Nas frases abaixo há distintos sinais gráficos. Assinale a frase em que a função de um desses sinais está corretamente identificada.
AExistem cordas ... no coração humano, que de preferência não deveriam ser vibradas. / reticências: marcar suspensões provocadas por hesitação.
BA paixão – que coisa incômoda! / travessão: separar orações, com destaque para a última.
CEntrai na bolsa de Londres (...) Lá o judeu, o maometano e o cristão tratam-se reciprocamente como se fossem da mesma religião. / pontos suspensivos: indicação de tempo passando.
DO luxo... (que eu definiria como “o amor imoderado e o uso das comodidades supérfluas e pomposas”) corrompe igualmente todas as classes diversas numa nação. / parênteses: dar o significado de palavras anteriores.
EO primeiro que, depois de ter cercado um terreno, teve a ideia de dizer “Isto me pertence” foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. / aspas: transcrição de uma citação célebre.
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GabaritoA — Existem cordas ... no coração humano, que de preferência não deveriam ser vibradas. / reticências: marcar suspensões provocadas por hesitação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Função dos sinais gráficos: reticências, travessão, parênteses e aspas
Gabarito: letra A. A única frase em que a função do sinal está corretamente identificada é a A: as reticências em "Existem cordas ... no coração humano" marcam uma suspensão — o pensamento é interrompido antes de completar a ideia, como se o autor hesitasse ou deixasse o leitor preencher o vazio. As demais alternativas atribuem aos sinais funções que eles não exercem naquele contexto — a pegadinha clássica é trocar a função real por uma genérica ou inventada.
O comando
A questão pede que você assinale a frase em que a função de um dos sinais está corretamente identificada. Isso é uma tarefa de compreensão de regra aplicada ao contexto: não basta saber o que reticências, travessão, parênteses e aspas podem fazer em geral; é preciso verificar se a função descrita na alternativa corresponde ao uso real naquela frase específica. A banca mistura sinais e funções para testar se você conhece o valor de cada um no uso concreto.
O texto e a técnica
Cada alternativa apresenta uma frase com um sinal gráfico e uma descrição de sua função. A técnica é: leia a frase, identifique o sinal, pergunte-se "o que ele está fazendo aqui?" e compare com a descrição. Se a descrição não bater com o uso real, a alternativa está errada — mesmo que a função descrita seja uma função possível do sinal em outro contexto.
A armadilha central
A banca explora a troca de função: apresenta um sinal e descreve uma função que ele não exerce naquele trecho, mas que poderia exercer em outro contexto. Por isso, a leitura atenta do contexto é indispensável. Vejamos cada alternativa.
Sinais gráficos: Reticências (Suspensão/hesitação, Omissão de trecho); Travessão (Isola termo intercalado, Não separa orações); Parênteses (Intercala comentário acessório, Não define palavra anterior); Aspas (Discurso direto, Não é citação célebre)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Na frase "Existem cordas ... no coração humano, que de preferência não deveriam ser vibradas", as reticências interrompem o pensamento antes de completar a ideia. O autor deixa a frase em suspenso, como se hesitasse ou como se o leitor devesse preencher o vazio. Essa é exatamente a função de marcar suspensões provocadas por hesitação — a descrição da alternativa A está correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Na frase "A paixão – que coisa incômoda!", o travessão não separa orações; ele isola uma expressão interjetiva ("que coisa incômoda!") que funciona como um comentário exclamativo. O travessão, aqui, tem função de destacar um termo intercalado, não de separar orações coordenadas ou subordinadas. A descrição "separar orações, com destaque para a última" é imprecisa — não há duas orações; há uma oração principal e uma interjeição.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Na frase "Entrai na bolsa de Londres (...) Lá o judeu, o maometano e o cristão tratam-se reciprocamente como se fossem da mesma religião", os pontos suspensivos (reticências) não indicam tempo passando; eles indicam omissão de um trecho (supressão de parte do texto original). A função de reticências é marcar suspensão ou interrupção, não "tempo passando". A descrição é inventada — não há qualquer relação com o uso real do sinal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Na frase "O luxo... (que eu definiria como 'o amor imoderado e o uso das comodidades supérfluas e pomposas') corrompe igualmente todas as classes diversas numa nação", os parênteses não dão o significado de palavras anteriores; eles isolam uma explicação ou comentário do autor. A função de parênteses é intercalar uma informação acessória, que pode ser retirada sem prejuízo do sentido. A descrição "dar o significado de palavras anteriores" é imprecisa — o parêntese não define a palavra "luxo", apenas acrescenta uma observação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Na frase "O primeiro que, depois de ter cercado um terreno, teve a ideia de dizer 'Isto me pertence' foi o verdadeiro fundador da sociedade civil", as aspas não transcrevem uma citação célebre; elas destacam uma fala (discurso direto) — a expressão "Isto me pertence" é uma fala atribuída a um personagem hipotético, não uma citação de autor famoso. A função de aspas é marcar citação literal, gíria, ironia, estrangeirismo etc., mas aqui o uso é de discurso direto, não de citação célebre. A descrição é equivocada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a função real do sinal por uma função genérica ou inventada. Em B, D e E, a função descrita é possível em outros contextos, mas não naquele trecho. Em C, a função é totalmente inventada.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de pontuação, pergunte-se sempre: "o que este sinal está fazendo nesta frase?" — não "o que este sinal pode fazer em geral?". A resposta certa é a que descreve o uso real no contexto.