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Questão de Português — Interpretação de Textos — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
gp001698
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
SAP-SP
Ano
2026
Cargo
Policial Penal
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Texto 1


A diferença entre o tudólogo e o curioso? Um acha que fechará a discussão; o outro quer fomentá-la


Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes


    A coluna de hoje é diferente: sem gráficos, sem dados quantitativos, mas uma reflexão qualitativa sobre os famosos “tudólogos”, tão frequentes nas redes sociais. Quem me acompanha deve ter notado que abordo uma miríade de temas. Seria eu um tudólogo?

    Segundo a Infopédia, é a “pessoa que opina sobre todo e qualquer assunto, assumindo-se sempre como pretenso especialista, independentemente da matéria em questão.” É um qualificativo depreciativo, pois ninguém consegue ser especialista em tudo.

    No meio online, vemos a mesma pessoa opinando de forma autoritativa sobre temas tão diversos quanto geopolítica e virologia. Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento.

     Não sou contrário a opinar sobre uma ampla gama de temas, pelo contrário, considero louvável ter interesses variados. Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica.

    Temos acesso a um universo de conhecimento que está literalmente no nosso bolso, mas para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes.

    O tempo é fundamental para consumir o conteúdo completo, pensar e formular a opinião – mas a busca do engajamento em redes sociais estimula a pressa em postar. A forma mais cômoda e rápida é simplesmente delegar o assunto à inteligência artificial. Mas igualar uma resposta de IA a uma opinião própria é desprezar nossa capacidade analítica. Fato é: pensar profundamente exige tempo. Infelizmente, virou comum usar a IA como perna e não como a muleta que deveria ser.

    Chegamos ao segundo fator: a qualidade das fontes. Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade. O provérbio “o papel aceita tudo” vale também para o meio virtual. Um bom critério para reconhecer uma fonte de qualidade é o quanto ela é usada e validada por outros autores ou organismos de reputação, como o Our World in Data, que se vale de dados compilados pelo Banco Mundial. Importante: relatos individuais, mesmo de especialistas, não são condição suficiente para autoridade; é preciso checar se há validação por pares.

    E finalmente chegamos à minha maneira de apresentar os temas: não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso: quero entender o mundo que me cerca com seus grandes problemas e desafios. E gosto de trazer esta inquietação a público. Mostrar qual foi o embasamento quantitativo e a fonte das minhas análises – o que automaticamente abre a possibilidade de outros também pesquisarem os dados e tirarem suas próprias conclusões.

    Enfim, quanto à amplitude de temas mencionada no início, o tudólogo e o curioso se parecem. O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la. E longe da soberba intelectual.


Disponível em: https://www.estadao.com.br/ciencia/frankito-ocurioso/a-diferenca-entre-o-tudologo-e-o-curioso-um-acha-que-fechara-a-discussao-o-outro-quer-fomenta-la/. Acesso em: 05 jan. 2026.
Assinale a alternativa correta quanto ao conteúdodo texto.
  1. AO autor afirma ser um “tudólogo”, visto queescreve, frequentemente, sobre temas variados.
  2. BO autor tece uma crítica a respeito da expressãode opiniões sobre assuntos diversos quando nãohá tempo dedicado para pesquisa ou quando nãohá busca por fontes confiáveis.
  3. CO autor aponta que, se há fontes – inclusive paraas crenças mais contraditórias – que comprovema ideia, há veracidade na informação.
  4. DO texto deixa claro que o “tudólogo” e o curiososão semelhantes. O que os diferencia é o fato deque o curioso sempre se utiliza de fontesconfiáveis.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O autor tece uma crítica a respeito da expressão de opiniões sobre assuntos diversos quando não há tempo dedicado para pesquisa ou quando não há busca por fontes confiáveis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da questão sobre o tudólogo e o curioso

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que sintetiza corretamente a tese central do texto: o autor critica a expressão de opiniões sobre assuntos diversos quando não há tempo dedicado à pesquisa ou quando não há busca por fontes confiáveis. Essa crítica está ancorada em passagens explícitas, como a que afirma que "para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes" e a que condena "copiar/colar uma resposta" como mera "propagação de conteúdo de terceiros de forma acrítica". As demais alternativas ou contradizem o texto, ou extrapolam seu conteúdo, ou restringem indevidamente o alcance das afirmações.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede a alternativa "correta quanto ao conteúdo do texto". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções além do que o autor afirma. Não se trata de inferir algo novo, mas de reconhecer a ideia central que o texto defende. Portanto, o método é: localizar a tese e os argumentos que a sustentam, e testar cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta afirmação?"

O texto: tese e argumentos

O texto é uma coluna de opinião em que o autor reflete sobre a diferença entre o "tudólogo" e o "curioso". A tese central é que ambos podem abordar temas variados, mas o que os distingue é a postura: o tudólogo acha que sua opinião fecha a discussão; o curioso quer fomentá-la. Para sustentar essa tese, o autor desenvolve dois argumentos principais:

  1. O tempo: pensar profundamente exige tempo, mas a busca por engajamento estimula a pressa, levando a delegar o assunto à IA sem reflexão.

  2. A qualidade das fontes: a existência de uma fonte online não garante sua validade; é preciso checar se há validação por pares.

A alternativa B captura exatamente essa crítica: opinar sem tempo de pesquisa e sem fontes confiáveis é o comportamento que o autor reprova.

A técnica: como testar cada alternativa

A armadilha central desta questão é a extrapolação e a restrição indevida. A banca oferece alternativas que parecem plausíveis, mas que ou acrescentam informações que o texto não traz, ou generalizam afirmações que o texto faz de forma limitada. Para evitar cair nessas armadilhas, é preciso confrontar cada alternativa com o texto, buscando a passagem exata que a sustenta ou a refuta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor se considera um "tudólogo" por escrever sobre temas variados. Isso contradiz o texto. O autor é explícito ao negar essa classificação:

"não me vejo como um tudólogo. Não sou multiespecialista (que existem, mas são raros: os chamados polímatas). Mas sou curioso"

O autor reconhece que aborda uma miríade de temas, mas se identifica como curioso, não como tudólogo. A alternativa troca o conceito de "curioso" por "tudólogo", invertendo a posição do autor.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B é uma paráfrase fiel da tese do texto. O autor critica a opinião sem fundamentação, como se vê em:

"Boa parte se guia por manchetes, por resultado de buscas no Google ou por respostas de IA. Isto não é busca de conhecimento."

E também:

"Mas copiar/colar uma resposta não é expressar uma opinião, é apenas propagar conteúdo de terceiros de forma acrítica."

Além disso, o autor afirma que "para tirar real proveito, há dois segredos: o tempo e a qualidade das fontes". A alternativa B condensa exatamente essa crítica: opinar sem tempo de pesquisa e sem fontes confiáveis é o comportamento reprovável. Não há extrapolação nem restrição; é a leitura direta do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que, se há fontes que comprovem a ideia, há veracidade na informação. Isso contradiz o texto. O autor é claro ao dizer:

"Sempre encontraremos fontes que corroborem nossas crenças, mesmo as mais absurdas. A existência de uma fonte online não garante sua validade."

Ou seja, o texto afirma exatamente o oposto: a existência de fontes não garante veracidade. A alternativa inverte o sentido da afirmação do autor, transformando uma crítica em uma defesa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que o que diferencia o tudólogo do curioso é que o curioso "sempre se utiliza de fontes confiáveis". Isso restringe indevidamente o alcance do texto. O autor diz que a diferença é outra:

"O que os diferencia: o tudólogo considera que sua contribuição é suficiente para fechar a discussão; já o curioso quer fomentá-la."

A diferença é a postura diante da discussão, não o uso de fontes confiáveis. Além disso, o texto não afirma que o curioso "sempre" usa fontes confiáveis; essa é uma generalização que o texto não sustenta. A palavra "sempre" é um alerta clássico de restrição indevida.

Conclusão

A questão testa a capacidade de distinguir a tese do autor de afirmações que a contradizem ou a extrapolam. A alternativa B é a única que permanece fiel ao texto, sem acrescentar ou restringir informações. Ao resolver questões de compreensão, lembre-se: a resposta deve ser uma paráfrase do que está escrito, não uma opinião sua nem uma generalização. Gabarito: letra B.

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