Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — FGV 2025

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
fg167916
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Tec Ge ( )

A vida é selvagem

Ailton-Krenak

 

A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida. Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.

 

Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.

 

A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar o surgimento de uma experiência de florestania começando por contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá? E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?

A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao TEXTO a seguir:

   

No trecho “A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante”, a função sintática do termo destacado é

  1. Aobjeto direto.
  2. Bobjeto indireto.
  3. Ccomplemento nominal.
  4. Dsujeito.
  5. Eadjunto adnominal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — objeto direto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de "um trabalho muito importante"

Gabarito: letra A. No trecho "A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante", o termo destacado exerce a função de objeto direto, pois complementa o verbo transitivo direto "escreveu" sem preposição, indicando o que foi escrito. A prova dos noves confirma: na voz passiva, o termo vira sujeito — "um trabalho muito importante foi escrito pela antropóloga Lux Vidal".

O comando

A questão pede a função sintática de um termo específico. Isso é análise sintática pura: identificar o papel que o termo desempenha na oração. Não se trata de interpretação de texto nem de semântica — é gramática aplicada ao trecho. O verbo "escrever" é a chave: quem escreve, escreve algo. Esse "algo" é o complemento verbal.

O texto e o trecho

No texto de Ailton Krenak, a frase aparece no 3º parágrafo:

"A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas"

Aqui, o sujeito é "A antropóloga Lux Vidal" (quem pratica a ação). O verbo "escreveu" é transitivo direto: exige complemento sem preposição. Esse complemento é "um trabalho muito importante" — o objeto direto. O trecho "sobre habitações indígenas" é um adjunto adnominal (locução adjetiva que especifica "trabalho"), mas não faz parte do termo destacado.

A técnica que decide

Para não confundir objeto direto com sujeito (a pegadinha clássica), use a prova dos noves: passe a frase para a voz passiva analítica. O objeto direto vira sujeito paciente:

  • Ativa: A antropóloga escreveu um trabalho muito importante.

  • Passiva: Um trabalho muito importante foi escrito pela antropóloga.

Se o termo vira sujeito na passiva, ele é objeto direto na ativa. Essa é a confirmação definitiva.

Termos integrantes da oração
  • 1Complementos verbais
    • Objeto direto
      • sem preposição
      • vira sujeito na passiva
    • Objeto indireto
      • com preposição obrigatória
  • 2Complemento nominal
    • completa sentido de nome
    • sempre preposicionado
  • 3Agente da passiva
    • pratica a ação na voz passiva
    • introduzido por "por"/"de"
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Um trabalho muito importante" é o objeto direto de "escreveu". O verbo "escrever" é transitivo direto (VTD): quem escreve, escreve algo. O complemento vem sem preposição e responde à pergunta "o quê?" — escreveu o quê? Um trabalho muito importante. A passiva confirma: "um trabalho muito importante foi escrito".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Objeto indireto exige preposição obrigatória (ex.: "gostar de algo", "precisar de algo"). No trecho, "um trabalho muito importante" não é introduzido por preposição — está diretamente ligado ao verbo. A alternativa confunde objeto direto com indireto, ignorando a transitividade do verbo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Complemento nominal é termo preposicionado que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), não de um verbo. Aqui, o termo completa o verbo "escreveu", não um nome. A alternativa extrapola o conceito, aplicando a um complemento verbal uma função que só cabe em complementos de nomes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Sujeito é o termo que pratica ou sofre a ação. Na frase, o sujeito é "A antropóloga Lux Vidal". "Um trabalho muito importante" é o alvo da ação, não o agente. A alternativa contradiz a estrutura da oração, trocando o papel do termo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Adjunto adnominal é termo acessório que caracteriza um substantivo (ex.: "o trabalho importante"). O termo destacado não caracteriza ninguém — ele é o próprio complemento do verbo. A alternativa confunde termo acessório com termo integrante, que é o caso do objeto direto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a posição do termo após o verbo, fazendo parecer sujeito. A prova dos noves (voz passiva) desfaz a dúvida: se vira sujeito na passiva, é objeto direto na ativa.

PEGA ESSA DICA!

Sempre identifique o verbo e sua transitividade antes de classificar o termo. Pergunte: "quem pratica?" (sujeito) e "o quê?" (objeto direto).

Gabarito: letra A — objeto direto, confirmado pela voz passiva.

Link permanente: /questoes/fg167916