Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2025
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Código
fg167749
Banca
FGV
Órgão
MPE RJ
Ano
2025
Cargo
Tec ( )
Assinale a opção que apresenta uma premissa seguida de uma conclusão.
AProvavelmente choveu durante a noite/ e as ruas amanheceram alagadas.
BOs preços nos supermercados estão muito altos / a população deve estar com dificuldades.
CO leite está há mais de meia hora no fogo / o leite derramou da panela no fogo.
DVocê nunca recuperará seus arquivos / seu PC está sem um antivírus.
EAlguma peça do meu carro está estragada / meu carro está fazendo muito barulho.
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GabaritoB — Os preços nos supermercados estão muito altos / a população deve estar com dificuldades.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Premissa e Conclusão: a lógica da argumentação
Gabarito: letra B. A única alternativa em que a primeira parte funciona como premissa (informação que sustenta) e a segunda como conclusão (o que se infere dela) é a B: "Os preços nos supermercados estão muito altos / a população deve estar com dificuldades". A relação é de causa e consequência lógica: o fato de os preços estarem altos autoriza a conclusão de que a população enfrenta dificuldades. Nas demais, ou a ordem está invertida (a conclusão vem antes), ou não há relação de sustentação lógica — apenas justaposição de fatos.
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você identifique a estrutura premissa → conclusão. Isso não é uma questão de gramática normativa, mas de lógica argumentativa: premissa é a informação que serve de base para se chegar a algo; conclusão é o que se depreende dessa base. A banca quer ver se você percebe a direção do raciocínio: a conclusão depende da premissa, e não o contrário.
A técnica: teste a dependência lógica
Para resolver, pergunte: "a segunda parte decorre da primeira?" Se sim, a primeira é premissa e a segunda, conclusão. Se a segunda parte é apenas um fato que acontece depois (ou antes) sem relação de sustentação, não há premissa e conclusão — há apenas sequência de eventos.
Análise das alternativas
Premissa → Conclusão: Premissa (Sustenta a conclusão, Vem antes (ordem direta)); Conclusão (Decorrente da premissa, Marcadores: "deve", "logo", "portanto"); Estruturas que NÃO configuram (Ordem invertida (conclusão antes), Justaposição de fatos (sem dependência))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz a estrutura de premissa-conclusão (ordem invertida). Em "Provavelmente choveu durante a noite / e as ruas amanheceram alagadas", a segunda parte é um fato observável (ruas alagadas), e a primeira é uma hipótese explicativa (choveu). A relação é de causa provável, mas a ordem está invertida: a conclusão (choveu) é apresentada antes, e a premissa (ruas alagadas) depois. Para ser premissa → conclusão, deveria ser: "As ruas amanheceram alagadas / provavelmente choveu durante a noite". A banca inverte a ordem para testar se você percebe a direção do raciocínio.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
É a única em que a segunda parte é uma conclusão lógica da primeira. A premissa é "Os preços nos supermercados estão muito altos"; a conclusão é "a população deve estar com dificuldades". O verbo "deve" marca claramente uma inferência: não é um fato constatado, mas uma dedução a partir da premissa. A relação é de sustentação: a alta de preços justifica a conclusão sobre as dificuldades da população. Não há inversão, nem justaposição — há uma cadeia lógica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: justaposição de fatos sem relação de sustentação. "O leite está há mais de meia hora no fogo / o leite derramou da panela no fogo" — as duas partes são fatos que podem estar relacionados temporalmente, mas a segunda não é uma conclusão da primeira: o leite derramar não é algo que se infere do tempo no fogo; é um evento que pode ter várias causas (fervura, panela pequena etc.). Não há um operador de inferência (como "deve", "provavelmente", "logo") e a relação é apenas de coocorrência, não de dependência lógica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: conclusão antes da premissa (ordem invertida). "Você nunca recuperará seus arquivos / seu PC está sem um antivírus" — a primeira parte é uma conclusão (nunca recuperará), e a segunda é a premissa (PC sem antivírus). A ordem correta seria: "Seu PC está sem um antivírus / você nunca recuperará seus arquivos". A banca inverte a estrutura para testar se você identifica qual parte sustenta a outra. Além disso, a relação é fraca (falta de antivírus não implica necessariamente perda de arquivos), mas o erro principal é a inversão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: justaposição de fatos sem relação de sustentação. "Alguma peça do meu carro está estragada / meu carro está fazendo muito barulho" — as duas partes são fatos que podem estar relacionados (peça estragada pode causar barulho), mas a segunda não é uma conclusão da primeira: é uma observação que pode ter várias causas. Não há um operador de inferência e a relação é de coocorrência, não de dependência lógica. Para ser premissa → conclusão, deveria haver um marcador como "logo" ou "portanto".
Conclusão
A questão testa a direção do raciocínio: premissa é o que sustenta, conclusão é o que decorre. A alternativa B é a única em que a segunda parte é uma inferência (marcada por "deve") a partir da primeira. As demais ou invertem a ordem (A, D) ou apenas justapõem fatos (C, E).
PEGA ESSA DICA!
Procure por marcadores de inferência ("deve", "provavelmente", "logo", "portanto") — eles indicam que a parte em que aparecem é a conclusão. Se a conclusão vier antes da premissa, a ordem está invertida.