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Questão de Português — Variações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos — FGV 2025

PortuguêsVariações da Linguagem: Não Verbal, Regional, Histórica, Contextual. Neologismos e Estrangeirismos
Código
fg167889
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Ana Geo ( )

GARIMPO NA AMAZÔNIA: UM PROBLEMA DE TODOS NÓS

 

Danicley de Aguiar, ativista sênior do Greenpeace

 

A atividade garimpeira está longe de ser um problema que atinge exclusivamente os povos indígenas e, com a omissão do Estado, ela se firma como uma questão de saúde pública.

 

A bacia do rio Tapajós se transformou no epicentro do garimpo na Amazônia, que hoje se espalha como uma epidemia e configura mais uma grave ameaça ao equilíbrio ecológico do bioma. Nesta região, para além dos garimpos localizados nas terras indígenas Munduruku e Sai Cinza, encontramos nada menos que outros 418 garimpos no interior das Unidades de Conservação de Uso Sustentável e mais 124 nas Unidades de Proteção Integral.

 

Entre as áreas protegidas, o avanço do garimpo nas terras indígenas ganha ares de tragédia e é impulsionado não só pelo crime organizado, que financia a extração e a compra do ouro explorado desses territórios, mas também pela desorganização proposital do Estado para enfrentar esta atividade criminosa dentro destes territórios. [...] Provocado pela resistência dos Munduruku à destruição do seu território e consequentemente do seu modo de vida, no dia 15 de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) para que o mesmo obrigue o governo brasileiro a retomar, em regime de urgência, todas as operações de combate aos garimpos localizados no interior das terras indígenas Munduruku e Sai Cinza, no sudoeste do Pará; haja vista que as operações foram interrompidas após reunião do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles [...].

 

Para além dos impactos ambientais que ameaçam a integridade ecológica das áreas invadidas, o garimpo está longe de ser uma questão que prejudica exclusivamente os indígenas, pois promove uma série de outros impactos que não se restringem ao ambiente em que a atividade se desenvolve, a exemplo da contaminação por mercúrio que afeta, por exemplo, as milhares de pessoas que compõem a população ribeirinha da Amazônia e que se alimentam periodicamente de peixe, uma vez que os peixes, especialmente os chamados predadores, atuam como concentradores naturais de mercúrio, que uma vez acumulado no corpo humano, causa toda uma ordem de problemas nos rins, fígado, aparelho digestivo e no sistema nervoso central.

 

Por tudo isso, não restam dúvidas de que a atividade garimpeira há muito se estabeleceu como um problema ambiental e de polícia, mas ainda precisa ser reconhecida sobretudo como um problema de saúde pública, que impõe mudanças radicais no modo de vida das populações amazônicas, sejam elas indígenas ou não. Assim, ações de denúncia e combate ao garimpo empreendidas pelo povo Munduruku e outros povos não podem ser ignoradas pelo restante da sociedade brasileira, especialmente porque tais ações são muito mais que pedidos de socorro, elas constituem-se num chamado ao debate civilizatório requerido pelo século em que vivemos. A sociedade brasileira não pode mais aceitar conviver com uma prática tão nefasta ao meio ambiente e a todos os brasileiros.

 

Fonte: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/garimpo-na-amazonia-um-problema-de-todos-nos/. – acesso em 06/08/2025

A próxima  questão refere-se ao TEXTO a seguir:     O texto, por ser um artigo de opinião, emprega uma determinada variante linguística na sua construção, cujo objetivo é
  1. Apromover uma identificação entre os leitores e os problemas abordados no texto.
  2. Bimprimir um tom de formalidade, uma vez que predominam estruturas rebuscadas da língua portuguesa.
  3. Cvalorizar aspectos da cultura amazônica, tendo em vista o emprego de nomes indígenas.
  4. Dconstruir um tom de neutralidade, a fim de que se destaquem os fatos e argumentos empregados.
  5. Eimprimir um tom de formalidade, a fim de que prevaleça a grave denúncia feita pelo texto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — construir um tom de neutralidade, a fim de que se destaquem os fatos e argumentos empregados.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Variação linguística e o artigo de opinião

Gabarito: letra D. O texto, por ser um artigo de opinião, emprega uma variante linguística cujo objetivo é construir um tom de neutralidade, a fim de que se destaquem os fatos e argumentos empregados. A resposta se ancora na passagem em que o autor afirma que a atividade garimpeira "há muito se estabeleceu como um problema ambiental e de polícia, mas ainda precisa ser reconhecida sobretudo como um problema de saúde pública" — uma tese apresentada com base em dados objetivos (números de garimpos, contaminação por mercúrio), e não em opiniões pessoais ou linguagem emocional.

O comando

A questão pede que você identifique o objetivo da variante linguística empregada no texto. Isso não é uma pergunta sobre o conteúdo do texto, mas sobre a escolha estilística do autor: por que ele escreveu daquela forma? A banca quer que você perceba que a linguagem de um artigo de opinião não é aleatória — ela é uma ferramenta argumentativa. O verbo "cujo objetivo é" indica que você deve buscar a função daquela linguagem, não apenas descrevê-la.

O texto

O texto é um artigo de opinião do Greenpeace sobre o garimpo na Amazônia. O autor, Danicley de Aguiar, defende a tese de que o garimpo é um problema de saúde pública, e não apenas ambiental ou indígena. Para sustentar essa tese, ele usa:

  • Dados objetivos: "outros 418 garimpos no interior das Unidades de Conservação de Uso Sustentável e mais 124 nas Unidades de Proteção Integral";

  • Informações factuais: a contaminação por mercúrio que afeta "as milhares de pessoas que compõem a população ribeirinha da Amazônia";

  • Referências a ações institucionais: o recurso do MPF ao TRF-1.

A linguagem é formal, mas não rebuscada; é impessoal, mas não neutra no sentido de "sem opinião" — é neutra no sentido de que o autor não usa a primeira pessoa do singular nem expressões de emoção direta (como "eu acho" ou "é terrível"). Ele apresenta os fatos e argumentos de forma objetiva, deixando que eles "falem por si".

A técnica que decide

A questão mistura dois conceitos: variação linguística e função da linguagem. A variação situacional (diafásica) é o ajuste do nível de formalidade conforme a situação. No artigo de opinião, o autor escolhe uma variante formal e impessoal para dar credibilidade e objetividade ao seu texto. O objetivo dessa escolha é fazer com que os fatos e argumentos se destaquem, e não a opinião pessoal do autor.

A pegadinha central está em confundir "neutralidade" com "ausência de opinião". O texto é claramente opinativo (defende uma tese), mas a linguagem é neutra/impessoal. A alternativa D captura exatamente essa distinção: o tom de neutralidade serve para destacar os fatos e argumentos, não para esconder a opinião.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "neutralidade" (impessoalidade da linguagem) e "ausência de opinião" (que não existe no texto). O autor tem opinião, mas a expressa de forma objetiva, com dados e argumentos.

Análise das alternativas

1Variação situacional (diafásica)
Ajuste do nível de formalidade
Conforme a situação
2Escolha estilística do autor
Formal, mas não rebuscada
Impessoal (sem 1ª pessoa)
Objetiva (dados e fatos)
3Objetivo da escolha
Destacar fatos e argumentos
Dar credibilidade à tese
Não é ausência de opinião
Variação linguística no artigo de opinião
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Variação linguística no artigo de opinião: Variação situacional (diafásica) (Ajuste do nível de formalidade, Conforme a situação); Escolha estilística do autor (Formal, mas não rebuscada, Impessoal (sem 1ª pessoa), Objetiva (dados e fatos)); Objetivo da escolha (Destacar fatos e argumentos, Dar credibilidade à tese, Não é ausência de opinião)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Promover uma identificação entre os leitores e os problemas abordados no texto.

O texto não busca identificação emocional. Ele busca convencimento por meio de fatos. A linguagem impessoal, com dados e referências institucionais, não cria proximidade afetiva com o leitor; cria distanciamento crítico. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto uma intenção de identificação que não está presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Imprimir um tom de formalidade, uma vez que predominam estruturas rebuscadas da língua portuguesa.

A linguagem é formal, mas não é rebuscada. O texto é claro e direto, sem estruturas complexas ou vocabulário erudito. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que predominam estruturas rebuscadas — o que não se verifica. Além disso, o objetivo da formalidade não é a formalidade em si, mas a credibilidade dos argumentos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Valorizar aspectos da cultura amazônica, tendo em vista o emprego de nomes indígenas.

O texto menciona os povos Munduruku e Sai Cinza, mas não os utiliza para valorizar a cultura amazônica. Eles são citados como vítimas do garimpo e como agentes de resistência. A alternativa tangencia o tema ao focar em um detalhe (nomes indígenas) e atribuir a ele uma função que o texto não lhe dá.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Construir um tom de neutralidade, a fim de que se destaquem os fatos e argumentos empregados.

A linguagem do texto é impessoal e objetiva. O autor não usa "eu acho" ou "na minha opinião"; ele apresenta dados, fatos e argumentos de forma direta. Veja o trecho:

"a atividade garimpeira há muito se estabeleceu como um problema ambiental e de polícia, mas ainda precisa ser reconhecida sobretudo como um problema de saúde pública"

A tese é apresentada como uma constatação, não como uma opinião pessoal. Essa neutralidade (impessoalidade) faz com que os fatos e argumentos — os números de garimpos, a contaminação por mercúrio, a ação do MPF — ganhem destaque e credibilidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Imprimir um tom de formalidade, a fim de que prevaleça a grave denúncia feita pelo texto.

A alternativa repete o erro da B (formalidade como fim) e acrescenta outro: a formalidade não serve para "prevalecer a denúncia", mas para dar credibilidade aos argumentos. A denúncia é feita pelo conteúdo, não pela forma. A alternativa restringe o objetivo da linguagem a um único aspecto (a denúncia) e o faz de forma imprecisa.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de distinguir forma e conteúdo. O conteúdo é opinativo; a forma é impessoal. A alternativa D é a única que captura essa distinção: a neutralidade da linguagem serve para destacar os fatos e argumentos, que são a base da opinião do autor. Ao resolver questões assim, pergunte-se: "qual é a função da linguagem usada?" — e busque a resposta no texto, não no senso comum.

Gabarito: letra D

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