Questão de Português — Pontuação — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Pontuação
Código
gp001695
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Assinale a alternativa correta quanto à acentuaçãográfica e à pontuação.
AO vocábulo “contrário”, no quarto parágrafo dotexto, possui dupla grafia, pois também pode serescrito sem o acento agudo, mantendo o mesmosentido.
BNo excerto “A coluna de hoje é diferente: semgráficos, sem dados quantitativos […]”, osdois-pontos da primeira oração poderiam sersubstituídos por travessão, sem prejuízo desentido.
CO vocábulo “fechará”, presente no título, pode serescrito sem o acento agudo, mantendo o mesmotempo verbal.
DNo trecho “Chegamos ao segundo fator: aqualidade das fontes.”, os dois-pontos podem sersubstituídos por ponto final, sem prejuízo sintáticoou semântico ao texto.
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GabaritoB — No excerto “A coluna de hoje é diferente: sem
gráficos, sem dados quantitativos […]”, os
dois-pontos da primeira oração poderiam ser
substituídos por travessão, sem prejuízo de
sentido.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Acentuação e pontuação: dois-pontos e travessão
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única correta, pois os dois-pontos em “A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos […]” introduzem uma explicação/especificação do que foi dito antes, e o travessão pode exercer exatamente essa mesma função, sem prejuízo de sentido. As demais alternativas erram ao afirmar que palavras podem perder o acento sem mudar o sentido ou que os dois-pontos podem ser substituídos por ponto final sem alterar a relação semântica.
O comando da questão
O enunciado pede a alternativa correta quanto à acentuação gráfica e à pontuação. Isso significa que devemos analisar cada afirmação sobre o uso de acentos e sinais de pontuação no texto, verificando se ela está de acordo com as regras da norma culta e se a substituição proposta preserva o sentido original. Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de conhecimento gramatical aplicado a trechos específicos.
O texto e o ponto central
O texto discute a diferença entre o “tudólogo” e o “curioso”. No trecho citado na alternativa B, o autor afirma que a coluna de hoje é diferente, e os dois-pontos introduzem uma explicação: “sem gráficos, sem dados quantitativos”. Essa é a função clássica dos dois-pontos: anunciar uma explicação, enumeração ou citação. O travessão também pode ser usado para isolar uma explicação ou um aposto, cumprindo papel semelhante. Portanto, a substituição é válida e não altera o sentido.
A técnica que decide
A questão testa o conhecimento das funções dos sinais de pontuação. Os dois-pontos podem ser substituídos por travessão quando ambos introduzem uma explicação ou um esclarecimento. No entanto, não podem ser substituídos por ponto final, pois isso quebraria a relação de explicação entre as partes, criando dois períodos independentes e alterando a coesão e o sentido. Além disso, a questão testa a acentuação: palavras como “contrário” e “fechará” são acentuadas por regras específicas (paroxítona terminada em ditongo e oxítona terminada em “a”, respectivamente), e retirar o acento mudaria a pronúncia e, em alguns casos, o sentido ou a classe gramatical.
O gancho
Para resolver questões de pontuação, pergunte-se: qual é a função do sinal no contexto? Se a substituição mantém a mesma relação lógica entre as partes, ela é válida. Se altera a relação (por exemplo, de explicação para independência), é inválida. Para acentuação, lembre-se de que o acento gráfico não é decorativo: ele marca a sílaba tônica e, em alguns casos, distingue palavras. Retirá-lo sem mudar o sentido só é possível em casos de dupla grafia, que não se aplicam aos vocábulos citados.
Dois-pontos
1Funções
Explicação
Enumeração
Citação
2Substituição
Travessão (mantém sentido)
Ponto final (quebra coesão)
3Acento gráfico
Contrário (paroxítona em ditongo)
Sem acento = verbo contrariar
Fechará (oxítona em "a")
Sem acento = pretérito mais-que-perfeito
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O vocábulo “contrário” é uma paroxítona terminada em ditongo crescente “io”, e por isso recebe acento agudo. Não existe forma sem acento com o mesmo sentido. A forma “contrario” (sem acento) seria a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “contrariar”, com sentido completamente diferente. A alternativa extrapola ao inventar uma dupla grafia inexistente.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
No trecho “A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos […]”, os dois-pontos introduzem uma explicação do que torna a coluna diferente. O travessão pode exercer a mesma função, isolando a explicação. Veja o trecho:
“A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos […]”
A substituição por travessão manteria o sentido: “A coluna de hoje é diferente — sem gráficos, sem dados quantitativos”. A relação de explicação é preservada, e a pontuação continua correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O vocábulo “fechará” é uma oxítona terminada em “a”, e por isso recebe acento agudo. Sem o acento, “fechara” seria a forma do pretérito mais-que-perfeito do indicativo, com tempo verbal diferente. A alternativa contradiz a regra de acentuação e o sentido temporal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No trecho “Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.”, os dois-pontos introduzem uma explicação do que é o segundo fator. Substituí-los por ponto final criaria dois períodos independentes, quebrando a relação de explicação e alterando o sentido. A alternativa contradiz a função dos dois-pontos e propõe uma mudança que prejudica a coesão textual.