Questão de Português — Formação e Estrutura das Palavras — FGV 2025
Português›Formação e Estrutura das Palavras
Código
fg167863
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Ana Geo ( )
O Brasil na crise do clima
Dimas Ramalho
Chuvas apocalípticas no Rio Grande do Sul, secas extremas no Pantanal e na Amazônia, inundações recordes em países da Ásia e da Europa, ondas de calor mortíferas nos quatro cantos do mundo. São gritantes os sinais de que algo está profundamente errado no clima planetário.
Nem todo mundo entende, porém, que por trás desse fenômeno alarmante está a mão do homem. Após décadas de estudos e medições, não resta dúvida de que a causa do aquecimento global são os gases do efeito estufa emitidos por seres humanos, a maior parte deles proveniente da queima de petróleo e seus derivados.
Com a elevação da temperatura média do globo, tornam-se mais frequentes os chamados eventos climáticos extremos, com consequências tremendas para as populações humanas e os ecossistemas naturais. Segundo a pesquisa Datafolha, 77% da população brasileira vivenciou recentemente algum evento desse tipo.
Por mais que os efeitos da mudança climática venham ficando cada dia mais evidentes no planeta, enfrentar as suas causas tem-se mostrado uma tarefa imensamente complexa. A principal razão é que reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa implica uma mudança radical na matriz energética global, ainda amplamente baseada no petróleo.
Nessa verdadeira corrida contra o tempo, o Brasil curiosamente desponta de maneira singular. Por aqui, as principais fontes de poluição não provêm, como nas outras grandes economias do mundo, de atividades industriais e da queima de combustíveis fósseis, mas do desmatamento.
A floresta derrubada libera na atmosfera todo o carbono armazenado na madeira, nas folhas e nas raízes quando é queimada ou apodrece sobre o solo. Já a atividade pecuária, além de relevante indutor do desmatamento na Amazônia, libera, por meio da digestão dos ruminantes, o metano, um dos gases que mais potencializam o efeito estufa.
Hoje, felizmente, boa parte dos produtores já entendeu isso, e vêm investindo no aumento da produtividade no campo e ampliando a chamada agricultura de baixo carbono. Um agronegócio com consciência ambiental combinado a um combate firme do desmatamento por parte dos governos forma uma aliança poderosa, que beneficiará o Brasil e o mundo.
As questões da prova de Língua Portuguesa referem-se ao TEXTO a seguir:
Assinale a opção em que a palavra formada não se estrutura a partir de uma derivação regressiva.
Aqueimar - queima
Bcombater - combate
Cliberar - libera
Destudar - estudo
Eaumentar - aumento
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GabaritoC — liberar - libera
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Derivação regressiva: identificando o substantivo deverbal
Gabarito: letra C. A única palavra que não se estrutura por derivação regressiva é libera (C), pois se trata da 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo *liberar* — uma forma verbal flexionada, não um substantivo derivado. Nas demais alternativas, o segundo termo é um substantivo abstrato formado pela redução do verbo correspondente (perda da terminação -ar/-er/-ir e acréscimo da vogal temática nominal -a, -e, -o), como se vê no texto-base: "A floresta derrubada libera na atmosfera todo o carbono armazenado" — aqui libera é verbo, não substantivo.
O comando
A questão pede que você assinale a opção em que a palavra não se estrutura a partir de derivação regressiva. Isso significa que você deve reconhecer o processo morfológico em que um verbo (que indica ação) dá origem a um substantivo abstrato (que indica ação ou resultado), por meio da supressão da terminação verbal e da adição de uma vogal temática nominal (-a, -e, -o). O verbo "perde" elementos, por isso o nome "regressiva".
O texto e a pista
O texto-base traz vários verbos que, em sua forma nominal, seriam substantivos deverbais. Por exemplo, no trecho:
"A floresta derrubada libera na atmosfera todo o carbono armazenado na madeira, nas folhas e nas raízes quando é queimada ou apodrece sobre o solo."
Aqui, libera é claramente uma forma verbal (3ª pessoa do singular do presente do indicativo), pois concorda com o sujeito "A floresta derrubada". Se fosse substantivo, seria "a libera" ou "a liberação", mas não é o caso. O verbo liberar existe, e a forma libera é sua conjugação, não um substantivo derivado por regressão.
A técnica: como reconhecer a derivação regressiva
A derivação regressiva é um processo de formação de palavras em que um substantivo abstrato é criado a partir de um verbo, pela supressão da desinência de infinitivo (-ar, -er, -ir) e pela adição de uma vogal temática nominal (-a, -e, -o). O substantivo resultante é chamado de deverbal e indica a ação ou o resultado da ação expressa pelo verbo.
Exemplos clássicos:
cantar → canto (perde -ar, ganha -o)
almoçar → almoço (perde -ar, ganha -o)
combater → combate (perde -er, ganha -e)
estudar → estudo (perde -ar, ganha -o)
aumentar → aumento (perde -ar, ganha -o)
A pegadinha da banca está em libera: ela parece um substantivo (como "a libera"), mas é uma forma verbal flexionada. O verbo liberar não sofreu regressão; a forma libera é apenas a conjugação na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo. Não há substantivo "libera" derivado de liberar — o substantivo correspondente seria liberação (derivação sufixal).
Análise das alternativas
Derivação regressiva: Processo (Verbo → substantivo abstrato, Perde -ar/-er/-ir, Ganha -a/-e/-o); Exemplos (queimar → queima, combater → combate, estudar → estudo, aumentar → aumento); Não é regressiva (liberar → libera (forma verbal), liberar → liberação (sufixal))
Alternativa A — ✅ Correta
queimar → queima é um caso clássico de derivação regressiva: o verbo queimar perde a terminação -ar e ganha a vogal temática nominal -a, formando o substantivo queima (ação de queimar). No texto, "quando é queimada" mostra o verbo, mas a forma nominal "queima" é substantivo. Portanto, está correta.
Alternativa B — ✅ Correta
combater → combate também é derivação regressiva: o verbo combater perde -er e ganha -e, formando o substantivo combate (ação de combater). O texto menciona "combate firme do desmatamento", em que "combate" é substantivo. Portanto, está correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
liberar → libera NÃO é derivação regressiva. libera é a 3ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo liberar, uma forma verbal flexionada, não um substantivo. O substantivo correspondente seria liberação (derivação sufixal). No texto, "A floresta derrubada libera na atmosfera" — aqui libera é verbo, concordando com o sujeito. Portanto, é a alternativa que a questão pede para assinalar (a que NÃO se estrutura por derivação regressiva).
Alternativa D — ✅ Correta
estudar → estudo é derivação regressiva: o verbo estudar perde -ar e ganha -o, formando o substantivo estudo (ação de estudar). Embora não apareça no texto, é um exemplo clássico. Portanto, está correta.
Alternativa E — ✅ Correta
aumentar → aumento é derivação regressiva: o verbo aumentar perde -ar e ganha -o, formando o substantivo aumento (ação de aumentar). O texto menciona "aumento da produtividade", em que "aumento" é substantivo. Portanto, está correta.
Conclusão
A única alternativa que não apresenta derivação regressiva é a letra C, pois libera é forma verbal, não substantivo deverbal. As demais (A, B, D, E) são exemplos legítimos do processo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre forma verbal flexionada e substantivo deverbal. Libera parece um substantivo, mas é verbo no presente do indicativo. Desconfie de palavras que podem ser conjugações verbais.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar derivação regressiva, pergunte: "existe um verbo que, ao perder a terminação, forma um substantivo que indica ação?" Se a palavra for uma forma verbal flexionada (como libera), não é regressão.