crítica irônica a uma pessoa gananciosa (provavelmente um político, como indica a autoria). O autor constrói uma hipérbole (exagero): "tão ganancioso que não passaria 24 horas numa ilha habitada sem meter a mão nos bolsos dos selvagens nus". O exagero serve para ridicularizar a ganância. A contradição está no detalhe: "selvagens nus" não têm bolsos. Essa impossibilidade material é o que torna a frase absurda e, portanto, irônica — o autor não está descrevendo um fato, mas zombando da avareza.

A técnica que decide: oração consecutiva × causal

A oração introduzida por "que" é uma oração subordinada adverbial consecutiva, pois expressa a consequência de uma intensidade ("tão ganancioso"). A estrutura típica é: tão + adjetivo + que + consequência. Veja o trecho:

"Ele é tão ganancioso que não passaria 24 horas numa ilha habitada sem meter a mão nos bolsos dos selvagens nus."

A conjunção "que" aqui não indica causa, mas consequência. Se fosse causal, poderíamos substituir por "porque" sem alterar o sentido — o que não ocorre. A banca adora confundir esses dois valores, mas a presença de "tão" antes do adjetivo é a pista decisiva: ela exige uma consequência.

A contradição lógica: o coração da ironia

A alternativa E aponta a contradição lógica no final: "selvagens nus" não têm bolsos. Essa impossibilidade é intencional — o autor exagera a ponto de criar um absurdo para ridicularizar a ganância. A ironia está exatamente nesse exagero impossível. Não é um erro do autor, mas um recurso expressivo.

Análise das alternativas

Oração "que" (tão... que)
  • 1Consecutiva (consequência)
  • 2Não é causal
  • 3Contradição lógica
    • Selvagens nus
    • Não têm bolsos
    • Efeito: ironia
  • 4Referência pronominal
    • "Ele" é anafórico
    • Não é catafórico
  • 5Abreviatura de horas
    • "24h" (sem ponto)
    • Não "24 horas"
  • 6Alcance da crítica
    • Indivíduo ganancioso
    • Não políticos em geral
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A oração introduzida por "que" não tem valor de causa, mas de consequência. A estrutura "tão... que" é clássica de oração consecutiva. Se fosse causal, a frase diria "porque é ganancioso, não passaria..." — o que não é o caso. A banca tenta confundir os dois valores, mas a presença de "tão" é a pista decisiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A abreviatura de horas está incorreta: o correto é "24h" (sem ponto e sem espaço), e não "24 horas" por extenso. A forma "24h" é a padrão, conforme o Sistema Internacional de Unidades. A alternativa afirma que está correta, o que é falso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pronome "Ele" refere-se a alguém já mencionado no discurso, não a alguém que aparecerá no futuro. A referência pronominal é anafórica (retoma algo dito antes), não catafórica. No texto, "Ele" aponta para o político ganancioso, que já foi citado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A crítica não se dirige aos políticos britânicos em geral, mas a um político específico, caracterizado como ganancioso. A frase é uma crítica individual, não coletiva. A alternativa extrapola o alcance da crítica, generalizando indevidamente.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Há, de fato, uma contradição lógica no final: "selvagens nus" não têm bolsos. Essa impossibilidade é intencional — o autor exagera a ponto de criar um absurdo para ridicularizar a ganância. A ironia está exatamente nesse exagero impossível. Não é um erro do autor, mas um recurso expressivo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre oração consecutiva e causal, e a tendência de extrapolar a crítica para todos os políticos britânicos.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "tão... que", lembre-se: é consecutiva. E desconfie de generalizações como "em geral" — o texto fala de um indivíduo.

Gabarito: letra E

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