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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — FGV 2025

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
fg167826
Banca
FGV
Órgão
FEMPAR
Ano
2025
Cargo
Vest ( )

Inculta e Bela

 

Como todos sabemos, essa expressão saiu da pena de nosso aclamado príncipe dos poetas, Olavo Bilac, logo no primeiro verso do seu famoso soneto “A Língua Portuguesa.” Bela, sim, por que não? As vezes que primeiro ouvimos dos lábios de nossas mães ficam-nos no espírito como pura melodia. “Todos cantam sua terra / Também vou cantar a minha.” E esse canto encantado é música das palavras que nos afagaram no colo materno. Mas inculta? Como assim? O próprio poeta se desmente e contradiz ao se imortalizar no mesmo idioma em que Camões se irmanou ao gênio de Virgílio e Dante. Língua culta e de cultura, eis a coroa que há séculos lhe ornara a fronte, onde resplandecem as galas de patrimônio de uma civilização.

 

Nada, pois, que admirar venha a língua portuguesa continuamente atraindo inteligências e dedicações para o seu estudo em tantos dos recantos deste mundo de Deus. E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular.

 

ELIA, Sílvio. 50 textos errados e corrigidos, Rio de Janeiro: Gráfica Olímpica.

Texto II

 

O segmento do Texto II,

 

“E isso em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular”, refere-se a modalidades da língua.

 

Assinale a frase que apresenta um exemplo da modalidade popular.

  1. AHá muitas gramáticas de Língua Portuguesa no mercado.
  2. BO que é que você opina sobre a atual situação econômica da Europa?
  3. CO que é que tem sobre a mesa, exceto meus objetos de trabalho como professor?
  4. DOs professores de Língua Portuguesa enfrentam hoje muitas dificuldades em seu trabalho.
  5. EOs dicionários são livros extremamente úteis e de tipos bem variados quanto ao conteúdo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — O que é que tem sobre a mesa, exceto meus objetos de trabalho como professor?

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modalidade popular da língua

Gabarito: letra C. A única frase que apresenta um exemplo de modalidade popular (informal/coloquial) da língua é a C: "O que é que tem sobre a mesa, exceto meus objetos de trabalho como professor?" — ela traz marcas típicas da fala espontânea, como a partícula expletiva "é que" e a construção interrogativa direta e coloquial, que fogem ao rigor da norma culta. O texto-base, ao falar em "modalidades coloquial ou popular", autoriza exatamente essa distinção entre o uso culto e o uso informal da língua.

O comando

A questão pede que você identifique um exemplo concreto de modalidade popular da língua. Não se trata de interpretar uma ideia do texto, mas de aplicar um conceito (linguagem formal × informal) a frases dadas. O comando "assinale a frase que apresenta um exemplo" exige que você reconheça, na prática, as marcas linguísticas que caracterizam o registro coloquial.

O texto

O texto de Sílvio Elia defende que a língua portuguesa atrai estudiosos "em qualquer de suas fases ou de suas modalidades coloquial ou popular". Ou seja, o autor reconhece que a língua não se restringe à norma culta — ela também se manifesta em registros informais, do cotidiano. A questão explora exatamente essa noção: saber distinguir, entre cinco frases, qual delas representa o uso popular.

A técnica

A modalidade popular (ou coloquial) caracteriza-se por:

  • Despreocupação com a norma gramatical (ex.: iniciar frase com pronome oblíquo átono, como "Me disseram");

  • Uso de partículas expletivas de realce, como "é que" (ex.: "O que é que tem...");

  • Construções interrogativas diretas e espontâneas, típicas da fala;

  • Vocabulário simples e expressões do dia a dia.

A frase da alternativa C concentra duas dessas marcas: o "é que" (partícula de realce, desnecessária à estrutura) e a pergunta direta, sem o polimento da escrita formal. As demais alternativas apresentam frases neutras ou formais, sem qualquer traço de coloquialidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca não arma uma pegadinha clássica aqui — as distratoras são frases simplesmente formais ou neutras, sem atrativo. O risco é o candidato marcar qualquer frase que "soe" cotidiana, sem identificar a marca objetiva do coloquialismo (o "é que").

Modalidade popular (coloquial)
  • 1Marcas objetivas
    • Partícula expletiva "é que"
    • Interrogativa direta e espontânea
    • Pronome átono em início de frase
    • Contrações informais ("pra", "tá")
    • Gírias
  • 2Frases formais (não coloquiais)
    • Neutras
    • Estruturadas na norma culta
    • Vocabulário rebuscado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Há muitas gramáticas de Língua Portuguesa no mercado."

Frase formal e neutra, com estrutura canônica (verbo "haver" no sentido de existir, sujeito posposto). Não há nenhuma marca de coloquialidade. Erro: ausência de traço popular — a frase poderia estar em um texto didático ou jornalístico sem destoar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O que é que você opina sobre a atual situação econômica da Europa?"

Aqui há o "é que", mas a frase é demasiadamente formal no restante: "opina sobre a atual situação econômica da Europa" é construção típica da norma culta, com vocabulário rebuscado e tema erudito. O coloquialismo do "é que" não é suficiente para caracterizar a modalidade popular como um todo — a frase é híbrida e artificial, não um exemplo natural de fala popular. Erro: mistura de registro — o candidato pode ser atraído pelo "é que", mas o restante da frase é formal.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O que é que tem sobre a mesa, exceto meus objetos de trabalho como professor?"

Esta é a única frase genuinamente popular. As marcas:

  • "é que" — partícula expletiva de realce, típica da fala coloquial (pode ser suprimida sem prejuízo: "O que tem sobre a mesa...");

  • "O que é que tem" — construção interrogativa direta e espontânea, comum na oralidade;

  • "exceto" — embora seja uma palavra formal, o conjunto da frase é claramente de registro informal, com estrutura de pergunta cotidiana.

O texto-base autoriza a distinção ao mencionar "modalidades coloquial ou popular" — e esta frase é o exemplo mais próximo do uso popular espontâneo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os professores de Língua Portuguesa enfrentam hoje muitas dificuldades em seu trabalho."

Frase formal e impessoal, com sujeito claro, verbo no presente do indicativo e vocabulário neutro. Não há marcas de coloquialidade. Erro: ausência de traço popular — é uma afirmação genérica, típica de texto dissertativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Os dicionários são livros extremamente úteis e de tipos bem variados quanto ao conteúdo."

Frase formal e descritiva, com estrutura completa e vocabulário culto ("extremamente úteis", "bem variados quanto ao conteúdo"). Não há nenhuma marca de oralidade ou informalidade. Erro: ausência de traço popular — é uma constatação neutra, própria de texto expositivo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a modalidade popular, procure marcas objetivas de coloquialismo: partículas expletivas ("é que"), pronomes em início de frase ("Me dá"), contrações informais ("pra", "tá"), gírias e construções interrogativas diretas. Frases apenas "simples" ou "neutras" não bastam — é preciso um traço linguístico que fuja à norma culta.

Gabarito: letra C.

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