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Questão de Português — Crase — FGV 2025

PortuguêsCrase
Código
fg167913
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Tec Ge ( )

A vida é selvagem

Ailton-Krenak

 

A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida. Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.

 

Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.

 

A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar o surgimento de uma experiência de florestania começando por contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá? E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?

A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao TEXTO a seguir:     A ausência de crase no trecho “no sentido de ter uma economia ligada a ela”, explica-se, pois é um caso de
  1. Acrase facultativa, tendo em vista o pronome com função de objeto.
  2. Bimpossibilidade de uso de crase, tendo em vista o pronome pessoal do caso reto.
  3. Cimpossibilidade de uso de crase, tendo em vista que o adjetivo não necessita de preposição.
  4. Dcrase facultativa, tendo em vista que antes de pronomes pessoais pode-se usar ou não o acento grave.
  5. Ecrase obrigatória, que não ocorreu tendo em vista um registro mais popular.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — impossibilidade de uso de crase, tendo em vista o pronome pessoal do caso reto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase antes de pronome pessoal do caso reto

Gabarito: letra B. A ausência de crase em “no sentido de ter uma economia ligada a ela” se explica porque “ela” é pronome pessoal do caso reto, e pronomes pessoais do caso reto não admitem artigo, condição indispensável para a ocorrência de crase. Como se vê no trecho: “no sentido de ter uma economia ligada a ela” — o “a” que precede “ela” é apenas preposição exigida pelo adjetivo “ligada” (quem é ligado é ligado a algo), e, sem o artigo feminino “a”, não há fusão, logo não há crase.

O comando

A questão pede que se explique por que não há crase no trecho indicado. Isso é uma tarefa de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido, mas de aplicar a regra de crase ao caso concreto. O comando já entrega o fenômeno (“ausência de crase”) e pede a causa — ou seja, qual regra proíbe o acento grave ali.

O texto

No trecho “no sentido de ter uma economia ligada a ela”, o autor se refere à floresta: “1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela”. O termo “ela” retoma “floresta” (substantivo feminino), mas isso não autoriza crase, porque a regra que decide aqui não é o gênero do referente, e sim a classe gramatical da palavra que segue a preposição.

A técnica que decide

A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Para haver crase, é preciso que dois “a” se encontrem: um que vem do verbo/nome (preposição) e outro que vem do artigo que determina a palavra seguinte. No trecho, temos:

  • “ligada a” — preposição exigida pelo adjetivo “ligada” (quem é ligado é ligado a algo);

  • ela” — pronome pessoal do caso reto.

Pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) não admitem artigo antes de si. Não se diz “a ela” com artigo; diz-se apenas “a ela” com preposição. Sem o artigo, não há o segundo “a” para fundir com a preposição — logo, crase é impossível. Essa é a regra: crase proibida antes de pronome pessoal do caso reto.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se há crase, troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “ao” sem fusão (como “ao ele”), não há. No caso: “ligada a ele” — não surge “ao ele”, logo não há crase.

1Condição: fusão de dois "a"
Preposição "a" (regência)
Artigo feminino "a"
2Antes de pronome pessoal do caso reto
Não admite artigo
Crase proibida
3Teste: trocar por palavra masculina
Surge "ao" → há crase
Não surge "ao" → sem crase
Crase
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Crase: Condição: fusão de dois "a" (Preposição "a" (regência), Artigo feminino "a"); Antes de pronome pessoal do caso reto (Não admite artigo, Crase proibida); Teste: trocar por palavra masculina (Surge "ao" → há crase, Não surge "ao" → sem crase)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a crase é facultativa porque o pronome teria função de objeto. Dois erros: (1) antes de pronome pessoal do caso reto a crase é proibida, não facultativa; (2) “ela” não é objeto — é complemento de um adjetivo (“ligada a ela”), e mesmo que fosse objeto, a regra de proibição continuaria valendo. A alternativa inventa uma facultatividade que a norma não prevê para esse caso.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ausência de crase se explica porque “ela” é pronome pessoal do caso reto, e pronomes pessoais do caso reto não admitem artigo. Sem artigo, não há fusão da preposição “a” com um segundo “a” — logo, crase é impossível. É exatamente o que ocorre em “ligada a ela”: o “a” é só preposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que a crase é impossível porque “o adjetivo não necessita de preposição”. Isso é falso: o adjetivo “ligada” exige preposição “a” (quem é ligado é ligado a algo). A preposição existe; o que falta é o artigo. A alternativa erra ao negar a regência do adjetivo, que é justamente o que faz o “a” aparecer no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a crase é facultativa antes de pronomes pessoais. Isso contradiz a norma: antes de pronome pessoal do caso reto a crase é proibida, não facultativa. A facultatividade existe em outros casos (antes de pronome possessivo feminino, antes de nome próprio feminino, depois de “até”), mas nunca antes de pronome pessoal do caso reto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que a crase seria obrigatória e não ocorreu por “registro mais popular”. Duplo erro: (1) a crase não é obrigatória nesse caso — é proibida; (2) a justificativa de “registro popular” é inventada e não tem amparo normativo. A alternativa extrapola ao criar uma explicação sociolinguística que o texto e a norma não sustentam.

Gabarito: letra B. A regra de ouro: antes de pronome pessoal do caso reto, crase é proibida — não há artigo para fundir com a preposição. Sempre que a banca perguntar por que não há crase, verifique se a palavra seguinte admite artigo feminino; se for pronome pessoal, verbo, palavra masculina ou palavra em sentido genérico, a resposta é “impossibilidade”.

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