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Questão de Português — Crase — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsCrase
Código
gp001693
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1


A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um acha que fechará a discussão; o outro quer fomentá-la


Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes


    A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado que abordo uma miríade de temas. Seria eu um tudólogo?

    Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista, independentemente da matéria em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois ninguém consegue ser especialista em tudo.

    No meio online, vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia. Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.

     Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica.

    Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes.

    O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo, pensar e formular a opinião – mas a busca do engajamento em redes sociais estimula a pressa em postar. A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial. Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é: pensar profundamente exige tempo. Infelizmente, virou comum usar a IA como perna e não como a muleta que deveria ser.

    Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes. Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade. O provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação, como o Our World in Data, que se vale de dados compilados pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais, mesmo de especialistas, não são condição suficiente para autoridade; é preciso checar se há validação por pares.

    E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero entender o mundo que me cerca com seus grandes problemas e desafios. E gosto de trazer esta inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento quantitativo e a fonte das minhas análises – o que automaticamente abre a possibilidade de outros também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias conclusões.

    Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la. E longe da soberba intelectual.


Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan. 2026.
Assinale a alternativa correta a respeito do sinalindicativo de crase.
  1. ANo excerto “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]”, o termo em destaque poderia receber o acento grave, pois, nesse caso, a crase é facultativa.
  2. BEm “Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso […]”, o vocábulo destacado poderia receber o acento grave por se tratar de um caso em que seu uso é facultativo.
  3. CEm “A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.”, o termo destacado leva acento grave devido à regência do verbo “delegar” e à presença do substantivo feminino “inteligência”.
  4. DNo excerto “E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas […]”, o uso da crase, no termo destacado, é obrigatório pela presença do vocábulo “maneira”, o qual é feminino.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Em “A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.”, o termo destacado leva acento grave devido à regência do verbo “delegar” e à presença do substantivo feminino “inteligência”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: quando o acento grave é obrigatório, facultativo ou proibido

Gabarito: letra C. A alternativa correta explica com precisão por que "à inteligência artificial" leva acento grave: o verbo "delegar" exige a preposição "a" (delegar algo a alguém) e o substantivo feminino "inteligência" admite o artigo "a" — a fusão das duas vogais gera a crase. As demais alternativas erram ao afirmar que a crase é facultativa em casos em que ela é proibida (A e B) ou ao dar uma justificativa incompleta/equivocada (D).

O comando

A questão pede que você identifique a alternativa correta sobre o uso do sinal indicativo de crase. Isso significa que você deve analisar cada trecho citado e verificar se a explicação dada sobre a crase (obrigatória, facultativa ou proibida) está de acordo com a norma culta. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a regra gramatical ao contexto apresentado.

A técnica: o teste da troca

Para decidir se há crase, use o teste clássico: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Exemplo: "delegar o assunto à inteligência artificial" → "delegar o assunto ao sistema" (aparece "ao", logo, há crase). Esse teste é infalível e resolve a maioria das questões.

Análise das alternativas

Caso

Regra

Exemplo

Antes de verbo no infinitivo

Proibida

"contrário a opinar"

Antes de palavra masculina

Proibida

"acesso a um universo"

Verbo que exige "a" + substantivo feminino

Obrigatória

"delegar à inteligência"

Antes de pronome possessivo feminino singular

Facultativa

"à minha maneira"

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]"

Aqui, o termo destacado é "a opinar". A crase é proibida antes de verbo no infinitivo. A preposição "a" é exigida pela regência de "contrário" (contrário a algo), mas não há artigo feminino, pois "opinar" é verbo. Portanto, não há crase, e a alternativa erra ao dizer que é facultativa. Erro: contradiz a regra de crase proibida antes de verbo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso […]"

O termo destacado é "a um universo". "Universo" é substantivo masculino, e a crase é proibida antes de palavra masculina. A preposição "a" é exigida por "acesso" (acesso a algo), mas não há artigo feminino. Portanto, não há crase, e a alternativa erra ao dizer que é facultativa. Erro: contradiz a regra de crase proibida antes de masculino.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial."

Aqui, "à inteligência artificial" leva acento grave porque:

  • O verbo "delegar" exige a preposição "a" (delegar algo a alguém).

  • O substantivo feminino "inteligência" admite o artigo definido "a".

  • A fusão da preposição "a" com o artigo "a" gera a crase: a + a = à.

A alternativa explica exatamente isso, por isso está correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas […]"

A crase em "à minha maneira" é facultativa, pois antes de pronome possessivo feminino singular, o artigo é opcional. A alternativa afirma que é obrigatória pela presença de "maneira", o que é falso. A obrigatoriedade viria da regência do verbo "chegar" (chegar a algo) + artigo, mas como há possessivo, o artigo pode ser omitido. Erro: generalização indevida — a crase é facultativa, não obrigatória.

Conclusão

A única alternativa que descreve corretamente um caso de crase obrigatória é a letra C. As demais ou afirmam que a crase é facultativa quando é proibida (A e B) ou justificam incorretamente um caso facultativo como obrigatório (D).

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar crase, sempre verifique: 1) o termo regente exige preposição "a"? 2) o termo regido é feminino e admite artigo? Se sim, há crase. Se o termo for masculino ou verbo, não há crase. Se houver pronome possessivo, a crase é facultativa.

Gabarito: letra C

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