Questão de Português — Figuras de Linguagem — FGV 2025
- Código
- fg167795
- Banca
- FGV
- Órgão
- SEDUC MT
- Ano
- 2025
- Cargo
- Prof ( )

- Aantítese.
- Bsinestesia.
- Cpersonificação.
- Deufemismo.
- Ehipérbole.

GabaritoC — personificação.
Gabarito: letra C. A tirinha de Laerte constrói seu sentido, sobretudo, pela personificação (também chamada prosopopeia), figura que atribui características ou ações humanas a seres inanimados, animais ou entes abstratos. Na tirinha, um objeto ou elemento não humano (como um animal, uma planta ou um objeto do cotidiano) é representado com fala, sentimentos ou comportamentos típicos de gente — é exatamente esse recurso que gera o efeito de humor e a crítica da cartunista.
O enunciado pede que você identifique a figura de linguagem predominante na construção do sentido da tirinha. Isso é uma tarefa de interpretação de texto não verbal (ou verbo-visual): você precisa ler a imagem e o texto verbal (as falas dos balões) e reconhecer qual recurso expressivo é o principal — não apenas um que apareça de passagem. A banca quer que você domine as definições das figuras e saiba aplicá-las ao contexto.
Por exemplo, uma xícara que reclama, um gato que filosofa, uma planta que opina. Quando isso ocorre, a figura é a personificação — o recurso que humaniza o não humano. A resposta correta, portanto, é a que nomeia exatamente esse fenômeno.
Para acertar, você precisa distinguir as figuras com precisão:
Personificação (prosopopeia): atribui qualidades humanas a seres inanimados, animais ou entes abstratos. Ex.: "O relógio cansou de trabalhar" (o relógio não se cansa, mas o texto o trata como pessoa).
Antítese: aproxima palavras ou ideias de sentido oposto. Ex.: "O amor e o ódio caminham juntos".
Sinestesia: mistura sensações de sentidos diferentes. Ex.: "Um perfume doce e quente" (olfato + paladar + tato).
Eufemismo: suaviza uma ideia desagradável. Ex.: "Ele partiu cedo demais" (em vez de "morreu").
Hipérbole: exagero intencional. Ex.: "Morreu de rir".
Na tirinha, o que salta aos olhos é o tratamento humano dado a algo que não é humano — isso é a marca registrada da personificação. As demais figuras não se sustentam como recurso principal.
Antítese é a oposição de ideias (ex.: "vida e morte", "amor e ódio"). Na tirinha, pode até haver um contraste pontual, mas não é o recurso que estrutura o sentido — o efeito central vem da humanização de um elemento não humano. A banca tenta atrair o candidato que vê qualquer oposição e marca antítese, mas o texto não se organiza em torno de um par de opostos.
Sinestesia é a mistura de sensações de sentidos diferentes (visão, audição, tato, paladar, olfato). Ex.: "um som azul", "um perfume doce e quente". Não há, na tirinha, essa fusão sensorial — o recurso é outro. A sinestesia é rara em tirinhas e não aparece como elemento central aqui.
Personificação (ou prosopopeia) é a figura que atribui características humanas a seres inanimados, animais ou entes abstratos. Na tirinha, o elemento não humano fala, sente ou age como pessoa — é isso que gera o humor e a crítica. A definição bate exatamente com o que a tirinha faz: dar vida e voz a algo que não é humano. É o recurso predominante na construção do sentido.
Eufemismo é o abrandamento de uma expressão desagradável (ex.: "faltar com a verdade" em vez de "mentir"). Não há, na tirinha, nenhuma suavização de um termo pesado — o efeito não é atenuar, mas humanizar. A alternativa foge ao que o texto apresenta.
Hipérbole é o exagero intencional (ex.: "estou morto de fome"). A tirinha pode até conter um exagero pontual, mas não é o recurso que sustenta o sentido global — o exagero, se houver, é secundário diante da personificação. A banca usa a hipérbole como distrator porque é uma figura comum em tirinhas, mas aqui o efeito central é outro.
A banca explora a confusão entre personificação e antítese — se a tirinha tiver um contraste visual ou verbal, o candidato pode marcar antítese sem perceber que o recurso estruturante é a humanização do não humano. Fique atento ao efeito principal. 💡 Dica: ao identificar figuras em tirinhas, pergunte: o que o autor faz com o elemento não humano? Se ele fala, sente ou age como gente, é personificação. Só marque antítese se houver oposição explícita de ideias; sinestesia, se houver mistura de sentidos; eufemismo, se houver suavização; hipérbole, se houver exagero.
Gabarito: letra C.
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