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Questão de Português — Conjunção — FGV 2025

PortuguêsConjunção
Código
fg167917
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Cargo
Tec Ge ( )

A vida é selvagem

Ailton-Krenak

 

A vida é selvagem. Esse é um elemento essencial para um pensamento que tem me provocado: como a ideia de que a vida é selvagem poderia incidir sobre a produção do pensamento urbanístico hoje? É uma convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico, de colaborar com a produção de vida. Quando falo que a vida é selvagem, quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas, formadoras de profissionais que perpetuam a lógica de que a civilização é urbana, de que tudo fora das cidades é bárbaro, primitivo – e que a gente pode tacar fogo.

 

Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? Pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas. Eu vi um número que a World Wide Fund for Nature (WWF) publicou em um relatório, dizendo que 1,4 bilhão de pessoas no mundo dependem da floresta, no sentido de ter uma economia ligada a ela. Não é a turma das madeireiras, não: é uma economia que supõe que os humanos que vivem ali precisam de floresta para viver.

 

A antropóloga Lux Vidal escreveu um trabalho muito importante sobre habitações indígenas, no qual relaciona materiais e conceitos que organizam a ideia de habitat equilibrado com o entorno, com a terra, o Sol, a Lua e as estrelas. Um habitat que está integrado ao cosmos, diferente desse implante que as cidades viraram no mundo. Aí eu me pergunto: como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais? Podemos provocar o surgimento de uma experiência de florestania começando por contestar essa ordem urbana sanitária ao dizer: eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele. Como eu acho no meio do mato um ipê, uma peroba rosa, um jacarandá? E se eu tivesse um buritizeiro no quintal?

A questão da prova de Língua Portuguesa refere-se ao TEXTO a seguir:

   

Assinale a opção que indica corretamente o sentido da conjunção destacada em “pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas”.

  1. ACausa.
  2. BModo.
  3. CConformidade.
  4. DReciprocidade.
  5. ECondição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Condição.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção Condicional: o valor de "se" no texto

Gabarito: letra E. A conjunção destacada em "pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas" expressa condição: a existência de comunidades dentro das florestas está condicionada à continuidade das florestas. A pista decisiva está na própria estrutura do período — a oração introduzida por "se" apresenta uma hipótese necessária para que a oração principal se realize, exatamente o valor semântico das conjunções condicionais.

O comando pede que se identifique o sentido da conjunção no contexto — tarefa de semântica aplicada à gramática, não de interpretação livre. Isso significa que a resposta não depende do que o texto "quer dizer" de forma ampla, mas da relação lógica que o conectivo estabelece entre as orações. A banca testa se o candidato reconhece o valor condicional de "se" e não o confunde com outros usos possíveis da mesma palavra (como pronome, partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito).

No trecho, temos duas orações: "se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo" e "existirão comunidades dentro delas". A primeira é a condição; a segunda, o resultado que depende dela. A relação é de dependência hipotética: se a condição não se cumprir, o resultado não ocorre. Essa é a definição clássica de oração subordinada adverbial condicional, introduzida por conjunções como "se", "caso", "desde que", "contanto que", "a menos que".

"pois se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas no mundo, existirão comunidades dentro delas"

A passagem confirma: a permanência das florestas é o requisito para que existam comunidades dentro delas. O autor não afirma que as comunidades existem porque há florestas (causa), nem que existem do mesmo modo que as florestas (conformidade) — ele estabelece uma condição para essa existência. A troca por "caso" mantém o sentido: "pois caso a gente consiga... existirão comunidades". Essa substituição é o teste prático que resolve a questão.

A armadilha central está na polissemia do "se" e na presença do "pois" no início, que pode induzir o candidato a pensar em causa. Mas o "pois" aqui tem valor explicativo (retoma a ideia anterior), e o "se" é claramente condicional. A banca explora a confusão entre os múltiplos valores que uma mesma palavra pode assumir, reforçando a necessidade de analisar o contexto imediato da conjunção.

1Valor no texto
Causa
Modo
Conformidade
Reciprocidade
Condição
2Teste prático
Substituir por "caso"
Mantém o sentido
3Polissemia do "se"
Conjunção condicional
Pronome
Partícula apassivadora
Índice de indeterminação
Conjunção "se"
LEVELsoulevel.com.br
Conjunção "se": Valor no texto (Causa, Modo, Conformidade, Reciprocidade, Condição); Teste prático (Substituir por "caso", Mantém o sentido); Polissemia do "se" (Conjunção condicional, Pronome, Partícula apassivadora, Índice de indeterminação)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Causa. A relação de causa exige que a oração introduzida indique o motivo do fato expresso na principal, como em "as florestas existem porque há comunidades". No trecho, a ordem é inversa: as comunidades dependem das florestas, não o contrário. O "se" não pode ser substituído por "porque" sem alterar o sentido — "porque a gente conseguir... existirão comunidades" não estabelece causa, e sim condição. A alternativa confunde causa com condição, dois valores semânticos distintos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Modo. A conjunção de modo indica como se realiza a ação, como em "faça como eu fiz". No trecho, não há indicação de maneira ou forma de execução. O "se" não responde à pergunta "de que modo?", mas sim "sob que condição?". A alternativa tangencia o tema, pois o modo não é uma relação estabelecida entre as orações do período.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conformidade. A conformidade expressa acordo ou concordância com algo, como em "conforme foi dito". No trecho, não há uma referência a algo que deva ser seguido ou respeitado. A existência de comunidades não está "em conformidade" com as florestas, mas condicionada a elas. A alternativa troca o conceito, pois conformidade e condição são relações lógicas diferentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Reciprocidade. Reciprocidade indica uma relação mútua ou de troca, como em "eles se ajudam". No trecho, a relação é unidirecional: as florestas são a condição para as comunidades, mas não há indicação de que as comunidades sejam condição para as florestas. A alternativa extrapola o sentido, pois a reciprocidade não está presente no período.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Condição. A oração "se a gente conseguir fazer com que continuem existindo florestas" apresenta a hipótese necessária para que "existirão comunidades dentro delas" se realize. A substituição por "caso" mantém o sentido: "pois caso a gente consiga... existirão comunidades". O "se" é a conjunção condicional por excelência, e o contexto confirma esse valor, pois a existência das comunidades está subordinada à continuidade das florestas.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de uma conjunção, substitua-a por outra do mesmo tipo e verifique se o sentido se mantém. "Se" → "caso" (condicional); "porque" → "já que" (causal); "conforme" → "segundo" (conformativa). Se a troca alterar o sentido, o valor não é o testado.

Gabarito: letra E. A questão ensina que o sentido de uma conjunção é definido pelo contexto, não por uma lista decorada. O "se" é condicional quando introduz uma hipótese da qual depende a oração principal — e é exatamente o que ocorre no trecho de Ailton Krenak.

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