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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001697
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1


A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um acha que fechará a discussão; o outro quer fomentá-la


Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes


    A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado que abordo uma miríade de temas. Seria eu um tudólogo?

    Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista, independentemente da matéria em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois ninguém consegue ser especialista em tudo.

    No meio online, vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia. Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.

     Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica.

    Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes.

    O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo, pensar e formular a opinião – mas a busca do engajamento em redes sociais estimula a pressa em postar. A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial. Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é: pensar profundamente exige tempo. Infelizmente, virou comum usar a IA como perna e não como a muleta que deveria ser.

    Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes. Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade. O provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação, como o Our World in Data, que se vale de dados compilados pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais, mesmo de especialistas, não são condição suficiente para autoridade; é preciso checar se há validação por pares.

    E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero entender o mundo que me cerca com seus grandes problemas e desafios. E gosto de trazer esta inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento quantitativo e a fonte das minhas análises – o que automaticamente abre a possibilidade de outros também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias conclusões.

    Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la. E longe da soberba intelectual.


Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan. 2026.
Assinale a alternativa correta quanto às palavrasempregadas no texto.
  1. ANo excerto “[…] vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia […]”, o vocábulo em destaque traz uma conotação negativa nesse contexto.
  2. BDe acordo com o texto, os vocábulos “tudólogo” e“curioso” possuem a mesma equivalênciasemântica.
  3. CCaso fosse retirado o acento da palavra “análise”,no penúltimo parágrafo do texto, ela manteria omesmo sentido e função.
  4. DO termo “inquietação”, no último parágrafo, dizrespeito à ansiedade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — No excerto “[…] vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia […]”, o vocábulo em destaque traz uma conotação negativa nesse contexto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Significação contextual: conotação, sinonímia e acento diferencial

Gabarito: letra A. No excerto “[…] vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia […]”, o vocábulo “autoritativa” assume conotação negativa — o autor critica quem opina “de forma autoritativa” sem embasamento, como se vê no contexto: “Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.” A palavra, que em sentido denotativo significa apenas “com autoridade”, aqui carrega o juízo de valor de pretenso especialista — exatamente o que o texto define como “tudólogo”.

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa correta quanto às palavras empregadas no texto — ou seja, exige análise semântica contextual: sentido denotativo/conotativo, sinonímia, acentuação diferencial. Não é uma questão de localizar informação explícita, mas de interpretar o efeito de sentido de cada vocábulo no contexto em que aparece. Para cada alternativa, a pergunta decisiva é: o texto autoriza essa leitura?

O texto e o movimento argumentativo

O autor distingue o tudólogo do curioso: o primeiro “acha que fechará a discussão”; o segundo “quer fomentá-la”. O tudólogo é definido como “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista” — qualificativo depreciativo. É nesse quadro que “autoritativa” ganha carga negativa: opinar “de forma autoritativa” sobre temas diversos, guiando-se por manchetes e respostas de IA, é propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica, não expressar opinião própria. A conotação negativa nasce do contraste com a postura do curioso, que “mostra o embasamento” e “abre a possibilidade de outros pesquisarem”.

A técnica que decide

Denotação é o sentido literal, de dicionário; conotação é o sentido figurado, construído pelo contexto. Aqui, “autoritativa” não está sendo usada para elogiar uma autoridade legítima — está sendo usada para criticar a arrogância de quem se comporta como dono da verdade. A prova está na sequência imediata do trecho:

“Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.”

Se o autor considerasse positiva a postura autoritativa, não a associaria a “propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica”. A alternativa A está ancorada nessa oposição.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O vocábulo “autoritativa” tem sentido denotativo de “que tem autoridade”, mas no contexto ganha conotação negativa: refere-se à atitude de quem opina com pretensa autoridade, sem embasamento real. O texto critica exatamente isso: “Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.” A palavra carrega o juízo de valor do autor contra o tudólogo — “pretenso especialista”. Portanto, a afirmação está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto afirma explicitamente que tudólogo e curioso se diferenciam: “O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la.” Não há equivalência semântica — são antônimos contextuais. A alternativa inverte a tese central do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de vocábulo que altera o sentido. “Análise” (substantivo, proparoxítona, acentuada) e “analise” (forma do verbo analisar, 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo ou 1ª/3ª do pretérito perfeito do indicativo) são palavras diferentes, com sentido e função sintática distintos. Retirar o acento muda a classe gramatical e o sentido — não é mero detalhe gráfico. A alternativa ignora o acento diferencial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. No texto, “inquietação” significa curiosidade intelectual, desejo de entender o mundo: “E gosto de trazer esta inquietação a público.” Não há qualquer menção a ansiedade (sentido patológico). A alternativa acrescenta um sentido que o contexto não autoriza — é uma extrapolação com base no sentido comum da palavra, fora do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sentido denotativo e conotativo (alternativa A) e a tentação de aceitar “analise” como mera variação gráfica de “análise” (alternativa C). Fique atento: conotação depende do contexto; acento diferencial muda a palavra.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar o sentido de uma palavra, pergunte: o autor está usando no sentido literal ou com um valor crítico/elogioso? E desconfie de alternativas que tratam acento como enfeite — muitas vezes ele distingue palavras.

Gabarito: letra A.

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