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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FGV 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
fg167915
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Tec Ge ( )

A vida é selvagem

Ailton-Krenak

 

A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida. Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.

 

Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.

 

A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar o surgimento de uma experiência de florestania começando por contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá? E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?

A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao TEXTO a seguir:

   

Assinale a opção que indica corretamente o uso de intertextualidade no texto.

  1. AO uso de exemplos concretos sobre desmatamento para elucidação do tema.
  2. BAs estratégias de paráfrases de modelos de divulgação científica.
  3. CA referência ao relatório com a quantidade de pessoas ligadas às florestas.
  4. DA alusão a um estilo de escrita próximo aos textos jornalísticos.
  5. EA citação direta da voz de uma antropóloga referenciada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A referência ao relatório com a quantidade de pessoas ligadas às florestas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Intertextualidade no texto de Ailton Krenak

Gabarito: letra C. A única alternativa que indica corretamente o uso de intertextualidade no texto é a C, pois o autor referencia explicitamente um relatório da WWF para sustentar seu argumento sobre a dependência humana das florestas. Como se lê no 2º parágrafo: "Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta". Essa menção a um texto externo (o relatório) configura intertextualidade explícita.

O comando

A questão pede que se identifique o uso de intertextualidade no texto. Intertextualidade é o diálogo entre textos — quando um texto faz referência a outro, de forma implícita ou explícita. O comando "indica corretamente" exige que a alternativa aponte um caso real e verificável no texto-base, não uma suposição ou uma característica genérica de estilo.

O texto

O texto de Ailton Krenak é um ensaio argumentativo que defende a ideia de que "a vida é selvagem" e questiona a lógica urbana que despreza a floresta. O autor desenvolve sua tese com reflexões próprias, mas também recorre a vozes externas para dar credibilidade ao que diz: cita um relatório da WWF (com dado numérico) e menciona o trabalho da antropóloga Lux Vidal. São exatamente esses diálogos com outros textos que caracterizam a intertextualidade.

A técnica

Para resolver, é preciso distinguir intertextualidade de outros recursos textuais:

  • Intertextualidade = referência a outro texto (citação, alusão, paródia, epígrafe).

  • Paráfrase = reescrita de uma ideia com outras palavras, sem necessariamente dialogar com um texto específico.

  • Exemplo concreto = ilustração do tema, sem remeter a outro texto.

  • Estilo = característica da escrita, não diálogo intertextual.

A pegadinha central está em confundir citação indireta (referência ao conteúdo de outro texto) com citação direta (reprodução literal com aspas e autoria). O texto faz a primeira, não a segunda.

1Conceito
Diálogo entre textos
Referência a outro texto
2Formas
Citação direta (aspas)
Referência indireta
Alusão
Paráfrase
3No texto de Krenak
Referência ao relatório da WWF
Menção ao trabalho de Lux Vidal
4Não é intertextualidade
Exemplo concreto
Estilo de escrita
Paráfrase de modelo científico
Intertextualidade
LEVELsoulevel.com.br
Intertextualidade: Conceito (Diálogo entre textos, Referência a outro texto); Formas (Citação direta (aspas), Referência indireta, Alusão, Paráfrase); No texto de Krenak (Referência ao relatório da WWF, Menção ao trabalho de Lux Vidal); Não é intertextualidade (Exemplo concreto, Estilo de escrita, Paráfrase de modelo científico)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há "uso de exemplos concretos sobre desmatamento". O texto não menciona desmatamento em nenhum momento — fala em "tacar fogo" como metáfora da destruição, mas não apresenta exemplos concretos sobre o tema. Além disso, exemplos concretos não configuram intertextualidade, pois não dialogam com outro texto. Erro: extrapolação (acrescenta tema ausente) e fuga ao conceito pedido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "estratégias de paráfrases de modelos de divulgação científica". O texto não parafraseia modelos de divulgação científica — ele cita um relatório, mas não o reescreve como paráfrase. Paráfrase é reescrita de uma ideia; intertextualidade é referência a outro texto. A alternativa confunde os conceitos e atribui ao texto uma estratégia que ele não usa. Erro: troca de conceito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa aponta "a referência ao relatório com a quantidade de pessoas ligadas às florestas". Isso é exatamente o que ocorre no texto:

"Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta"

O autor dialoga com um texto externo (o relatório da WWF), referenciando-o explicitamente. Essa é a definição de intertextualidade: um texto que faz referência a outro. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto-base.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa fala em "alusão a um estilo de escrita próximo aos textos jornalísticos". O texto de Krenak é um ensaio reflexivo, com marcas de oralidade e subjetividade ("quero chamar a atenção", "aí eu me pergunto"), não um texto jornalístico. Além disso, "estilo de escrita" não é intertextualidade — é característica composicional. Erro: tangenciamento (fala de aspecto que o texto não aborda) e fuga ao conceito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma haver "citação direta da voz de uma antropóloga referenciada". O texto menciona a antropóloga Lux Vidal, mas não a cita diretamente — não há aspas nem reprodução literal de suas palavras. O autor apenas referencia seu trabalho: "A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas". Isso é intertextualidade por referência indireta, não citação direta. Erro: contradiz o texto (afirma citação direta onde há apenas menção).

Fechamento

A regra de ouro: intertextualidade é diálogo entre textos — para identificá-la, procure no texto referências a obras, autores, relatórios ou falas externas. A alternativa C acerta porque aponta a referência explícita ao relatório da WWF; as demais ou confundem o conceito com outros recursos (paráfrase, estilo, exemplo) ou acrescentam informações que o texto não traz.

Gabarito: letra C

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