Questão de Português — Sintaxe — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Sintaxe
Código
gp001696
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Texto 1
A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um
acha que fechará a discussão; o outro quer
fomentá-la
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes
A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem
dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa
sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas
redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado
que abordo uma miríade de temas. Seria eu um
tudólogo?
Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre
todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como
pretenso especialista, independentemente da matéria
em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois
ninguém consegue ser especialista em tudo.
No meio online, vemos a mesma pessoa opinando
de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto
geopolítica e virologia. Boa parte se guia por
manchetes, por resultado de buscas no Google ou por
respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.
Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama
de temas, pelo contrário, considero louvável ter
interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta
não é expressar uma opinião, é apenas propagar
conteúdo de terceiros de forma acrítica.
Temos acesso a um universo de conhecimento que
está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real
proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das
fontes.
O tempo é fundamental para consumir o conteúdo
completo, pensar e formular a opinião – mas a busca
do engajamento em redes sociais estimula a pressa
em postar. A forma mais cômoda e rápida é
simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial.
Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria
é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é:
pensar profundamente exige tempo. Infelizmente,
virou comum usar a IA como perna e não como a
muleta que deveria ser.
Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes.
Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas
crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de
uma fonte online não garante sua validade. O
provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o
meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma
fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada
por outros autores ou organismos de reputação, como
o Our World in Data, que se vale de dados compilados
pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais,
mesmo de especialistas, não são condição suficiente
para autoridade; é preciso checar se há validação por
pares.
E finalmente chegamos à minha maneira de
apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo.
Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros:
os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero
entender o mundo que me cerca com seus grandes
problemas e desafios. E gosto de trazer esta
inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento
quantitativo e a fonte das minhas análises – o que
automaticamente abre a possibilidade de outros
também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias
conclusões.
Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no
início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os
diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição
é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer
fomentá-la. E longe da soberba intelectual.
Considerando o excerto “Não sou contrário aopinar sobre uma ampla gama de temas, pelocontrário, considero louvável ter interessesvariados.”, assinale a alternativa correta.
AEm “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla
gama de temas […]”, o trecho destacado funciona
como objeto indireto da sentença.
BEm “[…] considero louvável ter interesses
variados.”, a oração em destaque tem função de
objeto direto.
CEm “Não sou contrário a opinar […]”, o termo
destacado poderia ser substituído por “de” sem
que houvesse prejuízo sintático.
DEm “[…] opinar sobre uma ampla gama de temas
[…]”, o termo em destaque não pode ser
substituído por “a” sem que haja prejuízo sintático
e semântico ao texto.
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GabaritoA — Em “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla
gama de temas […]”, o trecho destacado funciona
como objeto indireto da sentença.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Análise sintática do excerto: objeto indireto e regência verbal
Gabarito: letra A. Em “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]”, o trecho destacado “a opinar sobre uma ampla gama de temas” funciona como objeto indireto da sentença. A prova está na regência: o adjetivo “contrário” exige a preposição “a”, e a oração subordinada substantiva objetiva indireta completa o sentido do predicativo “contrário”, funcionando como complemento verbal. As demais alternativas ou confundem a função sintática, ou propõem substituições que alteram a regência e o sentido.
O comando da questão
O enunciado pede que se assinale a alternativa correta sobre a análise sintática do excerto. Isso significa que cada alternativa deve ser testada contra a estrutura gramatical do trecho, verificando a função de cada termo e a possibilidade de substituição sem prejuízo. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — é preciso identificar a função de cada oração e a regência dos verbos e nomes.
O texto e o trecho em análise
O texto discute a diferença entre o “tudólogo” e o “curioso”. No trecho destacado, o autor afirma: “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados.” A análise sintática se concentra em duas orações: a primeira, “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas”, e a segunda, “considero louvável ter interesses variados”.
A técnica que decide: regência e função sintática
Para resolver, é essencial dominar dois conceitos:
Objeto indireto: complemento verbal introduzido por preposição obrigatória, exigida pela regência do verbo ou do nome.
Objeto direto: complemento verbal sem preposição.
No trecho, “contrário” é um adjetivo que exige a preposição “a” para introduzir seu complemento. A oração “a opinar sobre uma ampla gama de temas” é uma oração subordinada substantiva objetiva indireta, pois completa o sentido do adjetivo “contrário”, funcionando como objeto indireto. A preposição “a” é obrigatória — não pode ser substituída por “de” sem alterar a regência e o sentido.
Na segunda oração, “considero louvável ter interesses variados”, o verbo “considerar” é transitivo direto, e a oração “ter interesses variados” funciona como objeto direto — não há preposição.
Análise das alternativas
Oração subordinada substantiva
1Objetiva indireta
Exige preposição
Ex.: "contrário a opinar..."
2Objetiva direta
Sem preposição
Ex.: "considero louvável ter..."
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em “Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas […]”, o trecho destacado funciona como objeto indireto. A regência do adjetivo “contrário” exige a preposição “a”, e a oração “a opinar sobre uma ampla gama de temas” completa o sentido do predicativo, exercendo função de complemento verbal indireto. A preposição é obrigatória e não pode ser suprimida.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Em “[…] considero louvável ter interesses variados.”, a oração em destaque “ter interesses variados” tem função de objeto direto, e não de objeto indireto. O verbo “considerar” é transitivo direto — não exige preposição. A alternativa contradiz o texto ao classificar como objeto indireto uma oração que é objeto direto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Em “Não sou contrário a opinar […]”, o termo destacado não poderia ser substituído por “de” sem prejuízo sintático. A regência do adjetivo “contrário” exige a preposição “a”. A substituição por “de” quebraria a regência e alteraria o sentido. A alternativa extrapola ao propor uma troca que não é possível.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Em “[…] opinar sobre uma ampla gama de temas […]”, o termo em destaque pode ser substituído por “a” sem prejuízo sintático e semântico. A preposição “sobre” pode ser trocada por “a” — “opinar a respeito de” é equivalente a “opinar sobre”. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que a substituição não é possível.
Conclusão
A questão testa a capacidade de identificar a função sintática de orações subordinadas substantivas e a regência de verbos e nomes. A alternativa A é a única correta, pois classifica corretamente o trecho como objeto indireto, respeitando a regência do adjetivo “contrário”. As demais alternativas ou classificam erroneamente a função, ou propõem substituições que alteram a regência e o sentido.