Questão de Português — Morfologia — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Morfologia
Código
gp001689
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Assinale a alternativa em que a figura delinguagem, entre parênteses, atribuída à fraseesteja correta.
A“A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, semdados quantitativos, mas uma reflexão qualitativasobre os famosos ‘tudólogos’.” (Metáfora).
B“Seria eu um tudólogo?” (Hipérbato).
C“Não sou contrário a opinar sobre uma amplagama de temas […]” (Sinestesia).
D“O provérbio ‘o papel aceita tudo’ vale tambémpara o meio virtual.” (Onomatopeia).
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GabaritoB — “Seria eu um tudólogo?” (Hipérbato).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Figuras de linguagem: identificando o hipérbato na pergunta do autor
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a única que atribui corretamente a figura de linguagem à frase: em "Seria eu um tudólogo?", há hipérbato (ou inversão), pois a ordem direta seria "Eu seria um tudólogo?". A banca testa o reconhecimento das figuras de sintaxe, e a letra B é a única que nomeia com precisão o recurso presente no trecho.
O comando da questão
O enunciado pede que se assinale a alternativa em que a figura de linguagem atribuída à frase esteja correta. Isso significa que não basta identificar a figura; é preciso verificar se o nome dado entre parênteses corresponde exatamente ao recurso empregado na frase. A questão é de conhecimento conceitual — exige que o candidato domine as definições de metáfora, hipérbato, sinestesia e onomatopeia e as aplique aos trechos do texto.
O texto e o movimento argumentativo
O texto distingue o "tudólogo" do "curioso": o primeiro acha que sua opinião encerra a discussão; o segundo quer fomentá-la. O autor se posiciona como curioso, não como tudólogo. As frases citadas nas alternativas são retiradas de diferentes momentos do texto, mas a questão não pede interpretação do conteúdo — pede análise estilística de trechos específicos. Por isso, a resposta não depende da tese do texto, mas do reconhecimento das figuras de linguagem em cada excerto.
A técnica que decide: figuras de sintaxe × figuras de palavra × figuras de som
As figuras de linguagem se dividem em grupos. O hipérbato (ou inversão) é uma figura de sintaxe: consiste na inversão da ordem natural dos termos da oração (sujeito + verbo + complemento). Na frase "Seria eu um tudólogo?", a ordem direta seria "Eu seria um tudólogo?" — o verbo foi anteposto ao sujeito, caracterizando o hipérbato. Já a metáfora é uma figura de palavra (comparação implícita), a sinestesia mistura sensações de diferentes sentidos, e a onomatopeia reproduz sons por meio de palavras. A banca mistura figuras de grupos diferentes para testar se o candidato sabe distingui-las.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar figuras de linguagem, classifique primeiro o grupo: se há inversão de ordem, é figura de sintaxe (hipérbato, anáfora, elipse); se há comparação implícita, é figura de palavra (metáfora, metonímia); se há repetição de sons, é figura de som (aliteração, onomatopeia).
Análise das alternativas
Figuras de linguagem
1Figuras de sintaxe
Hipérbato (inversão da ordem direta)
"Seria eu um tudólogo?" → "Eu seria um tudólogo?"
2Figuras de palavra
Metáfora (comparação implícita)
Sinestesia (mistura de sentidos)
3Figuras de som
Onomatopeia (reprodução de sons)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos 'tudólogos'." (Metáfora).
A frase não contém metáfora. Metáfora é uma comparação implícita entre dois elementos, sem conectivo comparativo (ex.: "a vida é uma estrada"). No trecho, não há comparação; há apenas uma enumeração de características ("sem gráficos, sem dados quantitativos") e uma oposição ("mas uma reflexão qualitativa"). A banca tenta confundir o candidato com o termo "reflexão", que não é usado em sentido figurado aqui. Erro: troca de conceito — atribuiu-se uma figura de palavra onde não há comparação.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Seria eu um tudólogo?" (Hipérbato).
A frase apresenta hipérbato (inversão). A ordem direta seria "Eu seria um tudólogo?", com sujeito antes do verbo. Ao antepor o verbo "seria" ao sujeito "eu", o autor inverte a ordem sintática, caracterizando a figura de sintaxe. A pergunta é retórica — o autor não espera resposta, mas provoca reflexão —, e a inversão reforça o tom interrogativo. Correta: a figura nomeada corresponde exatamente ao recurso empregado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]" (Sinestesia).
A frase não contém sinestesia. Sinestesia é a mistura de sensações de sentidos diferentes (visão, audição, tato, paladar, olfato) — ex.: "cheiro doce", "cor fria". No trecho, não há mistura de sentidos; há apenas uma negação ("não sou contrário") e uma expressão quantitativa ("ampla gama de temas"). A banca tenta confundir com a palavra "ampla", que não remete a nenhum sentido específico. Erro: troca de conceito — atribuiu-se uma figura de palavra onde não há fusão sensorial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"O provérbio 'o papel aceita tudo' vale também para o meio virtual." (Onomatopeia).
A frase não contém onomatopeia. Onomatopeia é a reprodução de sons por meio de palavras (ex.: "toc-toc", "tic-tac"). No trecho, há uma citação de um provérbio ("o papel aceita tudo") e uma analogia entre o papel e o meio virtual — mas não há reprodução de som. A banca tenta confundir com a palavra "aceita", que não imita nenhum ruído. Erro: troca de conceito — atribuiu-se uma figura de som onde não há imitação sonora.
Conclusão
A questão testa o domínio das figuras de linguagem e a capacidade de aplicá-las a trechos concretos. A única alternativa correta é a B, pois o hipérbato é a única figura corretamente identificada. As demais cometem troca de conceito: atribuem figuras de grupos diferentes (palavra, som) a frases que não as contêm. Para acertar, é essencial dominar as definições e saber reconhecer cada recurso no texto.