Observe o seguinte texto. Entre as frases a seguir, assinale aquela em que a expressão “é que” está empregada não como elemento enfático, mas como participante da estrutura sintática da frase.
AÉ o uniforme que faz esquecer aquele que o veste.
BO hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras.
CUm dos riscos de escrever máximas é que nos colocamos na condição de sermos citados.
DQuanto é que custam as coisas a que estamos sentimentalmente ligados?
EPara o corpo doente é que é necessário um médico.
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GabaritoC — Um dos riscos de escrever máximas é que nos colocamos na condição de sermos citados.
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O "é que" entre o realce e a estrutura sintática
Gabarito: letra C. A única frase em que "é que" não funciona como partícula expletiva (mero realce) é a C: em "Um dos riscos de escrever máximas é que nos colocamos na condição de sermos citados", o "que" é conjunção integrante — introduz uma oração que funciona como predicativo do sujeito e é indispensável à estrutura. Nas demais, "é que" pode ser retirado sem prejuízo sintático ou semântico, o que caracteriza a partícula de realce.
O comando: distinguir realce de função sintática
A questão pede que você identifique a frase em que "é que" não é enfático, ou seja, em que o "que" participa da estrutura sintática — não pode ser removido sem que a frase fique incompleta ou mude de sentido. Isso exige reconhecer duas funções distintas do vocábulo "que":
Partícula expletiva (de realce): serve apenas para dar ênfase a um termo. Se retirada, a frase continua gramatical e semanticamente íntegra. Ex.: "Eu que não vou aquela festa" → "Eu não vou aquela festa".
Conjunção integrante: introduz uma oração subordinada substantiva (sujeito, objeto, predicativo etc.). É essencial — sem ela, a oração perde a função sintática e a frase fica truncada. Ex.: "André disse que será aprovado" → "André disse" (incompleto).
A pegadinha da banca está em fazer você confundir o "é que" enfático (muito comum na fala) com o "é que" que integra a estrutura. O teste decisivo é retirar o "que": se a frase continuar fazendo sentido, é expletiva; se quebrar, é integrante.
A técnica que resolve
Aplique o teste da remoção em cada alternativa:
A) "É o uniforme que faz esquecer aquele que o veste" → "É o uniforme faz esquecer aquele que o veste" (agramatical? Não, mas perde o realce; o "que" é expletivo, pois a estrutura "É o uniforme [que] faz..." é uma clivagem enfática).
B) "O hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras" → "O hábito torna suportáveis até as coisas assustadoras" (perfeito, sem "é que"). Expletivo.
C) "Um dos riscos de escrever máximas é que nos colocamos na condição de sermos citados" → "Um dos riscos de escrever máximas é nos colocamos na condição de sermos citados" (quebrado! O "que" é conjunção integrante, introduzindo o predicativo do sujeito).
D) "Quanto é que custam as coisas a que estamos sentimentalmente ligados?" → "Quanto custam as coisas a que estamos sentimentalmente ligados?" (perfeito). Expletivo.
E) "Para o corpo doente é que é necessário um médico" → "Para o corpo doente é necessário um médico" (perfeito). Expletivo.
A única que não sobrevive à remoção é a C.
Análise das alternativas
"É que"
1Partícula expletiva (realce)
Pode ser retirado sem prejuízo
Ex.: "O hábito é que torna..."
2Conjunção integrante
Essencial à estrutura
Introduz oração subordinada substantiva
Ex.: "O risco é que nos colocamos..."
3Teste decisivo
Retirar o "que"
Frase íntegra → expletiva
Frase quebrada → integrante
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"É o uniforme que faz esquecer aquele que o veste."
Aqui, "é que" é partícula expletiva — dá ênfase ao sujeito "o uniforme". Retirando: "O uniforme faz esquecer aquele que o veste" — a frase permanece íntegra. O "que" não exerce função sintática; é mero realce. Erro: confundir realce com função estrutural.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O hábito é que torna suportáveis até as coisas assustadoras."
Mesmo caso: "O hábito torna suportáveis até as coisas assustadoras" — perfeito sem o "é que". O "que" é expletivo, enfatizando "o hábito". Erro: não aplicar o teste da remoção.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Um dos riscos de escrever máximas é que nos colocamos na condição de sermos citados."
Aqui, "é" é verbo de ligação e "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva predicativa "que nos colocamos na condição de sermos citados". Sem o "que", a frase fica agramatical: "Um dos riscos de escrever máximas é nos colocamos...". O "que" é indispensável — participa da estrutura sintática. É a única que atende ao comando.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Quanto é que custam as coisas a que estamos sentimentalmente ligados?"
"Quanto é que custam" → "Quanto custam" — a pergunta permanece íntegra. O "é que" é expletivo, reforçando a interrogação. Erro: tratar interrogação enfática como estrutura obrigatória.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Para o corpo doente é que é necessário um médico."
"Para o corpo doente é necessário um médico" — perfeito. O "é que" realça o adjunto adverbial "para o corpo doente". Erro: confundir ênfase com função sintática.
Conclusão
A questão testa a distinção entre partícula expletiva e conjunção integrante. A regra de ouro: se o "que" pode ser retirado sem prejuízo, é expletivo; se não pode, é integrante. Aplicando isso, apenas a C apresenta "é que" como parte da estrutura sintática.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar "é que", faça o teste da remoção mental. Se a frase continuar clara e gramatical, é realce; se quebrar, é função sintática. Isso resolve a maioria das questões sobre o "que".