Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Interpretação de Textos
Código
gp001691
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Assinale a alternativa em que o vocábulo entreparênteses substitua, semanticamente, o termo emdestaque.
A“Não sou contrário a opinar sobre uma ampla
gama de temas […]” (série).
B“O tempo é fundamental para consumir o
conteúdo completo […]” (secundário).
C“Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião
própria é desprezar nossa capacidade analítica.”
(respaldar).
D“Sempre encontraremos fontes que corroborem
nossas crenças […]” (apontem).
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla
gama de temas […]” (série).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Substituição de vocábulo por sinônimo no contexto
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única em que o vocábulo entre parênteses (série) substitui o termo em destaque (ampla gama) sem alterar o sentido no contexto. O texto afirma: "Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas", em que "ampla gama" significa "grande variedade", "série" — exatamente o que "série" expressa. As demais alternativas trocam o termo por um vocábulo que não preserva o sentido no contexto, incorrendo em erro de sinonímia contextual.
O comando
A questão pede que se assinale a alternativa em que o vocábulo entre parênteses substitua semanticamente o termo em destaque. Isso significa que a troca deve preservar o sentido da expressão original no contexto em que aparece. Não basta ser um sinônimo aproximado; é preciso que a substituição não altere o significado da frase. O comando "substitua semanticamente" é clássico de questões de sinonímia contextual: o candidato deve avaliar cada par (termo destacado × vocábulo entre parênteses) e verificar se há equivalência de sentido naquele trecho específico.
O texto
O texto discute a diferença entre o "tudólogo" e o "curioso". O autor defende que o curioso busca fomentar a discussão, enquanto o tudólogo acha que a fecha. No trecho da alternativa A, o autor afirma não ser contrário a opinar sobre uma "ampla gama de temas", ou seja, sobre muitos temas diferentes. A expressão "ampla gama" remete a variedade, diversidade. Já "série" pode significar "conjunto, sequência, sucessão" — e, nesse contexto, "uma série de temas" equivale a "uma variedade de temas". Portanto, a substituição é válida.
A técnica
Para resolver, teste cada substituição no contexto da frase: pergunte-se "o sentido da frase muda?" Se mudar, a alternativa está errada. A banca costuma usar sinônimos que parecem equivalentes, mas que, no contexto, alteram o sentido. Por exemplo, "corroborar" significa "confirmar, dar apoio", enquanto "apontar" significa "indicar, mostrar" — sentidos distintos. Já "desprezar" significa "menosprezar, não dar valor", enquanto "respaldar" significa "apoiar, dar suporte" — antônimos. E "fundamental" significa "essencial, indispensável", enquanto "secundário" significa "menos importante" — também antônimos.
Sinonímia contextual
1Teste: substituir no contexto
Preserva o sentido → correta
Altera o sentido → incorreta
2Erros típicos da banca
Antônimo disfarçado
fundamental × secundário
desprezar × respaldar
Sentido distinto
corroborar × apontar
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]"
"Ampla gama" = "grande variedade". "Série" também pode significar "conjunto, sucessão, variedade" (ex.: "uma série de problemas"). No contexto, "uma ampla gama de temas" e "uma série de temas" são equivalentes: ambos indicam muitos temas diferentes. A substituição preserva o sentido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo […]"
"Fundamental" significa "essencial, indispensável". "Secundário" significa "menos importante, acessório". São antônimos: a substituição inverte o sentido da frase. Erro: troca por antônimo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica."
"Desprezar" significa "menosprezar, não dar valor". "Respaldar" significa "apoiar, dar suporte". São antônimos: a substituição inverte completamente o sentido. Erro: troca por antônimo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças […]"
"Corroborar" significa "confirmar, dar apoio, validar". "Apontar" significa "indicar, mostrar, assinalar". Não são sinônimos: uma fonte que "aponta" uma crença não necessariamente a "confirma". A substituição altera o sentido — "apontar" é mais fraco e diferente de "corroborar". Erro: troca por vocábulo de sentido distinto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a sinonímia contextual: o candidato pode aceitar sinônimos aproximados que não preservam o sentido exato no contexto. Aqui, as alternativas B e C usam antônimos disfarçados, e a D usa um verbo de sentido diferente.
PEGA ESSA DICA!
Ao testar substituições, substitua mentalmente o termo pelo vocábulo entre parênteses e leia a frase inteira. Se o sentido mudar, descarte. Desconfie de palavras como "secundário" (oposto de "fundamental") e "respaldar" (oposto de "desprezar").
Gabarito: letra A — a única em que a substituição preserva o sentido no contexto.