Questão de Português — Pontuação — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Pontuação
Código
gp001692
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Assinale a alternativa na qual a reescrita do excertoesteja correta quanto à pontuação e o sentido doexcerto original seja mantido.
A“O tempo é fundamental para consumir oconteúdo completo […]”. Reescrita: É fundamental consumirmos oconteúdo integral no tempo correto.
B“Sempre encontraremos fontes que corroboremnossas crenças, mesmo as mais absurdas.”. Reescrita: Nossas crenças sempre serãocorroboradas por determinadas fontes, ainda quesejam, contraditórias.
C“Um bom critério para reconhecer uma fonte dequalidade é o quanto ela é usada e validada poroutros autores ou organismos de reputação […]”. Reescrita: A melhor maneira, de se avaliar umaboa fonte, é verificar se autores famosos autilizam.
D“Não sou contrário a opinar sobre uma amplagama de temas […]”.Reescrita: Não me oponho a que se opine sobretemas diversos.
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GabaritoD — “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla
gama de temas […]”.
Reescrita: Não me oponho a que se opine sobre
temas diversos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita com pontuação e preservação de sentido
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que reescreve o excerto mantendo integralmente o sentido original e com pontuação correta. A reescrita "Não me oponho a que se opine sobre temas diversos" preserva a ideia de que o autor não é contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, apenas reformulando a estrutura sintática sem alterar o conteúdo. As demais alternativas ou alteram o sentido, ou introduzem erros de pontuação, ou acrescentam informações que não estão no texto original.
O comando da questão pede uma reescrita que esteja correta quanto à pontuação e que mantenha o sentido do excerto original. Isso significa que a alternativa correta deve ser uma paráfrase fiel — uma reescritura que preserve o conteúdo semântico, mesmo que mude a estrutura sintática — e que não apresente erros de pontuação, como vírgulas separando sujeito de verbo ou inseridas indevidamente.
O texto-base trata da diferença entre o "tudólogo" e o "curioso". O autor defende que, embora ambos abordem muitos temas, o tudólogo acha que sua contribuição fecha a discussão, enquanto o curioso quer fomentá-la. No trecho citado na alternativa D, o autor afirma: "Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas". Essa frase expressa uma posição pessoal: o autor não se opõe a opinar sobre muitos assuntos. A reescrita "Não me oponho a que se opine sobre temas diversos" mantém exatamente essa ideia, apenas trocando a estrutura "ser contrário a" por "opor-se a" e "opinar" por "se opine", sem alterar o sentido.
A técnica para resolver esta questão é testar cada reescrita perguntando: o sentido original foi preservado? A pontuação está correta? Para isso, é preciso comparar o excerto original com a reescrita, verificando se alguma palavra foi trocada por um sinônimo inadequado, se alguma informação foi acrescentada ou suprimida, e se a pontuação segue as regras gramaticais.
Reescrita fiel
1Preserva o sentido
Paráfrase, não acréscimo
Sem restringir o alcance
2Pontuação correta
Sem vírgula entre sujeito e verbo
Sem vírgula antes de predicativo
3Erros comuns
Troca por sinônimo que altera o sentido
Acrescentar ideia nova (ex.: "tempo correto")
Restringir (ex.: "autores famosos")
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo […]"
Reescrita: "É fundamental consumirmos o conteúdo integral no tempo correto."
Esta alternativa altera o sentido do excerto original. No texto, "o tempo é fundamental" significa que o tempo é um fator essencial para consumir o conteúdo. Na reescrita, "no tempo correto" introduz a ideia de que existe um tempo certo para consumir, o que não está no original. O texto não diz que há um "tempo correto", apenas que o tempo é fundamental. Além disso, "conteúdo integral" é uma troca por sinônimo que não preserva exatamente o sentido de "conteúdo completo", embora seja próxima. O erro principal é a extrapolação da ideia de "tempo correto", que não está no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas."
Reescrita: "Nossas crenças sempre serão corroboradas por determinadas fontes, ainda que sejam, contraditórias."
Esta alternativa apresenta dois problemas. Primeiro, a pontuação: a vírgula antes de "contraditórias" está incorreta, pois separa o verbo "sejam" do predicativo "contraditórias". Segundo, o sentido é alterado: o original diz que "sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças", ou seja, nós encontraremos fontes. A reescrita diz que "nossas crenças sempre serão corroboradas por determinadas fontes", o que muda o sujeito da ação — no original, nós encontramos; na reescrita, as crenças são corroboradas. Além disso, "ainda que sejam contraditórias" introduz uma ideia de contradição que não está no original, que fala em "mesmo as mais absurdas". O erro é de troca de sentido e erro de pontuação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação […]"
Reescrita: "A melhor maneira, de se avaliar uma boa fonte, é verificar se autores famosos a utilizam."
Esta alternativa apresenta erro de pontuação: a vírgula após "maneira" separa o sujeito "A melhor maneira de se avaliar uma boa fonte" do verbo "é", o que é proibido. Além disso, o sentido é alterado: o original fala em "um bom critério", não "a melhor maneira"; fala em "usada e validada por outros autores ou organismos de reputação", não apenas "autores famosos"; e não menciona "verificar se autores famosos a utilizam", mas sim se a fonte é usada e validada. A reescrita restringe o sentido original, limitando a validação a "autores famosos", quando o texto fala em "outros autores ou organismos de reputação". O erro é de restrição e erro de pontuação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]"
Reescrita: "Não me oponho a que se opine sobre temas diversos."
Esta alternativa preserva o sentido do excerto original. O autor afirma que não é contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas. A reescrita diz que o autor não se opõe a que se opine sobre temas diversos. A ideia central é a mesma: o autor não é contra opinar sobre muitos assuntos. A estrutura foi alterada — "ser contrário a" virou "opor-se a", "opinar" virou "se opine", "ampla gama de temas" virou "temas diversos" — mas o sentido permanece intacto. A pontuação está correta, sem vírgulas indevidas. Esta é a única alternativa que atende aos dois requisitos do comando: pontuação correta e manutenção do sentido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de sinônimos que alteram sutilmente o sentido (como "tempo correto" em A, "autores famosos" em C) e erros de pontuação clássicos (vírgula separando sujeito de verbo em C, vírgula antes de predicativo em B). A alternativa D é a única que faz uma paráfrase fiel, sem acrescentar ou restringir informações.
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de reescrita, sublinhe as palavras-chave do excerto original e verifique se cada uma delas foi preservada ou substituída por um sinônimo adequado na reescrita. Desconfie de reescritas que acrescentam ideias novas (como "tempo correto") ou que restringem o alcance (como "autores famosos" em vez de "outros autores ou organismos de reputação").
Gabarito: letra D — a única reescrita que mantém o sentido original e apresenta pontuação correta.