Assinale a frase a seguir que deveria apresentar uma vírgula na escrita.
AÉ o cargo que permite conhecer o homem.
BAté mesmo os poderosos podem precisar dos fracos.
COs humildes sofrem quando os poderosos combatem entre si.
DQuem toma conta da bolsa tem o poder.
EOnde existem muitos para comandar nasce a confusão.
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GabaritoE — Onde existem muitos para comandar nasce a confusão.
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Vírgula obrigatória em oração adverbial anteposta
Gabarito: letra E. A única frase que deveria apresentar uma vírgula na escrita é a E, pois nela há uma oração subordinada adverbial anteposta — "Onde existem muitos para comandar" — que, por estar deslocada (antes da oração principal), exige vírgula para separá-la do restante do período. Nas demais alternativas, a vírgula seria proibida (entre sujeito e verbo) ou facultativa (adjunto adverbial curto), portanto não há obrigatoriedade.
O comando
A questão pede que você identifique a frase em que a vírgula é obrigatória — ou seja, aquela em que a ausência do sinal configura erro de pontuação. Não se trata de escolher onde a vírgula "ficaria bem" ou "poderia ser usada", mas de reconhecer a estrutura sintática que exige o sinal. Esse é o ponto central: a vírgula não é questão de gosto ou de pausa respiratória; ela marca funções sintáticas.
A técnica que decide
A regra que resolve a questão é a seguinte: orações subordinadas adverbiais deslocadas (antepostas à oração principal) devem ser separadas por vírgula. Quando a oração adverbial vem depois da principal, a vírgula é facultativa; quando vem antes, é obrigatória. Veja o caso da letra E:
"Onde existem muitos para comandar nasce a confusão."
A oração "Onde existem muitos para comandar" é uma oração subordinada adverbial (de lugar, introduzida pelo pronome relativo "onde" com valor adverbial). Ela está anteposta à oração principal "nasce a confusão". Por isso, a vírgula é obrigatória: a forma correta é "Onde existem muitos para comandar, nasce a confusão."
Nas demais alternativas, a vírgula não é obrigatória:
A e D: a vírgula seria proibida, pois separaria o sujeito do verbo ("É o cargo que permite..." — sujeito "o cargo" e verbo "permite"; "Quem toma conta da bolsa tem o poder" — sujeito "Quem toma conta da bolsa" e verbo "tem").
B e C: a vírgula seria facultativa, pois há adjuntos adverbiais curtos antepostos ("Até mesmo os poderosos" e "Os humildes"), e a norma considera facultativa a vírgula para adjuntos adverbiais curtos deslocados.
Vírgula em oração adverbial: Anteposta (antes da principal) (Obrigatória); Posposta (depois da principal) (Facultativa); Adjunto adverbial curto anteposto (Facultativa); Entre sujeito e verbo (Proibida)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"É o cargo que permite conhecer o homem."
Aqui, a vírgula seria proibida, pois separaria o sujeito ("o cargo") do verbo ("permite"). A estrutura é uma oração principal com sujeito posposto: "É o cargo que permite..." — o sujeito é "o cargo", e o verbo é "permite". Não há qualquer termo deslocado que exija vírgula. A banca tenta atrair o candidato com a ideia de que "cargo" poderia ser um aposto, mas não é: é o núcleo do sujeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Até mesmo os poderosos podem precisar dos fracos."
A expressão "Até mesmo os poderosos" funciona como adjunto adverbial de inclusão anteposto. Por ser um adjunto curto (três palavras), a vírgula é facultativa — não obrigatória. A frase está correta sem vírgula, e a vírgula só seria usada se o autor quisesse dar ênfase. Portanto, não é a resposta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Os humildes sofrem quando os poderosos combatem entre si."
Aqui, a oração adverbial "quando os poderosos combatem entre si" está posposta à oração principal "Os humildes sofrem". Nesse caso, a vírgula é facultativa — não obrigatória. A frase está correta sem vírgula, e a vírgula só seria usada se o autor quisesse dar ênfase. Portanto, não é a resposta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Quem toma conta da bolsa tem o poder."
A oração "Quem toma conta da bolsa" é o sujeito do verbo "tem". A vírgula seria proibida, pois separaria o sujeito do verbo. Não há termo deslocado que exija vírgula. A banca tenta atrair o candidato com a ideia de que "quem" poderia ser um pronome relativo com valor adverbial, mas aqui ele introduz uma oração substantiva subjetiva, que funciona como sujeito.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Onde existem muitos para comandar nasce a confusão."
A oração "Onde existem muitos para comandar" é uma oração subordinada adverbial (de lugar) anteposta à oração principal "nasce a confusão". A vírgula é obrigatória para separar a oração adverbial deslocada. A forma correta é: "Onde existem muitos para comandar, nasce a confusão." Essa é a única frase em que a ausência da vírgula configura erro de pontuação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre vírgula obrigatória e facultativa. Em B e C, a vírgula seria facultativa (adjunto adverbial curto ou oração posposta); em A e D, seria proibida (entre sujeito e verbo). A única com vírgula obrigatória é a E, por ter oração adverbial anteposta.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver uma oração adverbial no início da frase, pergunte: ela está antes da principal? Se sim, a vírgula é obrigatória. Se estiver depois, é facultativa. E desconfie de qualquer alternativa que separe sujeito de verbo — isso é sempre proibido.