Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
gp001690
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Assinale a alternativa cujo termo em destaque sejauma palavra polissêmica.
A“[…] sem dados quantitativos, mas uma reflexão
qualitativa sobre os famosos ‘tudólogos’, tão
frequentes nas redes sociais.”.
B“No meio online, vemos a mesma pessoa
opinando de forma autoritativa sobre temas tão
diversos quanto geopolítica e virologia.”.
C“Boa parte se guia por manchetes, por resultado
de buscas no Google ou por respostas de IA.”.
D“Mas sou curioso: quero entender o mundo que
me cerca com seus grandes problemas e
desafios.”.
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GabaritoA — “[…] sem dados quantitativos, mas uma reflexão
qualitativa sobre os famosos ‘tudólogos’, tão
frequentes nas redes sociais.”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Polissemia: a palavra que muda de sentido conforme o contexto
Gabarito: letra A. A palavra polissêmica é "reflexão", pois, no contexto, significa "ponderação, análise crítica" — e não o sentido físico de "ato de refletir (espelhar)". As demais alternativas trazem palavras com sentido único no texto, sem essa multiplicidade de significados.
O comando
A questão pede que você identifique a palavra polissêmica — ou seja, aquela que, dependendo do contexto, pode assumir mais de um sentido, sem mudar de classe gramatical. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar o conceito de polissemia a cada termo destacado. É uma questão de semântica aplicada ao texto.
O texto
O autor reflete sobre a diferença entre o "tudólogo" e o "curioso". No trecho da alternativa A, ele diz que sua coluna é "uma reflexão qualitativa sobre os famosos 'tudólogos'". Aqui, "reflexão" tem sentido de análise, pensamento aprofundado — e não o sentido físico de "reflexo" (como em "reflexão da luz no espelho"). Essa é a chave da polissemia.
A técnica
Polissemia é a propriedade de uma mesma palavra apresentar vários significados relacionados entre si, dependendo do contexto. Por exemplo: "manga" (fruta / parte da camisa), "banco" (assento / instituição financeira). No caso de "reflexão", temos:
Sentido físico: ato de refletir (luz, som, imagem) — "a reflexão da luz no espelho".
Sentido abstrato: ponderação, análise, pensamento — "fazer uma reflexão sobre a vida".
No texto, "reflexão" é usada no segundo sentido. A palavra é polissêmica porque, em outros contextos, pode ter o primeiro sentido.
As demais palavras destacadas — "autoritativa", "buscas", "mundo" — têm sentido único no texto, sem essa multiplicidade. Vejamos cada uma:
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos 'tudólogos'"
A palavra "reflexão" é polissêmica: pode significar "ato de refletir" (físico) ou "ponderação, análise" (abstrato). No texto, está no sentido abstrato. É a única alternativa que apresenta uma palavra com múltiplos sentidos possíveis.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos"
"Autoritativa" tem sentido único: "que tem autoridade, que se impõe como autoridade". Não há outro significado relevante no contexto. Não é polissêmica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"por resultado de buscas no Google"
"Buscas" aqui significa "pesquisas, procuras". Embora "busca" possa ter outros sentidos (como "busca" de um objeto), no texto é usado de forma única e direta. Não apresenta a multiplicidade de sentidos típica da polissemia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"quero entender o mundo que me cerca"
"Mundo" pode ter vários sentidos (planeta, sociedade, universo particular), mas no texto está claramente no sentido de "realidade, contexto em que se vive". Apesar de ser uma palavra com potencial polissêmico, no contexto tem sentido único e bem definido — não é a que a banca pede.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre polissemia e homonímia, e a tendência de marcar a primeira palavra que parece ter múltiplos sentidos sem verificar o contexto. "Mundo" e "buscas" até podem ter outros sentidos, mas no texto são usados de forma única. "Reflexão" é a única que, no próprio trecho, já carrega um sentido figurado (abstrato) em contraste com o sentido literal (físico).
PEGA ESSA DICA!
Para identificar polissemia, pergunte: "essa palavra, em outros contextos, pode ter outro significado?" Se sim, é polissêmica. Mas atenção: a polissemia só se confirma se o sentido no texto for diferente do sentido mais comum da palavra. No caso, "reflexão" no texto é abstrata, enquanto o sentido mais comum é físico.