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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167821
Banca
FGV
Órgão
FEMPAR
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Os erros continuam...

 

Já mais de uma vez, temos procurado apontar erros da imprensa, em textos da redação e de colaboradores, na esperança de vê-los desaparecer. Repetem-se com uma monotonia desanimadora. Já não falo da chamada crase, entregue aos cuidados de colegas. Quase ninguém mais sabe acentuar o a, se com acento agudo ou grave, ou mesmo sem nenhum acento. Nem querem saber, ao que parece. Saliente-se que os principais órgãos da imprensa têm editado uma espécie de manual de redação para o público interno, mas os resultados não têm correspondido à expectativa. Demais, é preciso contar com a contribuição dos colaboradores... Vou, pois, continuar malhando em ferro frio e a trazer mais algumas incorreções postas em letra de forma.

 

ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica.

Texto I

 

“Repetem-se com uma monotonia desanimadora. Já não falo da chamada crase, entregue aos cuidados de colegas.”

 

Nesse segmento do Texto I, a expressão chamada crase contém uma crítica. Assinale a opção que a apresenta.

  1. ATrata-se de um tema repetitivo.
  2. BNinguém sabe empregar a crase.
  3. CO assunto crase é muito debatido na imprensa.
  4. DO termo crase não deve ser empregado para designar o tipo de acento.
  5. EÉ impossível ensinar a crase sem que o aluno tenha um vasto conhecimento de língua.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O termo crase não deve ser empregado para designar o tipo de acento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A ironia em "chamada crase"

Gabarito: letra D. A expressão "chamada crase" contém uma crítica porque o autor, ao usar o adjetivo "chamada" (no sentido de "denominada"), ironiza o fato de muitos tratarem "crase" como se fosse o nome do acento grave, quando, na verdade, crase é o fenômeno da fusão de duas vogais idênticas (a preposição "a" + o artigo "a"). A crítica está em apontar que o termo "crase" não deve ser empregado para designar o tipo de acento, como se lê no trecho: "Já não falo da chamada crase, entregue aos cuidados de colegas." A ironia reside no distanciamento crítico do autor em relação ao uso corrente do termo.

O comando pede que se identifique a crítica contida na expressão "chamada crase". Isso exige uma inferência: não está dito explicitamente que "crase" é usado incorretamente, mas o contexto e o tom irônico permitem deduzir. O autor, ao longo do texto, critica os erros de português na imprensa, e ao mencionar a "chamada crase", ele se refere ao modo como muitos falam, como se crase fosse o acento. A ironia está em usar "chamada" para marcar que esse é um nome popular, mas não técnico.

O texto-base é um desabafo sobre os erros recorrentes na imprensa. O autor diz que "os erros continuam" e que "repetem-se com uma monotonia desanimadora". Nesse contexto, ele menciona a crase como um dos erros mais comuns: "Quase ninguém mais sabe acentuar o a, se com acento agudo ou grave, ou mesmo sem nenhum acento." A crítica, portanto, não é contra o ensino da crase, mas contra o uso equivocado do termo para designar o acento.

A técnica para resolver é perceber que "chamada" funciona como um marcador de ironia. Quando alguém diz "a chamada crase", está se referindo a algo que é assim chamado, mas que, na visão do autor, não deveria ser. A alternativa D capta exatamente essa crítica: o termo "crase" não deveria ser usado para designar o tipo de acento. As demais alternativas ou extrapolam, ou contradizem o texto, ou tangenciam o tema.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta atrair o candidato para alternativas que repetem o conteúdo literal (como "ninguém sabe empregar a crase") ou que generalizam ("tema repetitivo"), mas a crítica específica está no uso do termo "chamada".

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: tangenciar. O texto fala de erros que se repetem, mas a crítica contida em "chamada crase" não é sobre o tema ser repetitivo, e sim sobre o uso do termo. A alternativa A foge ao foco da pergunta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto diz "Quase ninguém mais sabe acentuar o a", ou seja, não afirma que ninguém sabe, mas que quase ninguém. Além disso, a crítica não é sobre o emprego da crase, mas sobre a denominação. A alternativa B generaliza e contradiz o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapola. O texto não diz que o assunto crase é muito debatido na imprensa; pelo contrário, sugere que é um erro recorrente, mas não que seja debatido. A alternativa C acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A crítica está em apontar que o termo "crase" é usado indevidamente para designar o acento. O autor ironiza ao dizer "chamada crase", pois crase é o fenômeno da fusão, não o acento. A alternativa D é a única que expressa essa crítica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapola. O texto não menciona nada sobre o ensino da crase ou sobre a necessidade de vasto conhecimento de língua. A alternativa E introduz uma ideia completamente alheia ao texto.

Conclusão: A questão exige perceber a ironia. A expressão "chamada crase" critica o uso do termo para designar o acento, e não o ensino ou a repetição do tema. Gabarito: letra D.

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