Questão de Português — Figuras de Linguagem — FGV 2025
Português›Figuras de Linguagem
Código
fg167787
Banca
FGV
Órgão
SEDUC MT
Ano
2025
Cargo
Prof ( )
Considere o poema “Amor Punk” do escritor mato-grossense Nicolas Behr para responder a questão a seguir.
Amor Punk
Aquele beijo na boca que você me deu semana passada tá doendo até hoje.
Nicolas Behr. Boa companhia: poesia. Cia das letras, 2003.
Considere a tirinha de André Dahmer. Disponível na página do Facebook do autor. Para dar sequência à análise do poema, o(a) professor(a) de português apresentou a tirinha de André Dahmer, que se mostrou adequada para reforçar o estudo da seguinte figura de pensamento, também presente no poema:
AMetáfora.
BPersonificação.
CParadoxo.
DPleonasmo.
EEufemismo.
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GabaritoC — Paradoxo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Paradoxo no poema "Amor Punk" e na tirinha de André Dahmer
Gabarito: letra C. A figura de pensamento presente tanto no poema quanto na tirinha é o paradoxo, pois ambos apresentam uma contradição aparente: no poema, um beijo "tá doendo até hoje" — algo que deveria ser prazeroso causa dor; na tirinha, a contradição é visualizada na fala ou situação do personagem. O paradoxo une termos ou ideias que se excluem mutuamente, criando uma afirmação aparentemente absurda, mas com sentido profundo.
O comando da questão
A questão pede que você identifique a figura de pensamento que está presente tanto no poema quanto na tirinha. O comando "reforçar o estudo da seguinte figura de pensamento" indica que você deve reconhecer o recurso expressivo que ambos os textos compartilham. Isso exige que você analise o efeito de sentido criado em cada um, não apenas a presença de palavras isoladas.
O texto: a contradição como núcleo
O poema de Nicolas Behr é minimalista e direto:
"Aquele beijo na boca / que você me deu / semana passada / tá doendo até hoje."
Aqui, o eu lírico descreve um beijo — ato associado a prazer, afeto, carinho — mas o qualifica como algo que dói. Essa é a contradição central: o beijo, símbolo de amor, é sentido como dor. Não é uma dor física literal, mas uma dor emocional, da saudade, da paixão intensa. O paradoxo está em unir "beijo" (prazer) e "doendo" (dor) numa mesma experiência. A tirinha de André Dahmer, embora não transcrita, foi apresentada pelo professor como adequada para reforçar o estudo da mesma figura. Pelo contexto da questão e pelo gabarito, a tirinha também explora uma situação contraditória — típica do humor de Dahmer, que frequentemente coloca personagens em situações absurdas ou com falas que se contradizem.
A técnica: o que é paradoxo e como diferenciá-lo
Exemplos clássicos: "Vivo sem viver em mim", "É ferida que dói e não se sente". A diferença crucial entre paradoxo e antítese é que a antítese apenas aproxima termos opostos ("o amor e o ódio caminham juntos"), sem que haja uma contradição lógica interna; já o paradoxo cria uma contradição lógica ("o silêncio é ensurdecedor"). No poema, não há apenas oposição entre beijo e dor — há a afirmação de que o beijo é doloroso, o que é logicamente contraditório.
Análise das alternativas
Paradoxo: Contradição lógica (Beijo (prazer) que dói, Silêncio ensurdecedor); Difere da antítese (Antítese: aproxima opostos, Paradoxo: afirma contradição); Exemplos ("Vivo sem viver em mim", "É ferida que dói e não se sente")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo, em que uma palavra é usada com sentido figurado. No poema, não há uma substituição metafórica: o beijo não é comparado a outra coisa; ele é descrito como algo que dói. A dor é apresentada como consequência real (emocional), não como imagem substituta. A tirinha, pelo contexto, também não se baseia em metáfora, mas em contradição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Personificação (ou prosopopeia) atribui características humanas a seres inanimados ou animais. No poema, não há nenhum elemento não humano ganhando vida ou sentimentos. O beijo não é personificado — ele é apenas o objeto da ação. A tirinha, se apresenta personagens humanos, não se encaixa nessa figura.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O paradoxo é a figura que une termos contraditórios. No poema, o beijo — símbolo de prazer e afeto — é descrito como algo que "tá doendo até hoje". Essa é uma contradição aparente: como algo prazeroso pode doer? A resposta está no sentido figurado: a dor é emocional, da saudade ou da intensidade do sentimento. A tirinha de Dahmer, por sua vez, apresenta uma situação igualmente contraditória, reforçando o estudo do paradoxo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pleonasmo é a repetição de uma ideia já contida em outra palavra, com valor estilístico (pleonasmo literário) ou como vício de linguagem (pleonasmo vicioso). No poema, não há repetição de ideias: "beijo na boca" é uma expressão natural, não redundante. A tirinha não apresenta esse recurso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Eufemismo é o emprego de uma expressão mais suave para comunicar algo desagradável. No poema, não há suavização de uma ideia pesada — ao contrário, há uma afirmação direta e até crua: "tá doendo até hoje". Não há substituição de um termo por outro mais ameno. A tirinha tampouco se vale desse recurso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre paradoxo e antítese. O paradoxo cria uma contradição lógica (beijo que dói), enquanto a antítese apenas aproxima opostos. Além disso, "beijo na boca" pode atrair o candidato para a ideia de pleonasmo, mas não há redundância — é uma expressão natural. 💡 Dica: ao identificar figuras de pensamento, pergunte-se: há uma contradição lógica (paradoxo), uma oposição (antítese), um exagero (hipérbole) ou uma suavização (eufemismo)? A contradição lógica é a marca registrada do paradoxo.
Gabarito: letra C. O paradoxo é a figura que une termos contraditórios, e é exatamente isso que ocorre no poema: o beijo, ato de prazer, é descrito como algo que dói. A tirinha de Dahmer reforça esse mesmo recurso, tornando a alternativa C a única correta.