Questão de Segurança da Informação — Blockchain e Smart Contracts (Contratos Inteligentes) — FGV 2025
Segurança da Informação›Blockchain e Smart Contracts (Contratos Inteligentes)
Código
fg169144
Banca
FGV
Órgão
ALEAM
Ano
2025
Cargo
Ana Leg ( )
Apesar das vantagens de imutabilidade e descentralização, as blockchains públicas como Bitcoin ou Ethereum enfrentam desafios significativos de escalabilidade, manifestados pela baixa taxa de transações por segundo (TPS). A principal razão técnica pela qual as blockchains públicas, baseadas em algoritmos de consenso como Proof-of-Work (PoW), têm inerentemente baixa escalabilidade é
Ao uso de criptografia simétrica no payload das transações.
Ba exigência de que todos os nodes na rede processem, validem e armazenem todas as transações.
Ca limitação física do tamanho do bloco.
Da ausência de Smart Contracts na maioria das blockchains de primeira geração.
Eo baixo custo computacional para minerar novos blocos (PoW).
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GabaritoB — a exigência de que todos os nodes na rede processem, validem e armazenem todas as transações.
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Escalabilidade em Blockchains Públicas: O Gargalo da Replicação Total
Gabarito: letra B. A baixa escalabilidade das blockchains públicas baseadas em Proof-of-Work decorre, fundamentalmente, da exigência de que todos os nós da rede processem, validem e armazenem todas as transações — o que impõe um limite rígido à vazão, pois cada transação precisa ser replicada e verificada por milhares de participantes. Essa é a razão técnica central, e não o tamanho do bloco, o tipo de criptografia ou a ausência de smart contracts.
O problema da escalabilidade em blockchains públicas é um dos temas mais cobrados em provas de segurança da informação e tecnologia. Para entender por que a alternativa B é a correta, é preciso compreender o modelo de consenso e replicação dessas redes. Em uma blockchain pública como Bitcoin ou Ethereum, a segurança e a descentralização são alcançadas por meio da replicação total do estado: cada nó mantém uma cópia completa do livro-razão e, para validar um novo bloco, precisa processar todas as transações nele contidas. Isso significa que a capacidade de processamento da rede é, na prática, limitada pela capacidade de um único nó — o mais lento —, pois todos precisam acompanhar o mesmo ritmo. Esse é o chamado gargalo da replicação, que torna a escalabilidade inerentemente baixa.
A alternativa B captura exatamente essa essência: a exigência de que todos os nós processem, validem e armazenem todas as transações. É por isso que o Bitcoin processa cerca de 7 transações por segundo (TPS) e o Ethereum cerca de 15-30 TPS, enquanto sistemas centralizados como Visa processam milhares. O tamanho do bloco (alternativa C) é uma consequência desse modelo — blocos maiores não resolvem o problema, pois cada nó ainda precisaria processar mais transações — e não a causa raiz. A criptografia simétrica (alternativa A) é irrelevante para a escalabilidade, pois as blockchains usam criptografia assimétrica e funções hash. A ausência de smart contracts (alternativa D) não é a razão, pois mesmo blockchains sem smart contracts, como o Bitcoin, enfrentam o mesmo problema. E o baixo custo computacional para minerar (alternativa E) é o oposto do que ocorre no PoW, que exige alto custo computacional.
Para fixar o conceito, pense na analogia de uma sala de aula: se cada aluno precisa ler e copiar todas as anotações do quadro, a velocidade da aula é limitada pela velocidade do aluno mais lento. Se apenas um aluno lesse e os demais confiassem nele, a aula seria mais rápida, mas menos segura e descentralizada. É exatamente esse trade-off que as blockchains públicas enfrentam: descentralização e segurança exigem replicação total, e a replicação total limita a escalabilidade.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem plausíveis, mas que são apenas sintomas ou fatores periféricos. O candidato que conhece o funcionamento interno das blockchains identifica rapidamente que a replicação total é o cerne do problema. Guarde essa distinção: replicação total (causa) → limitação de TPS (efeito) → soluções como sharding e camadas 2 (mitigação). É exatamente nesse raciocínio que as alternativas se dividem.
Escalabilidade em blockchains públicas
1Causa raiz
Replicação total
todos os nós processam/validam/armazenam
Gargalo do nó mais lento
2Efeito
Baixo TPS (Bitcoin ~7, Ethereum ~15-30)
3Mitigações
Sharding
Camadas 2
4Não são a causa
Tamanho do bloco (consequência)
Tipo de criptografia
Ausência de smart contracts
Custo de mineração
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O uso de criptografia simétrica no payload das transações não é a razão da baixa escalabilidade. As blockchains públicas utilizam criptografia assimétrica (chaves pública e privada) para assinaturas digitais e autenticação, e funções hash para integridade. A criptografia simétrica, quando usada, é para cifrar dados, mas não é um fator limitante de TPS. A escalabilidade é limitada pela replicação, não pelo tipo de criptografia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a razão técnica central. Em blockchains públicas com PoW, todos os nós devem processar, validar e armazenar todas as transações para manter o consenso e a segurança. Isso cria um gargalo de replicação: a vazão da rede é limitada pela capacidade de processamento de um único nó, pois todos precisam acompanhar o mesmo ritmo. É por isso que o Bitcoin tem baixa escalabilidade. Essa é a explicação aceita pela literatura técnica e pela banca.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A limitação física do tamanho do bloco é uma consequência do modelo de replicação, não a causa raiz. O tamanho do bloco é um parâmetro de projeto que pode ser ajustado (como no Bitcoin Cash, que aumentou o bloco), mas isso não resolve o problema fundamental: mesmo com blocos maiores, cada nó precisaria processar mais transações, e a rede continuaria limitada pela capacidade individual. Além disso, blocos maiores aumentam os requisitos de armazenamento e largura de banda, o que pode até piorar a descentralização.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A ausência de smart contracts na maioria das blockchains de primeira geração não é a razão da baixa escalabilidade. O Bitcoin, por exemplo, não possui smart contracts Turing-completos e ainda assim tem baixa escalabilidade. O problema é estrutural, relacionado à replicação total, e não à presença ou ausência de funcionalidades específicas. Blockchains com smart contracts, como Ethereum, também enfrentam o mesmo desafio.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O baixo custo computacional para minerar novos blocos é o oposto do que ocorre no Proof-of-Work. O PoW exige alto custo computacional (resolução de problemas matemáticos complexos) para garantir a segurança da rede. O custo computacional não é a causa da baixa escalabilidade; na verdade, o alto custo é uma característica do PoW que visa dificultar ataques, mas não limita diretamente o TPS. A limitação vem da replicação, não do custo de mineração.