Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167783
Banca
FGV
Órgão
PM TO
Ano
2025
Cargo
Sold ( )
Nosso escritor Afrânio Peixoto escreveu:
Oh exames! – tortura bárbara que o humanismo medieval adotou, legada às idades modernas como o remanescente de uma inquisição sem apelo, exames, vós nos tirastes o encanto da adolescência com as apreensões das notas, a emoção dolorida, ainda nos triunfos, a mágoa suicida do amor-próprio aos erros em público, a injustiça sempre relativa das aprovações que jamais contentam, enfim, esse pré-suplício do inferno, que serão as reprovações...
Assinale a opção que apresenta a afirmação adequada sobre o texto acima.
AOs exames são comparados a uma “inquisição sem apelo” pelo sofrimento que provocam.
BO enunciador do texto fala como adolescente de hoje, que continua enfrentando exames.
CAs duas ocorrências do termo “exames” mostram significados diferentes no texto.
DAs reclamações contra os exames têm sua justificativa em função de problemas práticos por eles criados.
EA expressão “pré-suplício” do inferno se refere ao sofrimento que ocorre antes da realização dos exames.
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GabaritoA — Os exames são comparados a uma “inquisição sem apelo” pelo sofrimento que provocam.
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Comparação entre exames e inquisição no texto de Afrânio Peixoto
Gabarito: letra A. A alternativa correta afirma que os exames são comparados a uma “inquisição sem apelo” pelo sofrimento que provocam. Essa leitura é autorizada diretamente pelo texto, que classifica os exames como “tortura bárbara” e os associa a “remanescente de uma inquisição sem apelo”, deixando explícita a relação de causa e efeito entre o sofrimento e a comparação. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que está escrito, ou trocam o sentido de expressões cruciais.
O comando pede que se assinale a afirmação adequada sobre o texto — ou seja, uma questão de compreensão/interpretação em que a resposta deve estar ancorada no que o autor escreveu, sem acréscimos externos. A banca não pede uma inferência complexa, mas a identificação da paráfrase correta de uma ideia central: a comparação entre exames e inquisição, motivada pelo sofrimento.
O texto é um lamento sobre os exames, vistos como herança medieval que tira o encanto da adolescência. O autor enumera os males: apreensões com notas, emoção dolorida, mágoa do amor-próprio, injustiça das aprovações e o “pré-suplício do inferno” das reprovações. A tese é clara: os exames são uma tortura que causa sofrimento. A comparação com a inquisição não é gratuita — ela serve para dimensionar esse sofrimento, como se vê na passagem:
“tortura bárbara que o humanismo medieval adotou, legada às idades modernas como o remanescente de uma inquisição sem apelo”
Aqui, o autor compara os exames a uma tortura e a um remanescente da inquisição. A palavra “tortura” já carrega o sentido de sofrimento, e a expressão “inquisição sem apelo” reforça a ideia de um castigo sem possibilidade de recurso. A alternativa A capta exatamente isso: a comparação existe pelo sofrimento que os exames provocam.
A técnica para resolver esta questão é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta é uma paráfrase fiel de uma ideia explícita. As erradas, como veremos, ou extrapolam (inventam informações), ou contradizem o texto, ou trocam o sentido de expressões cruciais.
Exames (texto de Afrânio Peixoto)
1Comparação central
Tortura bárbara
Remanescente de inquisição sem apelo
2Sofrimentos causados
Apreensões com notas
Emoção dolorida
Mágoa do amor-próprio
Injustiça das aprovações
Pré-suplício do inferno (reprovações)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que os exames são comparados a uma “inquisição sem apelo” pelo sofrimento que provocam. Isso está explícito no texto:
“Oh exames! – tortura bárbara que o humanismo medieval adotou, legada às idades modernas como o remanescente de uma inquisição sem apelo”
A palavra “tortura” já indica sofrimento, e a expressão “inquisição sem apelo” reforça a ideia de um castigo sem possibilidade de recurso. O autor não apenas compara, mas justifica a comparação pelo sofrimento que os exames causam, como se vê na sequência: “vós nos tirastes o encanto da adolescência com as apreensões das notas, a emoção dolorida, ainda nos triunfos, a mágoa suicida do amor-próprio aos erros em público”. Tudo isso é sofrimento. Portanto, a alternativa A é uma paráfrase correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o enunciador fala como adolescente de hoje, que continua enfrentando exames. Isso é um anacronismo e uma extrapolação. O texto foi escrito por Afrânio Peixoto, um escritor do início do século XX, e o autor fala de sua própria experiência, no passado: “vós nos tirastes o encanto da adolescência”. O verbo “tirastes” está no pretérito, indicando que a ação já ocorreu. Não há nenhuma indicação de que o enunciador seja um adolescente atual. A alternativa extrapola o texto, acrescentando uma informação que não está nele.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as duas ocorrências do termo “exames” mostram significados diferentes. No texto, a palavra “exames” aparece duas vezes: “Oh exames!” e “exames, vós nos tirastes”. Nas duas ocorrências, o termo se refere à mesma coisa: as provas escolares. Não há mudança de sentido. A alternativa contradiz o texto, pois não há base para afirmar que os significados são diferentes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as reclamações contra os exames têm justificativa em problemas práticos por eles criados. O texto, porém, não fala de problemas práticos (como falta de tempo, dificuldade de organização, etc.). Ele fala de sofrimento emocional: “apreensões das notas, a emoção dolorida, a mágoa suicida do amor-próprio aos erros em público”. A alternativa extrapola o texto, pois inventa uma justificativa que não está nele.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a expressão “pré-suplício” do inferno se refere ao sofrimento que ocorre antes da realização dos exames. Isso é uma troca de sentido. No texto, “pré-suplício do inferno” é uma metáfora para as reprovações: “esse pré-suplício do inferno, que serão as reprovações”. Ou seja, as reprovações são um “pré-suplício” porque antecedem o “suplício” (o inferno), mas não porque ocorrem antes dos exames. A alternativa troca o referente da expressão, atribuindo-lhe um sentido literal que não é o do texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o sentido figurado de “pré-suplício” (que se refere às reprovações) e o sentido literal de “antes da realização dos exames”. Fique atento ao referente da expressão.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de compreensão, grife as palavras que indicam comparação (como, tal qual, assim como) e as que indicam causa (porque, pois, pelo). A alternativa correta geralmente é a que mantém a mesma relação de sentido.