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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — FGV 2025

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
fg167765
Banca
FGV
Órgão
PM TO
Ano
2025
Cargo
Cad ( )
Leia o texto a seguir, do filósofo Schopenhauer:   A abolição do latim como língua geral das pessoas cultas e a introdução da conversa pequeno-burguesa das literaturas nacionais em seu lugar têm sido, para as ciências na Europa, uma verdadeira desgraça.   Sobre a significação e a estruturação desse pensamento, assinale a afirmativa correta.Imagem associada para resolução da questão
  1. AO porquê de a abolição do latim como língua culta ser uma “desgraça” está explicado no texto.
  2. BO emprego do adjetivo “verdadeira” em “verdadeira desgraça” se justifica pela necessidade de indicar a verdade da afirmação feita.
  3. CO texto mostra certo desprezo pelas literaturas nacionais ao empregar o termo “conversa pequeno-burguesa”.
  4. DOs termos precedidos da preposição “de” – abolição do latim, introdução da conversa – mostram diferentes funções sintáticas.
  5. EO termo “para as ciências da Europa” indica onde o latim foi abolido como língua culta.
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GabaritoC — O texto mostra certo desprezo pelas literaturas nacionais ao empregar o termo “conversa pequeno-burguesa”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise do pensamento de Schopenhauer sobre o latim

Gabarito: letra C. A afirmativa correta é a que identifica o desprezo do autor pelas literaturas nacionais ao chamá-las de "conversa pequeno-burguesa". O texto de Schopenhauer não explica o porquê da "desgraça", não usa "verdadeira" para atestar a verdade literal, não diferencia funções sintáticas dos termos com "de" e não localiza geograficamente a abolição do latim. A alternativa C é a única que se sustenta integralmente no texto, pois a expressão "conversa pequeno-burguesa" carrega uma avaliação negativa (conotação pejorativa) que revela a postura do autor.

O comando pede que se assinale a afirmativa correta sobre a "significação e estruturação" do pensamento. Isso significa que devemos analisar tanto o sentido (o que o autor quis dizer) quanto a forma (como a frase está estruturada). A questão mistura interpretação de texto com análise gramatical, mas a chave está em perceber que a resposta correta depende da leitura crítica da escolha vocabular do autor.

O texto é um período único, em que Schopenhauer afirma que a substituição do latim pelas línguas nacionais foi "uma verdadeira desgraça" para as ciências. O movimento argumentativo é de avaliação negativa: o autor não apenas constata um fato histórico, mas o qualifica de forma depreciativa. A expressão "conversa pequeno-burguesa" é o coração da questão: ao usar "conversa" (em vez de "literatura" ou "cultura") e "pequeno-burguesa" (em vez de "nacional" ou "popular"), o autor rebaixa o valor das literaturas nacionais, tratando-as como algo menor, sem a dignidade do latim.

A técnica para resolver é a análise da conotação: palavras e expressões podem ter sentido literal (denotação) ou figurado/valorativo (conotação). "Conversa pequeno-burguesa" não é uma descrição neutra; é uma metáfora avaliativa que expressa o desprezo do autor. A banca explora exatamente essa capacidade de o candidato perceber o tom do texto, não apenas o conteúdo informativo.

O gancho para separar as alternativas é perguntar: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa C é autorizada diretamente pela escolha lexical do autor; as demais ou extrapolam (A, E), ou interpretam literalmente um recurso expressivo (B), ou impõem uma análise sintática que o texto não sustenta (D).

Análise do texto de Schopenhauer
  • 1Sentido (o que o autor diz)
    • Abolição do latim = "verdadeira desgraça"
    • Desprezo pelas literaturas nacionais
      • "conversa" (rebaixa)
      • "pequeno-burguesa" (pejorativo)
  • 2Estrutura (como a frase é feita)
    • "abolição do latim" → complemento nominal
    • "introdução da conversa" → complemento nominal
    • "para as ciências" → âmbito/beneficiário
  • 3Armadilhas das alternativas
    • Extrapolar explicação que não há
    • Ler literalmente recurso expressivo
    • Impor análise sintática falsa
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que "o porquê de a abolição do latim como língua culta ser uma 'desgraça' está explicado no texto". Isso é uma extrapolação. O texto apenas afirma que foi uma desgraça, mas não apresenta nenhuma justificativa para essa avaliação. Não há no período uma oração que explique por que a abolição foi prejudicial. O autor constata e qualifica, mas não argumenta. A alternativa acrescenta uma informação (a explicação) que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que o adjetivo "verdadeira" se justifica "pela necessidade de indicar a verdade da afirmação feita". Isso é um erro de interpretação do recurso expressivo. No texto, "verdadeira desgraça" não significa "desgraça que é verdadeira" (sentido literal), mas sim "desgraça de fato", "desgraça autêntica", "grande desgraça". O adjetivo funciona como um intensificador (equivalente a "autêntica", "real", "de verdade"), e não como um atestado de veracidade. A banca explora a confusão entre o sentido denotativo (verdadeiro = que corresponde à verdade) e o sentido conotativo (verdadeiro = autêntico, intenso).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa diz que "o texto mostra certo desprezo pelas literaturas nacionais ao empregar o termo 'conversa pequeno-burguesa'". Isso é exatamente o que o texto faz. A expressão "conversa pequeno-burguesa" é uma avaliação pejorativa:

"a introdução da conversa pequeno-burguesa das literaturas nacionais em seu lugar"

O termo "conversa" rebaixa a literatura a algo informal, sem valor; "pequeno-burguesa" a associa a uma classe social que o autor (Schopenhauer, um filósofo erudito) claramente despreza. A escolha vocabular revela a atitude do autor: ele não diz "literaturas nacionais" de forma neutra, mas as qualifica negativamente. A alternativa está ancorada na conotação da expressão, que é a chave da questão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que "os termos precedidos da preposição 'de' – abolição do latim, introdução da conversa – mostram diferentes funções sintáticas". Isso é uma afirmação falsa (contradiz o texto/estrutura). Nos dois casos, a estrutura é a mesma: um substantivo abstrato (abolição, introdução) seguido de um complemento nominal introduzido por "de". Em "abolição do latim", "do latim" é complemento nominal (o latim é o objeto da abolição); em "introdução da conversa", "da conversa" também é complemento nominal (a conversa é o objeto da introdução). As funções são idênticas, não diferentes. A alternativa tenta confundir o candidato com uma análise sintática que não procede.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que "o termo 'para as ciências da Europa' indica onde o latim foi abolido como língua culta". Isso é uma extrapolação e uma troca de sentido. No texto, "para as ciências na Europa" indica o âmbito ou a esfera em que a mudança foi prejudicial (as ciências), não o lugar onde o latim foi abolido. O latim não foi abolido "para as ciências"; ele foi abolido como língua geral, e isso foi prejudicial para as ciências. A preposição "para" aqui tem valor de finalidade/beneficiário (foi uma desgraça para as ciências), não de lugar. A alternativa distorce o sentido do termo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que "explicam" o que o texto apenas afirma (extrapolação) e de alternativas que leem literalmente o que é expressivo (conotação). A resposta correta quase sempre está na escolha vocabular do autor, não no conteúdo informativo.

Gabarito: letra C — a única que se ancora na conotação pejorativa de "conversa pequeno-burguesa", revelando o desprezo do autor pelas literaturas nacionais.

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