Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167912
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Tec Ge ( )

A vida é selvagem

Ailton-Krenak

 

A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida. Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.

 

Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.

 

A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar o surgimento de uma experiência de florestania começando por contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá? E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?

A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao TEXTO a seguir:

   

Assinale a opção que corresponde corretamente a uma ideia apresentada no texto.

  1. AA escola, muitas vezes, abandona os conhecimentos advindos da floresta.
  2. BA economia independe da floresta, já que aquela está ligada, também, a outros elementos.
  3. CDo ponto de vista do enunciador, o termo selvagem relaciona-se a algo pejorativo.
  4. DÉ impossível aliar sustentabilidade e respeito aos saberes dos povos originários.
  5. EExiste, atualmente, um equilíbrio entre a cultura produzida nas cidades e nas florestas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — A escola, muitas vezes, abandona os conhecimentos advindos da floresta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de Texto: a ideia que o texto realmente apresenta

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que parafraseia fielmente uma ideia explícita do texto: a de que a escola abandona os conhecimentos da floresta. O autor afirma que a potência de existir da vida selvagem tem "uma poética esquecida, abandonada pelas escolas". As demais alternativas ou contradizem o texto (B e C) ou extrapolam para além do que ele diz (D e E).

O comando pede que você assinale a opção que corresponde corretamente a uma ideia apresentada no texto. Isso é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta está explícita, basta localizar a passagem e reconhecer a paráfrase. Não se trata de inferir, deduzir ou completar com conhecimento de mundo — é encontrar o que o autor disse, nem mais, nem menos.

O texto de Ailton Krenak defende a tese de que a vida é selvagem e que essa potência foi esquecida pela civilização urbana. No primeiro parágrafo, ele critica as escolas por perpetuarem a lógica de que tudo fora das cidades é bárbaro e primitivo. A passagem decisiva é:

"quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana"

A alternativa A diz exatamente isso: "A escola, muitas vezes, abandona os conhecimentos advindos da floresta." O advérbio "muitas vezes" é uma atenuação que não restringe indevidamente — o texto fala das escolas de modo geral, e a paráfrase mantém o sentido. A palavra "abandona" retoma "abandonada". É uma reescritura legítima.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? Se a alternativa contradiz uma passagem, está errada. Se acrescenta opinião ou informação que não está no texto, também está errada. A correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito.

1A escola abandona a poética da floresta (gabarito)
2Economia independe da floresta (contradiz)
3Selvagem é pejorativo (contradiz)
4Impossível aliar sustentabilidade e saberes (extrapola)
5Há equilíbrio entre cidade e floresta (contradiz)
Ideia apresentada no texto
LEVELsoulevel.com.br
Ideia apresentada no texto: A escola abandona a poética da floresta (gabarito); Economia independe da floresta (contradiz); Selvagem é pejorativo (contradiz); Impossível aliar sustentabilidade e saberes (extrapola); Há equilíbrio entre cidade e floresta (contradiz)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia o trecho citado: a escola abandona a poética da vida selvagem, ou seja, os conhecimentos advindos da floresta. O texto diz que essa potência é "esquecida, abandonada pelas escolas". A expressão "muitas vezes" não enfraquece a correspondência, pois o autor critica as escolas de modo geral, e a paráfrase mantém o núcleo semântico. Correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a economia independe da floresta". O texto diz o contrário: cita a WWF para mostrar que 1,4 bilhão de pessoas dependem da floresta para ter uma economia ligada a ela. A passagem é clara:

"1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela"

A alternativa contradiz o texto ao inverter a relação de dependência. Erro do catálogo: contradizer o texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que "o termo selvagem relaciona-se a algo pejorativo". O texto faz o oposto: o autor ressignifica o termo, atribuindo-lhe um valor positivo — "uma potência de existir". Ele critica a lógica que trata o que está fora das cidades como "bárbaro, primitivo", mas essa é a visão que ele combate, não a dele. Para o enunciador, "selvagem" é algo bom, digno de ser defendido. A alternativa contradiz a tese central. Erro: contradizer o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "é impossível aliar sustentabilidade e respeito aos saberes dos povos originários". O texto não diz isso; pelo contrário, o autor defende essa aliança. Ele cita a antropóloga Lux Vidal e o conceito de "habitat equilibrado" e pergunta: "como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais?" — ou seja, ele acredita na possibilidade. A alternativa extrapola ao transformar uma possibilidade em impossibilidade. Erro: extrapolar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "existe, atualmente, um equilíbrio entre a cultura produzida nas cidades e nas florestas". O texto mostra o contrário: há um desequilíbrio, uma "ordem urbana sanitária" que o autor quer contestar. Ele fala em "atravessar o muro das cidades" e em "implante que as cidades viraram no mundo". Não há equilíbrio; há um conflito e uma crítica. A alternativa contradiz o texto. Erro: contradizer o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa palavras do texto ("selvagem", "floresta", "cidades") para montar alternativas que invertem o sentido (B e C) ou extrapolam (D e E). A correta é a que parafraseia sem acrescentar nem inverter nada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "ideia apresentada no texto", grife a passagem que sustenta cada alternativa. Se a alternativa diz o contrário do que está escrito, é erro de contradição; se vai além, é extrapolação. A resposta certa é sempre a que reescreve o texto com outras palavras, mantendo o sentido.

Gabarito: letra A.

Link permanente: /questoes/fg167912