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Questão de Português — Adjetivo — FGV 2025

PortuguêsAdjetivo
Código
fg167911
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Tec Ge ( )

A vida é selvagem

Ailton-Krenak

 

A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida. Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.

 

Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.

 

A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar o surgimento de uma experiência de florestania começando por contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá? E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?

A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao TEXTO a seguir:     Assinale a opção em que o sufixo forma um adjetivo.
  1. AMadeireira.
  2. BFlorestania.
  3. CVegetação.
  4. DPensamento.
  5. EEssencial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Essencial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sufixo formador de adjetivo

Gabarito: letra E. A única palavra em que o sufixo forma um adjetivo é "essencial": o sufixo -al (com variante -ar) é um dos principais formadores de adjetivos em português, indicando relação ou pertinência. No texto, "essencial" aparece em "elemento essencial", caracterizando o substantivo "elemento". As demais alternativas trazem sufixos que formam substantivos: -eira (madeireira), -ania (florestania), -ção (vegetação) e -mento (pensamento).

O comando

A questão pede que você identifique, entre as palavras listadas, aquela em que o sufixo (morfema que se acrescenta ao radical para formar nova palavra) tem a função de formar um adjetivo. Isso é uma questão de morfologia — o estudo da estrutura das palavras — e não de interpretação de texto. O texto-base serve apenas como contexto; a resposta depende do conhecimento da função dos sufixos.

O texto

O texto de Ailton Krenak discute a relação entre a vida selvagem e o pensamento urbanístico. Nele, a palavra "essencial" aparece na frase: "Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado". Aqui, "essencial" é um adjetivo que caracteriza "elemento", mas a questão não pede para analisar o uso no texto — pede para reconhecer o sufixo formador de adjetivo. O texto apenas fornece o contexto em que a palavra aparece.

A técnica

Para resolver, você precisa conhecer os principais sufixos formadores de adjetivos em português:

  • -al / -ar: indica relação, pertinência (ex.: essencial, nacional, escolar).

  • -oso: indica abundância, qualidade (ex.: bondoso, carinhoso).

  • -ico: indica relação, origem (ex.: histórico, poético).

  • -ivo: indica tendência, capacidade (ex.: ativo, pensativo).

  • -vel: indica possibilidade (ex.: amável, durável).

Já os sufixos -eira, -ção, -mento, -ania são tipicamente formadores de substantivos (ex.: madeireira, vegetação, pensamento, florestania).

A pegadinha da banca está em oferecer palavras que parecem adjetivos (como "madeireira", que pode ser adjetivo em alguns contextos, mas aqui é substantivo) e "florestania", que é um neologismo substantivo. A única inequivocamente adjetiva é "essencial".

Sufixos formadores
  • 1Adjetivos
    • -al / -ar (essencial, nacional)
    • -oso (bondoso)
    • -ico (histórico)
    • -ivo (ativo)
    • -vel (amável)
  • 2Substantivos
    • -eira (madeireira)
    • -ania (florestania)
    • -ção (vegetação)
    • -mento (pensamento)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Madeireira" é um substantivo (designa uma pessoa ou empresa que trabalha com madeira) ou, em alguns contextos, um adjetivo (ex.: indústria madeireira). No texto, aparece como substantivo: "Não é a turma das madeireiras". O sufixo -eira forma substantivos (ex.: pedreira, leiteira) e também adjetivos (ex.: brasileira), mas aqui o uso é substantivo. A banca explora a ambiguidade, mas a palavra não é inequivocamente adjetiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Florestania" é um neologismo criado por Ailton Krenak, formado com o sufixo -ania, que indica estado, qualidade ou coletividade (ex.: cidadania, folgania). É um substantivo — designa uma condição ou experiência relacionada à floresta. Não é adjetivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Vegetação" é um substantivo formado com o sufixo -ção, que indica ação, resultado ou estado (ex.: educação, construção). Não é adjetivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Pensamento" é um substantivo formado com o sufixo -mento, que indica ação, resultado ou instrumento (ex.: casamento, ferimento). Não é adjetivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Essencial" é um adjetivo formado com o sufixo -al, que indica relação ou pertinência (ex.: nacional, cultural). No texto, aparece em "elemento essencial", caracterizando o substantivo "elemento". É a única palavra da lista cujo sufixo forma inequivocamente um adjetivo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar se um sufixo forma adjetivo, pergunte: "que tipo de?" ou "relativo a quê?". Se a palavra responder a essas perguntas, é adjetivo. Substantivos respondem a "o quê?" ou "quem?".

Gabarito: letra E — "essencial" é o único adjetivo formado por sufixo.

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