Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167778
Banca
FGV
Órgão
PM TO
Ano
2025
Cargo
Sold ( )
Observe o seguinte texto de uma crônica de Stanislaw Ponte- Preta. “Até que eu não sou de reclamar, puxa! Taí, se há alguém que não é de reclamar, sou eu. Pago sempre e não bufo. Claro que procuro me defender da melhor maneira possível, isto é, chateando o patrão, cobrando cada vez mais, buscando o impossível —como diz Tia Zulmira —, ou seja, equilíbrio orçamentário. Se o Banco do Brasil não tem equilíbrio orçamentário, eu é que vou ter, é ou não é?” Assinale a opção que indica a ideia de “escrever bem” no pensamento desse autor:
ARespeitar a norma culta da língua portuguesa, pois só assim a mensagem a ser passada seria bem compreendida pelos leitores.
BObedecer às normas do idioma, mas dar espaço a alguns regionalismos, dado ser o tema do livro localizado no interior do Rio de Janeiro.
CUtilizar uma linguagem popular, marcada sobretudo pela seleção de vocábulos da gíria.
DUsar a língua portuguesa de forma criativa, de forma a criar impactos positivos entre os leitores.
EEmpregar formas gramaticalmente erradas de linguagem em função dos temas tratados nas crônicas desse escritor.
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GabaritoC — Utilizar uma linguagem popular, marcada sobretudo pela seleção de vocábulos da gíria.
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A concepção de "escrever bem" na crônica de Stanislaw Ponte-Preta
Gabarito: letra C. O autor entende "escrever bem" como utilizar uma linguagem popular, marcada sobretudo pela seleção de vocábulos da gíria — e isso se prova no próprio texto, que é escrito em registro coloquial, com expressões como "puxa!", "Taí", "não bufo" e "chateando o patrão". A alternativa C é a única que descreve o estilo do autor sem julgá-lo como certo ou errado, limitando-se a caracterizar a linguagem empregada.
O comando pede que se infira a ideia de "escrever bem" para o autor — não que se aplique uma norma gramatical externa. Trata-se de uma questão de interpretação: a resposta não está literal, mas é deduzida das pistas estilísticas do texto. O trecho é uma crônica de Stanislaw Ponte-Preta, escritor conhecido por retratar o cotidiano com humor e linguagem popular. A fala do narrador — "Pago sempre e não bufo", "chateando o patrão", "buscando o impossível" — é repleta de coloquialismos e gírias, o que revela a preferência do autor por uma escrita próxima da fala do povo.
A técnica decisiva aqui é distinguir descrição de juízo de valor. As alternativas A, B, D e E fazem afirmações sobre o que seria "bom" ou "errado" na língua, mas o texto não discute isso: ele simplesmente exemplifica um estilo. A única opção que se limita a caracterizar a linguagem usada, sem impor um padrão externo, é a C. As demais ou extrapolam (A, B, D) ou contradizem o texto ao atribuir ao autor uma defesa do erro gramatical (E).
"Até que eu não sou de reclamar, puxa! Taí, se há alguém que não é de reclamar, sou eu. Pago sempre e não bufo."
A passagem mostra o registro coloquial: interjeição "puxa!", forma reduzida "Taí", expressão "não bufo" (gíria para "não reclamo"). Não há nenhuma preocupação com a norma culta — pelo contrário, o autor escolhe essas palavras para criar um efeito de proximidade e humor. Isso autoriza a inferência de que, para ele, escrever bem é usar a língua de forma viva e popular.
"Escrever bem" para Stanislaw: Linguagem popular (Gírias: "puxa!", "Taí", "não bufo", Coloquialismo: "chateando o patrão"); Sem juízo de valor (Caracteriza o estilo, Não impõe norma externa); Efeito de proximidade e humor
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona norma culta nem preocupação com a compreensão dos leitores. A alternativa acrescenta uma ideia de fora (a necessidade de respeitar a norma culta) que não está em nenhuma passagem. O autor escreve de forma coloquial, o que contraria a defesa da norma culta como ideal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação e restrição. A alternativa fala em "obedecer às normas do idioma" e "dar espaço a alguns regionalismos", mas o texto não trata de regionalismos nem de localização no interior do Rio. Além disso, o autor não demonstra obediência à norma — ele a subverte com gírias. A menção a "interior do Rio de Janeiro" é informação externa ao texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque descreve com precisão o estilo do autor. O texto é escrito em linguagem popular, com vocábulos da gíria: "puxa!", "Taí", "não bufo", "chateando o patrão". A alternativa não faz juízo de valor — apenas caracteriza a linguagem, o que corresponde exatamente ao que se observa. É a única que se limita ao que o texto mostra.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação com opinião embutida. A alternativa fala em "usar a língua de forma criativa" e "criar impactos positivos", mas o texto não discute criatividade nem impacto. O autor não afirma que escreve de forma criativa; ele apenas escreve. A ideia de "impactos positivos" é um julgamento de valor que não está no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o autor emprega "formas gramaticalmente erradas" em função dos temas. O texto usa coloquialismos, mas isso não significa que o autor defenda o erro — ele apenas escreve em registro popular. Além disso, a alternativa generaliza ao dizer "formas gramaticalmente erradas", o que não se sustenta: muitas expressões são aceitáveis na modalidade oral. O autor não está "errando" de propósito; está escolhendo um estilo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta atrair o candidato para a alternativa E, que confunde registro coloquial com erro gramatical. Lembre-se: coloquialismo não é erro — é uma variedade linguística. O autor não defende o erro; ele usa a língua de forma expressiva.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação, desconfie de alternativas que fazem juízo de valor ("certo", "errado", "bom", "impacto") quando o texto apenas descreve um estilo. A resposta correta costuma ser a que caracteriza sem avaliar.
Conclusão: a questão testa a capacidade de inferir a concepção de escrita do autor a partir do estilo do texto. A alternativa C é a única que descreve fielmente a linguagem popular e cheia de gírias de Stanislaw Ponte-Preta, sem acrescentar julgamentos externos. As demais ou extrapolam, ou contradizem o texto. Gabarito: letra C.